Mortes por intervenção policial superam mortes por latrocínio

Segundo pesquisa divulgada pelo Ipea, o número de latrocínios (roubos seguidos por morte) no Brasil, em 2015, foram de 2.314 e de mortes por intervenção policial foram 3.320 casos.

Em números gerais, os estados onde a polícia mais matou foi em São Paulo (848 mortes), seguido do Rio de Janeiro (645 mortes) e Bahia (299).

Dos 3.320 assassinatos causados por policiais em 2015 no país inteiro, 53,5% foram em serviço (um total de 1.778 mortes); cerca de 13,7% fora do serviço (455 mortes); e as outras 1087 não foram especificadas no relatório do Ipea.

Perfil das vítimas

Segundo o Instituto de pesquisas econômicas aplicadas (Ipea), a população negra é a vítima prioritária da violência homicida no país, sendo o principal motivo o racismo. A taxa de homicídios contra brancos tende historicamente a cair, enquanto a um aumento vertiginoso do assassinato de negros. Segundo dados da CPI do Senado Federal sobre o Assassinato de jovens negros 2015, todo ano, 23.100 jovens negros de 15 a 29 anos são assassinados, são 63 por dia, um a cada 23 minutos, a partir de dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde. Segundo o Mapa da Violência, são contabilizados em 2012 cerca de 30 mil homicídios de jovens de 15 a 29 anos por ano no Brasil, e 77% são negros.

De acordo com o Mapa da Violência, a taxa de homicídios entre jovens negros é quase quatro vezes a verificada entre os brancos (36,9 a cada 100 mil habitantes, contra 9,6). Além disso, o fato de ser homem multiplica o risco de ser vítima de homicídio em quase 12 vezes. De 1980 a 2014, o número de mortes por arma de fogo no Brasil soma quase um milhão. Entre 1980 e 2014 morreram 967.851 pessoas vítimas de disparo de arma de fogo, sendo 85,8% por homicídio. Entre 1980 e 2014 os homicídios cresceram 592,8%. A CPI também destaca a responsabilidade do Estado Brasileiro.

O relatório também cita uma pesquisa do sociólogo e professor da UFRJ Michel Misse realizada em 2005, no Rio de Janeiro, indicando que, entre os inquéritos de autos de resistência, 99,2% foram arquivados ou nunca chegaram à fase de denúncia.

Brasil foi condenado Internacionalmente

A pesquisa cita a condenação do Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), em relação às chacinas na favela do Alemão em 1994 e 1995, mas cujo resultado só saiu em fevereiro deste do ano de 2017.

O país será obrigado a publicar um relatório sobre as mortes causadas por policiais em todos os estados. Além disso, terá um ano para garantir que esses casos sejam investigados por um órgão independente da força pública envolvida.