Avaliação da Greve Geral no Rio de Janeiro

Necessitamos conscientizar a maior parte da classe trabalhadora, que ainda está desinformada sobre as contra-reformas da previdência e trabalhista. Somente as grandes massas populares, organizadas e conscientes, poderão gerar a força necessária para derrotar o golpe e revogar todas as medidas do golpismo, tais como a entrega do pré-sal, terceirização, pec do congelamento, reforma da previdência, trabalhista e todas as outras e restabelecer a democracia em nosso país.

Estivadores em luta na Greve Geral. Foto: El Pais

No dia 28 de abril foi realizada a primeira greve geral em 20 anos em todo Brasil: paralisações, piquetes e manifestações ocorreram nas principais regiões do país. A greve teve como principal atividade pautar a luta contra a “reforma” trabalhista, que atende um clamor, de parte do empresariado, para aumentar a exploração do trabalho e desregulamentar a CLT; e a “reforma” da Previdência, que desmonta o sistema de seguridade social, que praticamente irá proibir que os trabalhadores mais pobres deste país consigam se aposentar com dignidade. Em suma, a greve geral é uma resposta ao Golpe e todas suas medidas reacionárias.

A repressão da PM

O Sindicato dos Portuários organizou manifestação às 6h da manhã, travando assim a Av. Francisco Bicalho e a Avenida Brasil, principal via do Rio de Janeiro, na altura da Rodoviária Novo Rio. O Movimento Avançando Sindical (MAS) se fez presente nesta importante mobilização. A atividade se combinou com diversos outros travamentos pelo estado do Rio de Janeiro, tais como o da ponte Rio-Niterói, linha vermelha, Volta Redonda entre outras.

Por volta das 10h, a polícia militar e o batalhão de choque chegaram no local, sem estabelecer nenhum tipo de diálogo: desceram das viaturas, já dando tiros e iniciando a repressão à manifestação dos trabalhadores. Dispararam bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha a queima roupa sobre os trabalhadores, muitos passageiros da rodoviária foram surpreendidos pela repressão desproporcional da PM, que atingiu crianças, mulheres e idosos que passavam pelo local.

Não satisfeitos com toda a repressão e em ação provocativa agindo como verdadeiros capitães do mato, o batalhão de choque tentou invadir a sede histórica do Sindicato dos Portuários, que havia refugiado os trabalhadores, que tinham sido reprimidos pela PM, ação essa que causou comoção e mais revolta entre os mesmos.

Apesar da brutal repressão da PM, os estivadores, portuários e demais categorias prosseguiram a manifestação até o INTO – Instituto Nacional de Traumatologia e ortopedia – se somando assim à manifestação dos trabalhadores da saúde, onde o ato foi encerrado.

Não podemos deixar de destacar o papel reacionário da mídia, principalmente da Rede Globo, na cobertura da Greve. Estabeleceram uma campanha de guerra e terrorismo, incitando a violência e a repressão policial. Destacamos que não ocorreu nenhuma ação violenta que se iniciou por parte dos manifestantes. Pelo contrário, no Centro do Rio a manifestação foi dissolvida ainda na concentração pela própria PM, o que desencadeou uma revolta popular diante da repressão.

A unidade é a nossa fortaleza de luta!

O MAS-RJ compreende que a greve geral foi uma importante resposta ao governo golpista, apesar de ter sido uma greve defensiva, que reage às perversas medidas do governo golpista. Esta greve geral abre a possibilidade para uma retomada da ofensiva do movimento operário e popular. O golpe é amplamente rejeitado pela população. Este governo ilegítimo acumula hoje uma popularidade de 4%, segundo pesquisas recentes. Porém não é momento de cantar vitória: as forças golpistas são poderosas e avançam com velocidade assustadora; tem como objetivo destruir a esquerda, levar as condições de vida dos trabalhadores à patamares de 1920, vender todo o patrimônio publico e nacional à preço de banana para os gringos americanos que necessitam das nossas riquezas para sustentar suas aventuras militares.

Acreditamos que existe muito trabalho a ser feito. Primeiramente, não apoiamos a ideia atrasada do PSTU de reorganizar o Fórum de Lutas de 2013. Acreditamos que o centro da organização mobilização deve se dar na unidade das Centrais Sindicais e das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. A ampla rejeição ao golpe comprova que temos ainda uma grande margem para crescimento. Necessitamos conscientizar a maior parte da classe trabalhadora que ainda está desinformada sobre as contra-reformas da previdência e trabalhista. Somente as grandes massas populares, organizadas e conscientes, poderão gerar a força necessária para derrotar o golpe e revogar todas as medidas do golpismo, tais como a entrega do pré-sal, terceirização, pec do congelamento, reforma da previdência, trabalhista e todas as outras e restabelecer a democracia em nosso país.

Abaixo o golpe!

Por uma nova greve geral!

Revogação imediata de todas as medidas do golpe! Contra a venda do pre-sal, terceirização e reformas!

Em defesa do Brasil, do emprego digno, dos direitos trabalhistas e do patrimônio público e nacional!

Pela construção de um programa nacional que tenha como eixo a eliminação das desigualdades sociais e do atraso econômico!

Viva o Brasil, livre, soberano e progressista!