Barrar o golpismo aqui é barrar o imperialismo lá

Uma vez estabelecido no país de maior influência da América Latina, a invasão por terra em solo venezuelano é uma somente uma questão de tempo.

Existe um mito sobre o favorecimento prioritário pela política externa dos governos petistas aos outros governos de esquerda mundo afora, sendo então “acusado” de tocar uma “política ideológica” em defesa de “ditadores”, tais quais os líderes bolivarianos Chávez e Maduro.

Bom, desconsideramos a falsa acusação de “política ideológica”, afinal se trata de uma redundância tacanha, pós-moderna e digna dos setores mais atrasados da sociedade, feita justamente para enganar os trabalhadores ao inventar uma ideia de que é possível ser neutro e agradar todos os lados da luta de classes. O que é, por esses setores vende-pátria e reacionários, passível de acusação na política externa petista foi ter colocado o Brasil em uma direção independente. Independência essa que manteve relações comerciais e diplomáticas com países inimigos do imperialismo, os quais posteriormente tiveram sua soberania violada, tal qual o Iraque e a Líbiasendo a ordem para bombardear este último dada do território brasileiro enquanto o então presidente norte-americano, Barack Obama, visitava nossa terra, dias após a diplomacia brasileira se abster na ONU à campanha iniciada pela OTAN contra o país africano que, até então, ostentava os maiores índices de desenvolvimento humano do continente. Ou seja, uma clara provocação em tom de ameaça.

Como afirmamos em “A Cruzada do Imperialismo”, as atenções do tigre de papel tem se voltado também à América Latina, estando a Venezuela soberana em sua mira. Já não é de hoje que os EUA tentam desestabilizar a pátria de Bolívar, e hoje o Brasil tornou-se parte ativa disso. Nos seus primeiros dias, o então ministro de relações exteriores golpista José Serra, o qual até outro dia acreditava que o nome oficial de seu país era “Estados Unidos do Brasil”, fez da queda do presidente Maduro uma missão pessoal. Em quatro meses, através de um golpe, impediu que a Venezuela assumisse a presidência semestral do Mercosul, além de tentar comprar o voto dos uruguaios sobre o desligamento da Venezuela no bloco. Apesar de possuir um completo desconhecimento no assunto de sua área, Serra nada mais é do que o representante de um projeto: o golpismo é, em uma análise bem simples, a realocação do Brasil enquanto um celeiro dos EUA, e assim deve permanecer. Quando o judiciário venezuelano retirou a imunidade parlamentar de três opositores que estavam em situação de desacato desde as eleições passadas, o ministério de relações exteriores brasileiro foi um dos principais articuladores, ao que eles chamam de “golpe”, de uma reunião de emergência da OEA em Washington, desrespeitando a presidência boliviana no órgão em uma tentativa clara de violação da soberania da Venezuela.

Denunciamos também em nosso artigo aqui já mencionado que a entrega da base aérea de Alcântara (MA) para os EUA era um absurdo e que poderia ser utilizada em uma agressão contra a Venezuela. No início de maio, o governo golpista anunciou, a convite do Brasil, um exercício militar em conjunto com os EUA na Amazônia. Considerando que a floresta amazônica não se limita ao Brasil, mas se estende pelo território da Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Equador, Bolívia, Peru, Colômbia e Venezuela, nossa análise não é somente realista, mas quase inevitável. Uma vez estabelecido no país de maior influência da América Latina, a invasão por terra em solo venezuelano é uma somente uma questão de tempo.

Derrotar o golpismo hoje significa não só barrar medidas anti-populares que rasgam nossa constituição, como a reforma da previdência e a trabalhista, mas significa também derrotar o avanço do imperialismo em todo o globo. Lembrando os estudos de Florestan Fernandes que demonstram como as oligarquias coloniais brasileiras se converteram na nossa burguesia anti-nacional, anti-povo, historicamente alinhada e subserviente ao imperialismo, não podemos ter uma visão equivocada e anacrônica de acreditar que encontraremos uma burguesia nacional-libertadora para expulsar o imperialismo do Brasil. Somos um dos principais braços econômicos dos países subdesenvolvidos e emergentes representados nos acordos dos BRICS, e destruir os BRICS é aniquilar as alternativas contra-hegemônicas no cenário geopolítico. Barrar o golpismo aqui é barrar o imperialismo lá; é salvaguardar nossos irmãos latino-americanos do nosso inimigo histórico, que só será derrotado com muita luta, disciplina, consciência consequente e revolucionária, com a missão de unir a América Latina em um projeto emancipatório, patriótico e radicalmente anti-imperialista. O nosso projeto é o comunista.

Um breve histórico

Liderada pelo comandante Hugo Chávez, o processo bolivariano representa uma resposta contundente ao neoliberalismo. Graças a ele, a Venezuela retomou as rédeas de sua soberania e venceu uma série de medidas anti-populares parecidas com as que combatemos hoje no Brasil. Esse processo é entusiasta de espaços anti-imperialistas, tal qual a ALBA (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), em oposição a ALCA (Área de livre comércio das Américas).

Chávez combateu o analfabetismo, a fome e a miséria, possibilitou a construção de milhares de casas populares e, para garantir a continuidade dessas vitórias, organizou o povo trabalhador com armas. Outra medida importante para a garantia do processo iniciado por Chávez, foi a união cívico-militar, criando milícias armadas e conquistando lealdade político-ideológica do exército.

Por esbarrar constantemente nos interesses dos imperialistas, a Venezuela bolivariana foi difamada e boicotada por seus antigos algozes. Os EUA tentaram algumas vezes golpear o país soberano financiando uma série de opositores vende-pátria, alegando, como sempre, que a Venezuela é uma ditadura. Assim foi a tentativa frustrada do golpe de Estado em 2002, onde o povo junto com o exército barrou o golpe.

Recentemente, com a baixa no valor do barril de petróleo, a Venezuela passa a ter uma arrecadação menor com a exportação do ativo. Logo, para pressionar o governo, a burguesia junto com a oposição e os EUA iniciam um processo de sabotagem à economia venezuelana, parecido com o acontecido no Chile de Allende, promovendo desabastecimento de alimentos e bens de necessidade básica.

A Venezuela hoje é o principal alvo na América Latina do imperialismo norte-americano, tanto por sua importância econômica, tendo a maior reserva de petróleo do mundo, quanto pela retomada da hegemonia no continente, visto que na Argentina, a direita neoliberal venceu as eleições e no Brasil foi orquestrado um golpe de Estado, sendo então a Venezuela um empecilho para os EUA. No jogo geopolítico estão as explicações para os ataques que a Venezuela vem sofrendo tanto na OEA ( Organização dos Estados Americanos), onde recentemente se retirou, quanto no Mercosul ( Mercado Comum do Sul).

Fontes:

http://exame.abril.com.br/mundo/maduro-acusa-eua-de-tentar-promover-golpe-na-venezuela/

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/03/fsuprema-corte-da-venezuela-assume-funcoes-do-congresso.html

http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2017-03/brasil-repudia-decisao-de-corte-venezuelana-que-retira-poderes-do

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2017/03/1870478-suprema-corte-da-venezuela-deixa-parlamentares-do-pais-sem-imunidade.shtml

https://www.diarioliberdade.org/america-latina/laboral-economia/53683-empresas-escondem-toneladas-de-alimentos-da-popula%C3%A7%C3%A3o-para-boicotar-o-governo-na-venezuela.html

http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2017/04/oea-retoma-reuniao-sobre-venezuela-apos-suspensao-da-bolivia-9763902.html

http://g1.globo.com/mundo/noticia/oea-ignora-bolivia-faz-reuniao-e-declara-alteracao-inconstitucional-na-venezuela.ghtml

http://g1.globo.com/mundo/noticia/oea-se-prepara-para-possivel-declaracao-de-ruptura-constitucional-na-venezuela.ghtml

http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2017-03/mercosul-convoca-reuniao-de-emergencia-para-discutir-situacao-da

http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2017/04/25/interna_internacional,864990/oea-tera-reuniao-emergencial-sobre-crise-na-venezuela-nesta-4-feira.shtml

http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39802863

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/37467/ha+10+anos+chavez+vencia+referendo+revogatorio+na+venezuela.shtml

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