PELO DIREITO A MORADIA

“Na região central, onde existe cerca de 5 mil imóveis abandonados (300 no Centro do Rio), o número de moradores de rua triplicou, evidenciando a especulação imobiliária, que gera lucro para poucos às custas da miséria de muitos.”

A ciência natural moderna provou que o assim chamado ‘bairro malsão’, no qual estão confinados os trabalhadores, é o foco de onde se propagam todas as enfermidades contagiosas que de tempos em tempos se abatem sobre nossas cidades. Cólera, tifo e febre tifoide, varíola e outras doenças devastadoras disseminam seus germes no ar empesteado e na água contaminada desses bairros de trabalhadores; elas praticamente nunca são erradicadas desses lugares e, sempre que as circunstâncias são favoráveis, evoluem para enfermidades de caráter epidêmico, ocasiões em que ultrapassam os limites de seus focos e penetram em bairros ventilados e saudáveis em que residem os senhores capitalistas.([II] Como burguesia resolve a questão da moradia – Sobre a questão da moradia, Friedrich Engels, 1887)

Naturalmente a análise de Engels sobre a questão dos problemas de moradia encontrados pelos trabalhadores alemães continua sendo a reprodução atual de nosso sistema, seja pelos achismos de Müllberger influenciado no socialismo pequeno-burguês de Proudhon, seja pelas respostas mais atuais nos sistema keynesianos ou na social-democracia, a reprodução das cidades dormitórios continua sendo um problema.

Gasta-se dinheiro em políticas de urbanização e de moradia, mas a relação dos trabalhadores continua a mesma, pagando altos preços por aluguéis, em áreas sem a mínima condição de sobrevivência saudável, sem saneamento básico, suscetíveis a epidemias de “país de terceiro mundo”.

No município do Rio de Janeiro podemos encontrar esse padrão na Zona Oeste. A região que concentra cerca de 40% da população, ocupa mais de 70% da área geográfica e, ainda assim, possui problemas habitacionais, demonstrando que esta questão é um problema político. Nesta zonal, somente a Barra da Tijuca possui IDH alto (IDH = 0.959), evidenciando claramente o conflito sócio-econômico desenvolvido pelos governos. Sem o atendimento de suas necessidades, os trabalhadores que em sua maioria não possuem moradia própria, comprometem cerca de 40% da renda familiar com o aluguel (Em média, numa área barata do município, custa entre R$ 500 – 700).

Já no Estado, cerca de 20% da população reside nas favelas. Temos, então, 1/5 do total de habitantes do Estado vivendo em péssimas condições de moradia, saúde, educação e segurança. Na região central, onde existe cerca de 5 mil imóveis abandonados (300 no Centro do Rio), o número de moradores de rua triplicou, evidenciando a especulação imobiliária, que gera lucro para poucos às custas da miséria de muitos.

Essas mesmas condições se reproduzem internacionalmente, no caso não tão distante do “Ebola”. Encontrando condições subumanas em países africanos explorados por empresas do mundo inteiro (até por países mais ‘progressistas’ europeus), as conexões foram fechadas por decisão de não- contágios aos países que possuem relação direta com a exploração e caos por que passam esses países. Fica a pergunta, então, aos “Democratas” e “Progressistas” que nos chamam de “Radicais”: Quais seriam as respostas deles para esta proposta política injusta, onde os grandes empresários ligados a este modelo de gestão privada somente ganham, à custa da retirada de quase metade do nosso trabalho? Esta é a ótica de mundo globalizado, onde após 130 anos de desenvolvimento, a única coisa que se repete são os acúmulos de propriedades por pequenas famílias que exploram os trabalhadores com aluguéis que extrapolam qualquer cálculo econômico financeiro.

Não veio, até hoje, dos ditos “progressistas” uma resposta verdadeira sobre a questão da moradia. A social-democracia é uma resposta nacional para os problemas do centro global do capitalismo europeu, de forma internacional. Ela aliena a visão do trabalhador para crer, de forma mística e irracional, que a resposta virá de uma política que nunca conseguiu se desenvolver em países fora dos centros de influência comercial e financeira do capitalismo.

Enquanto o governo golpista corta os gastos com o “Minha Casa, Minha Vida”, fica a certeza de que não irão responder a pergunta de mais de 4 milhões de trabalhadores que ainda pagam aluguel (sem alguma expectativa de conseguir sua casa própria) somente no município de Rio de Janeiro. Temos que defender: o direito à ocupação desses imóveis que só servem para especulação imobiliária, o aumento progressivo de IPTU para imóveis subutilizados ou vazios e investimentos maciços na construção de moradia para acabar com esse rombo que vaza cerca de 40% de nosso salário mensal.

A resposta para nosso problema não virá de nenhum governo nos moldes burguês. Somente a luta organizada emancipará os trabalhadores da exploração dos aluguéis e irá, finalmente, fazer cada trabalhador ter o seu lar de direito. Não podemos deixar nossos trabalhadores na condição desta eterna dívida de aluguel, sem expectativa alguma sobre o sonho e o direito que todos nós temos à moradia.

“Se moradia é um direito, ocupar é um dever!”

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