Disputa na Venezuela: o chavismo e a oposição medem forças nesta quarta-feira

O Jornal Voz Operária divulga o texto publicado pelo Canal de TV Russo RT sobre a tentativa de golpe na Venezuela.

Esta quarta-feira, 19/04, é feriado na Venezuela, mas as ruas não estão vazias. Tanto os chavistas quanto a oposição convocaram seus membros para manifestações, que procuram demonstrar seu poder de mobilização, no contexto político venezuelano complicado: é um dia decisivo para ambos os lados. Hoje, 19 de abril, na Venezuela, são comemorados os 207 anos do movimento popular, que deu início ao processo de Independência da Venezuela, constituída em 05 de julho de 1811.

Às 9:00 horas, nas calçadas de Altamira, bairro de classe média e alta, se pode ver algumas pessoas com bandeiras tricolores e chapéus: expressam seu fervoroso apoio à oposição venezuelana. Fazem “a mãe das marchas” na capital, para protestar contra o governo do presidente Nicolás Maduro.

No oeste da capital, os bairros populares, historicamente dominados pelas forças do chavismo, o quadro começa a mudar de cor. Centenas de manifestantes, vestidos de vermelho, carregando faixas e slogans como “Alerta, alerta, alerta caminha a espada de Bolívar na América Latina”, marcham a Petróleos de Venezuela e nas principais ruas do centro de Caracas.

Plano de Zamora

As manifestações da Oposição e dos Chavistas estão divididas: há forte presença de militares e policiais, que procuram evitar o confronto das duas mobilizações. Desde terça-feira, a tensão é evidente: os pontos de entrada e saída do capital estão guardados, depois que o presidente Nicolás Maduro ordenou o início do Plano de Zamora, um dispositivo de segurança implementado pelo Comando Estratégico Operacional das Forças Armadas, após a inteligência desmantelar o plano violento de certos setores da oposição.

Segundo a denúncia do presidente, a oposição estava planejando gerar ações violentas em sua própria manifestação para culpar o governo e promover a intervenção no país por parte do governo dos EUA: “Os Estados Unidos da América convocou manifestações violentas para justificar sua intervenção na Venezuela (…) Deram luz verde, e assim eu digo que iremos enfrentá-los “, alertou o Presidente Maduro.

O chefe de Estado, que reiterou o apelo para o diálogo com a oposição venezuelana – e a vocação de paz de seu governo – disse: ” é hora de decidir o futuro do país, estamos em momentos cruciais do destino de nossa Pátria e eu vou estar na vanguarda desta batalha.”

A porta-voz do ministério das Relações Exteriores da Rússia, María Zajárova, disse dias atrás que a Rússia está preocupada com a situação na Venezuela: ela ressaltou que há um “risco crescente”, que são implementados “scripts destrutivos, que lembram os trágicos acontecimentos que ocorreram no Chile na década de 70”.

Venezuela é o verdadeiro alvo dos Estados Unidos?

Dois especialistas discutem os mecanismos que a Administração Donald Trump tem para aumentar o efeito dos EUA na desestabilização, para derrubar o governo de Maduro.

A Venezuela é o verdadeiro objetivo dos EUA: Washington interfere, através de ações desestabilizadoras, características de guerra não convencional – consideram os analistas consultados pela RT.

“A agenda começou com reuniões nos EUA para ‘demanda de pressão internacional’, dos adversários contra a Venezuela, continuou sua posição contra o governo, através do Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, e agora com o apoio à violência durante as manifestações”, diz o presidente da RT, da Federação das Entidades Árabes Unidos e Venezuela, Adel El Zabayar.

O Zabayar argumenta que há duas fases de consolidação deste plano contra o governo da Venezuela: uma, caracterizada por protestos violentos; e outra, de sabotagem, compreendendo a eletricidade, como já aconteceu, e assassinatos seletivos de manifestantes, para a finalidade de promover uma intervenção estrangeira.

Esta primeira fase de manifestações contra o governo de Nicolás Maduro é caracterizada por atos de vandalismo contra a propriedade pública, que já causaram prejuízos de 50 bilhões de bolívares, de acordo com dados divulgados pelo presidente venezuelano.

Para criar o caos no país, os EUA usam as particularidades do país e as suas fraquezas, a fim de – através de mercenários-, criar uma onda de vandalismo, desordem e conflito interno, afirma o vice-emérito da Assembleia Nacional Venezuelana, que deixou seu assento em 2013, para lutar na Guerra da Síria ao lado do Exército sírio e dos russos.

“Os EUA administra a teoria da divisão. Eles executam operações que lhes permitam manter a crise na América Latina: para eles é útil promover e desenvolver a divisão interna nesta área”, ele considera. Zabayar recorda as ações de mercenários, pagos pelos EUA, contra os governos da Síria e da Ucrânia, e pensa que o mesmo poderia acontecer na Venezuela.

O mesmo script

Em 2015, o presidente dos EUA, Barack Obama, declarou que a Venezuela era uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança dos EUA”. Ele descobriu que os planos de desestabilização não tinham mudado desde a presidência de Hugo Chávez, afirmou o advogado e escritor venezuelano Luis Britto.

Britto refere-se à “terceirização da guerra”, onde “exércitos de mercenários ou criminosos que cumprem o papel de invasão dos EUA, como aconteceu na Líbia, Ucrânia e na Síria.” O escritor concorda com Zebayar que a cobertura da excessiva da mídia, dos recentes protestos, é projetada para dar a impressão de que existe uma situação de violência na Venezuela.

“Ela estaria dando as condições para que haja um pretexto para uma eventual intervenção dos EUA para acabar com o alegado confronto entre os venezuelanos”, disse o advogado.

Ambos, Britto como Zabayar, acreditam que também poderia começar uma operação clandestina, que daria razões para uma nação vizinha atacar a Venezuela, sob o pretexto de defender a sua soberania.

fonte:

https://www.rt.com/in-motion/385201-venezuela-trump-maduro-effigies/

https://www.rt.com/news/384535-maduro-venezuela-stones-protest/

https://actualidad.rt.com/actualidad/236334-venezuela-caracas-chavismo-oposicion

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