NOTA DO PCLCP/RJ AO LANÇAMENTO DO COMITÊ POPULAR CONTRA O GOLPE

O Comitê Popular Contra o Golpe é uma articulação realizada por entidades e militantes de diversas organizações que entendem a gravidade do programa de regressão econômica, política e social implementada pelo golpismo. O comitê não é mais uma Frente Política que visa disputar espaço com as demais, ao contrário, visamos ampliar os espaços de interlocução com a classe trabalhadora, nas bases e nas ruas. Seu caráter é ampla, democrática, progressista e patriótica.

O Golpe, ora em curso em nosso país, faz parte da estratégia do Imperialismo de derrubar governos que em algum momento, ousaram contrariar seus interesses, como Iraque, irã, Líbia, Ucrânia, Honduras, Paraguai, Argentina e Brasil. O xadrez imperialista articula classes e corporações para o processo de golpe. Nesse tabuleiro geopolítico, o capital financeiro, a grande burguesia, o judiciário comprometido com as classes dominantes o a maioria parlamentar- corrompida e reacionária – a grande mídia – subordinada de sempre ao imperialismo -, e alguns setores de classe média, manipulados, conservadores, ou mesmo fascistas, são peças de um jogo, que coloca em xeque a democracia e as conquistas sociais da classe trabalhadora.

A direita brasileira é historicamente golpista e reacionária. Basta lembrar os episódios de 1932,45,50, 54-56,61 e 64. Os interesses contrariados, pelo projeto de nação inerente ao nacional desenvolvimentismo, e a avaliação da inviabilidade de, pelo jogo democrático, implementar a sua agenda regressiva, de desmonte do Estado e suspensão de direitos, desencadearam a ira de uma classe dominante antinacional e escravocrata, articulada politicamente, economicamente e ideologicamente submissa ao Imperialismo.

É bom lembrar, que em 2002, mesmo com a eleição de um Lula autodomesticado, por sua “Carta aos Brasileiros”, a direita não se acalmou. Os governos petistas não confrontaram nenhum interesse fundamental daqueles que sempre ganharam no país. Os bancos lucraram como nunca. Lula e Dilma não fizeram a reforma agrária, não taxaram os ganhos dos grandes bancos, não taxaram grandes fortunas e heranças, não fizeram reforma urbana, não promoveram a democratização da mídia, além de compor equipes econômicas, propostas por nomes aceitáveis ao mercado financeiro. De positivo nos governos do PT, houve a política de ganhos salariais, democratização à educação pública técnica e universitária, o aumento de obras em infraestrutura (se comparado ao descalabro de era PSDB), as políticas sociais compensatórias, a política de cotas para negros e, para completar, adesão ao BRIC, o que foi a gota d’água para o imperialismo. Isto, no entanto, já era muito para a direita reacionária do Brasil.

A vitória de Dilma em 2014 e a implementação parcial da agenda dos adversários, deixou clara a fragilidade do governo e sua falta de confiança na organização e mobilização das massas trabalhadoras. Em suma, aso políticas dos governos Lula e Dilma não podem ser qualificadas como de esquerda, pois são sociais-liberais. Diante da contemporização com o setor mais corrupto e venal do parlamento, aceitando a chantagem, no lugar da correta política de confrontação e apelo às massas, o golpe era uma questão de tempo, A unidade das entidades patronais da grande mídia, do judiciário e de um parlamento que envergonha a raça humana, encaminharam o desfecho final.

Agora, cabe a nós forças progressivas da nação, realizar um esforço crítico e autocritico, combatendo o golpe e o golpismo e cada esquina, local de trabalho e estudos. Nós do PCLCP, defendemos a unidade ampla da esquerda, progressistas e patriotas para construir um programa único, discutido e formulado o mais ampla e democraticamente, para travar o debate político e evitar a vitória do programa de retrocesso social. Temer e demais golpistas são expressão mais acabada de uma política que pode nos levar de volta ao oligárquico dos anos de 1920, um país em que os trabalhadores eram mero detalhe e a questão social, caso de polícia.

O tempo urge, pois se não organizarmos a resistência seremos derrotados, mais uma vez. Um revolucionário, em movimento de revés, afirmou, há 222 anos: “Não chegou o tempo em que homens de bem podem servir impunemente à pátria: os defensores da liberdade não passarão de proscritos, enquanto a horda de tratantes dominar”.

Derrotar o golpe e o golpismo!

Resistir e retornar a ofensiva!

Pelo programa único da esquerda!

Polo comunista Luiz Carlos Prestes/RJ

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