Avaliação da Greve Geral do Dia 30/06

As Centrais Sindicais convocaram a Greve geral do dia 30 de junho entorno da resistência da classe trabalhadora contra a reforma trabalhista, a reforma previdenciária e a terceirização. Em importantes estados da federação várias categorias aderiram à greve geral, logo no início da manhã ocorreram piquetes nos locais de trabalho e bloqueios em avenidas e rodovias e as manifestações de rua foram massivas por todo país. A greve geral foi capaz de manter a mobilização contra a retirada de direitos que se intensifica em razão do Golpe de Estado. Avaliamos, dois pontos decisivos que tornaram a Greve geral do dia 30 de junho em menor escala se comparada com a última greve geral do dia 28 de abril. Tal situação foi fruto do próprio recuo das centrais sindicais que no primeiro momento, logo após a greve do dia 28/04, haviam anunciado que a próxima greve, seria uma greve de 48 horas, que não aconteceu. Além disso, a greve convocada para sexta-feira, no meio de feriados regionais no nordeste, com baixa mobilização de base, como reduzida convocação de assembleias e a insuficiente construção de comitês de greve.

1. O papel das centrais patronais (Força Sindical, UGT, NCST, e CSB) foi decisivo para enfraquecer o movimento grevista, os golpistas sabotaram a mobilização para a greve geral (ler nota de denúncia). No Fórum das Centrais Sindicais, as direções nacionais estavam dispostas em convocar uma greve geral de 48h, contudo, para manter a unidade com a Força Sindical, que em certa medida dirige alguns sindicatos importantes no ramo dos transportes (sobretudo em sp) mantiveram o movimento de 24 horas. O boicote da Força sindical e das demais centrais patronais foi visível. Na véspera da greve, Paulinho da Força que faz parte da base de sustentação do golpe e do governo golpista Temer, foi em diversas assembleias de categorias para impedir que a greve fosse decretada, além de indicar o secretário para ministério do trabalho. Em São Paulo, a UGT impediu que a greve nos transporte fosse deflagrada. Considerando todo este boicote à greve, a unidade com estes setores golpistas somente levará o movimento sindical a acumular derrotas.

Força Sindical, UGT, NCST, e CSB em ato pelo Golpe

2. O judiciário golpista influenciou na desmobilização, através de liminar provisória, ou seja em face a postura reacionária dos Juízes, determinou multas milionárias aos sindicatos por aderirem a greve, também impuseram sanções e ameaças de demissões que foram capazes de intimidar na base e culminaram no enfraquecimento do movimento para a Greve Geral.

No ponto de vista político, houve uma subordinação da greve geral de sua luta contra a agenda de austeridade do golpe, a pauta das “diretas já” em larga medida secundarizando até mesmo a pauta das reformas . É notório que as diretas já, até o momento não ganhou força nem características de uma campanha que consiga envolver o povo brasileiro em uma luta.

A próxima greve geral está prevista. Precisamos deixar claro que a política central é a luta contra o golpe e suas reformas. Não é possível impor uma derrota ao movimento golpista lutando, apenas, contra uma ou outra medida do golpe. É necessário intensificar a mobilização e radicalizar-la para que o movimento sindical e popular consiga entrar em um momento de ofensiva que seja capaz de impor a derrubada do governo golpista e sua agenda regressiva.

Anúncios