Em 2016, número de assassinatos no Brasil chegou a 61 mil. Maioria dos mortos são jovens negros e pobres.

Na última segunda-feira (dia 30/10), o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou relatório que afirma um total de 61.619 pessoas assassinadas no Brasil. Correspondendo 7 pessoas assassinadas por hora. Um crescimento de 3,8% em comparação ao ano passado. Assim, o Brasil bate um record histórico na taxa de homicídios. No estado do Rio de Janeiro ocorreram 6.262 assassinatos. Em todo o Brasil, de acordo com as estatísticas, 65,1% dos assassinatos são contra pessoas negras. Sendo os jovens negros, homens, com baixa escolaridade as maiores vítimas da violência. Contrariando a propaganda da extrema-direita golpista que quer armar (ainda mais) os brancos ricos do país usando o pretexto da violência.

Tais dados são muito superiores as estatísticas de mortos em conflitos em todo o planeta. Em apenas três semanas de 2017, o total de assassinatos no Brasil supera o número de mortes em decorrência de todos os ataques terroristas no mundo nos primeiros cinco meses deste ano. Até o momento, foram registrados 469 grandes ataques terroristas em 28 países distintos, causando 5.650 mortos e 9,480 feridos.

No período avaliado, o número de homicídios contra brancos caiu de 20,6 para 15,5 vítimas para cada 100.000 habitantes – queda de 24,8%. Entre os negros, o índice aumentou 5,6%, de 34,1 para 36 mortos para cada 100.000 brasileiros.

os assassinados decorrente de operações policiais, a chamada letalidade policial, cresceram 25,8%. Representando 4.224 pessoas assassinadas pelas forças policiais. Quase a totalidade das vítimas são homens (99,3%), jovens (81,8%), tem entre 12 e 29 anos e negros (76,2%).

Carro alvejado por dezenas de tiros partiu de policiais militares envolvidos no assassinato de cinco jovens em Costa Barros, na zona norte do Rio (2015).

O relatório de Segurança Pública também trouxe os dados de desaparecidos no Brasil. Só no ano passado, 71.796 desaparecimentos foram registrados. Segundo dados da pesquisa, o principal perfil da vítima de desaparecimento é de adolescentes, homens, negros e de periferia, o que coincide com o perfil da vítima de homicídio.

Os dados não deixam dúvida que o Brasil vive um genocídio negro. Ano após ano batem-se recordes de homicídios e a resposta do Estado continua sendo recorrer a mais polícia, contudo, a realidade prova que essa política é completamente errada. A questão social que desdobra na violência deve ser encarada com investimentos na juventude e na adoção de políticas que visem eliminar as grotescas desigualdade sociais existentes no nosso país. O tema deve ser assumido como prioridade nacional.

Desda abolição formal da escravatura, em 1888, os negros brasileiros tem sido renegados aos direitos sociais mais elementares, foram empurrados para as periferias pobres, socialmente mais vulnerável, jovens negros têm maior possibilidade de se envolver com a criminalidade. Cerca de 65% da população carcerária brasileira é negra.

O ranço escravocrata que permeia a estrutura econômica, política, social e cultural deve ser combatido por todos verdadeiros patriotas, progressistas e revolucionários brasileiros. O extermínio sistematizado de jovens negros deve ser denunciado exaustivamente através de campanhas de mobilização popular dentro e fora do Brasil.

Os negros e pobres desse país, morrem não só na mão da polícia, milícias e organizações criminosas, mas também pelo racismo institucionalizado, que através de diversas medidas, e aprofundadas pelas políticas anti-povo do golpe (tal como apela PEC 55 que congela por 20 anos os recursos para saúde e educação), exclui a população negra do acesso à saúde de qualidade, a falta de educação e investimento em emprego e moradia.

Fonte

http://www.forumseguranca.org.br/atividades/anuario/

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