60% das crianças assassinadas em ações decorrentes de operações policiais são do RJ

Já é rotina da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro realizar operações em horário escolar. Na última quinta-feira (dia 30 de março), mais uma destas operações resultou na morte da jovem negra e estudante, Maria Eduarda Alves da Conceição, de apenas 13 anos, baleada na cabeça dentro da Escola Municipal Daniel Piza, na Pavuna, Zona Norte do Rio, durante a aula de educação física. A jovem era medalhista e tinha uma carreira promissora como atleta.

Um vídeo, publicado nas redes sociais, mostra dois policiais militares executando dois homens em frente à escola onde Maria Eduarda foi morta.

Os cabos da PM David Gomes Centeno e Fábio de Barros Dias, flagrados executando os dois homens em frente à escola, já estão envolvidos em outros casos de assassinato. Os policiais respondem pelos crimes em liberdade. Centeno está envolvido em outros 10 autos de resistência e Dias em mais 26 casos.

O Porta-Voz da PM, Ivan Blazfalou falou em “dano colateral”, e “matar ou morrer” ao se referir ao caso da jovem. Para o Voz Operária, não se trata de “desvio de conduta”, “despreparo dos policiais” ou “erro”. Segundo dados do Ministério Público, entre 2001 e 2012, o Estado do Rio de Janeiro registrou 50 assassinatos de crianças, decorrentes de operação policial, 60% dos casos em todo Brasil se concentram no RJ. Segundo o Instituto de Segurança Pública – ISP, nos dois primeiros meses de 2017, foram registrados 182 homicídios por auto de resistência, e no ano de 2016, cerca 12% dos autos de resistência no Estado do Rio de Janeiro: 117 casos no total de 920, aconteceram na área do 41º BPM. Portanto, não podemos falar em “desvio”, mas sim em prática.

A pesquisa do sociólogo e professor da UFRJ Michel Misse indica que, entre os inquéritos de autos de resistência, 99,2% foram arquivados ou nunca chegaram à fase de denúncia. Em 2015, na mesma região, 5 jovens foram fuzilados no carro, atingidos por mais de 100 disparos, e os PMs envolvidos são acusados por alterar a cena do crime. A Justiça absolveu um dos PMs e concedeu aos outros prisão preventiva. Os familiares das vítimas afirmam que não tiveram ajuda do Estado.

mãe de uma das vítimas de costa barros

Todo o quadro exposto acima será agravado com o golpe. O governo golpista do PSDB/PMDB, aprovou em 2016, a PEC 55 que congela investimentos sociais em saúde e educação por 20 anos. Além desse fato, os golpistas vem adotando uma política de destruição do emprego, indústria e comércio. A relação entre desigualdade social e violência é direta. Nossa juventude, sem perspectiva de educação e emprego, ficará à sua própria sorte, caindo muitas vezes no crime, ou exposta à violência. O governo golpista segue a filosofia do ex-presidente Washington Luiz: “Questão social é caso de polícia”. O povo da periferia deve lutar e derrubar o governo golpista para evitar a tragédia social.

Questão social NÃO é caso de polícia!

Basta de extermínio da juventude negra!

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