Os porões da ditadura estão abertos: Generais defendem abertamente outro Golpe Militar

O Jornal Estado de São Paulo, jornal da família Mesquita, divulgou ontem, dia 05/10, uma nota intitulada “Intervenção, legalidade, legitimidade e estabilidade”. O Jornal usou a voz do General da Reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva para dizer o que realmente pensa. Sem realizar abstrações e relativismos, o Estadão deixa claro seu apoio ao Golpe Militar.

No Editorial publicado também na última quinta-feira dia 05, o Estadão justifica o espaço dado ao militar com o argumento de que o texto serve como “ilustração do pensamento” que tem o potencial de prosperar dentro das Forças Armadas e também entre os cidadãos “desencantados com os políticos”.

Nas últimas semanas acompanhamos as declarações golpistas dos Generais Mourão, Heleno, Leal Pujo entre outros. Desde 2016, quando as manifestações dos “batedores de panela” se dispersaram, formaram-se milhares de grupos que lutam pela “intervenção militar”. Por isso, não são posições isoladas de “meia duzia” de fascistas, mas sim um movimento golpista dentro das Forças Armadas e que conta com o apoio de setores empresariais e políticos que derrubaram o Governo Dilma no ano passado.

A nota diz:

“A intervenção militar será legítima e justificável, mesmo sem amparo legal, caso o agravamento da crise política, econômica, social e moral resulte na falência dos Poderes da União”

Assim como em 1964, a direita utiliza justificativa moral do combate a corrupção para fundamentar um golpe. A corrupção é um pretexto fraudulento utilizado pela classe dominante que afirma que o maior problema do Brasil é a corrupção. Em dados oficiais, a corrupção desviou até 2015 40 bilhões de reais; enquanto se registram desvios gigantescos em evasão de divisas – apenas em 2011, o Brasil perdeu 490 bilhões de reais; na sonegação de Impostos, em 2014, registrou 501 bilhões de reais; em 2016, as empresas privadas sonegaram quase 1 trilhão de reais, entre 2015, até 31/dez de 2016, o pagamento do juros da Dívida, consumiu R$ 962 bilhões correspondente à 42% do gasto federal! Isso deixa evidente que o debate da corrupção é apenas um pretexto moralista, para escamotear os graves problemas no Brasil.

“A sociedade e as instituições confiáveis precisam tomar atitudes resolutas para se livrarem das lideranças corruptas(…), pois tolerância tem limite.”

O General faz uma convocação aos seguidores do golpe militar e deixa claro que o objetivo é fazer perseguições politicas, principalmente caçar o Partido dos Trabalhadores e o Ex-Presidente Lula, falsamente acusado de “líder máximo da corrupção” pelos procuradores de Curitiba.

O panfleto do Golpe continua:

“Em tal quadro de anomia, as Forças Armadas tomarão a iniciativa para recuperar a estabilidade no País, neutralizando forças adversas, pacificando a sociedade, assegurando a sobrevivência da Nação, preservando a democracia e restabelecendo a autoridade do Estado após livrá-lo das lideranças deletérias.

A democracia não pode ser garantida por aqueles que impunham armas contra ela. O mito dos militares como salvadores da democracia é velho. Em 1964 os militares disseram que derrubariam o Presidente João Goulart e entregariam o poder em 1965 em eleições livres, isso não aconteceu, as eleições de 1965 foram canceladas e permaneceram 21 anos no poder.

“Na verdade, só o STF e a sociedade conseguirão deter o agravamento da crise atual, que, em médio prazo, poderá levar as Forças Armadas a tomarem atitudes indesejadas, mas pleiteadas por significativa parcela da população.”

Os militares não representam solução de crise alguma, pelo contrário, o projeto dos Generais golpistas é subordinado aos interesses dos bancos e das empresas estrangeiras. Esses militares não tem qualquer compromisso com o Brasil e o povo. O pensamento deles é nitidamente neoliberal, basta escutar a palestra do General Mourão que defende a venda da Amazônia Brasileira e privatizar as empresas públicas e riquezas nacionais.

Partirá unicamente da classe trabalhadora organizada, consciente e mobilizada a resposta para solução da crise. Somente a luta pela derrubada do golpe, a anulação de todas suas medidas anti-povo e lesa-pátria podem afastar a ameaça de golpe militar e restabelecer a democracia.

Nota do general:

http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,intervencao-legalidade-legitimidade-e-estabilidade,70002027984