Desde 1965, com ajuda dos EUA Grupo Moreira Sales explora nióbio brasileiro, mas o deputado da extrema-direita culpa China

Não é de hoje que a extrema-direita utiliza da propaganda enganosa para promover golpes. Recentemente, em entrevista concedida a jornalista Mariana Godoy, o Deputado da extrema-direita Jair Bolsonaro afirmou que a China está comprando o Brasil. Desenhando uma realidade que não existe.

A cereja do bolo da bajulação do Império norte-americano pela extrema-direita, agora, é a adoção do discurso anti-China que foi explorado exaustivamente por Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Trump chegou a afirmar que: “o aquecimento global era um álibi criado pelos chineses para afetar a competitividade da indústria norte-americana”.

Aqui no Brasil, esse Deputado golpista não esconde que usará em 2018 as mesmas notícias falsas criadas na campanha do Trump. A base desse discurso é afastar o Brasil, membro dos BRICS, das relações com a China e realinhar o país a mero exportador matérias primas para os EUA, tendo em vista que na geopolítica mundial a China e a Rússia se contrapõem ao Imperialismo dos estadunidense.

Em 1988, ressentido pelo fim da Ditadura Militar, tal Deputado entreguista foi enviado para Reserva do Exército após elaborar um plano terrorista que visava explodir bombas em quarteis e na Adutora do Guandu (RJ). Em 1990, apesar de ser paulista, foi eleito Deputado Federal pelo Rio de Janeiro. Desde então, a postura de “vende-pátria” não é o único furo em seu discurso “pseudopatriótico”. Manteve um discurso de apologia a tortura e a Ditadura Militar que arrochou o salário do trabalhador e fez explodir as desigualdades sociais e a dívida externa.

Analisando o seu trabalho parlamentar, em 27 anos como Deputado, não possuí nenhum projeto de lei aprovado e todas suas propostas ficam restritas a pautas sobre porte de armas, questões corporativistas de militares e leis de recrudescimento penal.

Na última década o parlamentar entreguista abraçou o discurso neoliberal. Com o golpe a máscara de “pseudonacionalista” caiu. No parlamento votou à favor da reforma-trabalhista, da PEC 55 que congela os investimentos para saúde e educação por 20 anos e da entrega do Pré-Sal para Shell e Chevron. Sendo fiel defensor da venda das empresas nacionais para estrangeiros e da privatização da Amazônia. O entreguismo desse golpista é tão grande que afirma que a Amazônia não pertence mais ao Brasil. Dizendo que a campanha “Amazônia é Nossa!” levaria o país a perdê-la. Defendendo que o Governo Federal privatize e explore a Amazônia em conjunto com outra potência (leia-se os EUA).

Deputado saudando a bandeira do Império norte-americano (2017)

Produção nióbio brasileiro e alguns mitos

O Brasil é líder mundial na produção do nióbio. Mineral que é utilizado na siderurgia, na fabricação de dutos para passagem de petróleo e gás, em componentes de jatos e peças aeroespaciais e automóveis, em componentes eletrônicos de computadores e celulares, além de ser um metal utilizado na fabricação de jóias e até mesmo na medicina em operações de ressonâncias magnéticas.

O Brasil detêm 98% das reservas de nióbio conhecidas no mundo. Correspondendo 90% do volume do metal comercializado no planeta. As nossas reservas são da ordem de 842.460.000 toneladas e as maiores jazidas se encontram nos estados de Minas Gerais (75% do total), Amazonas (21%) e em Goiás (3%).

Ao contrário do que afirma o Deputado golpista, o nióbio não é o mineral mais valioso do planeta, atualmente o nióbio transformado em liga, está cotado no mercado em cerca de U$ 15 mil a tonelada.

Trata-se de um mineral de importância estratégica para o desenvolvimento nacional, mas propagandear que o nióbio é a salvação das contas públicas brasileiras é um enorme exagero. O nióbio não é insubstituível. Há ao menos três outros elementos que podem ser utilizados como alternativas, o vanádio, o tântalo e o titânio.

Utilizando-se de um velho mapa geológico elaborado pela Ditadura Militar em 1971, o deputado “lesa-pátria” tenta sustentar uma retórica que os chineses controlam as demarcações das terras indígenas e quilombolas para roubar nossos recursos minerais. Porém, analisando o Plano Nacional de Mineração do Ministério de Minas e Energia, constatamos que essa afirmação não passa de uma propaganda racista contra os povos indígenas e quilombolas brasileiros para privilegiar setores atrasados do agronegócio. A soberania nacional é a menor preocupação desse parlamentar. Por exemplo, jamais fez declaração contra à entrega da Base de Alcântara para os EUA. Ao contrário, da todo apoio à Lava-Jato que destruiu o programa nuclear brasileiro e prendeu o patriota Almirante Othon.

Desde 1965, através de projeto norte-americano o nióbio está nas mãos do Grupo Moreira Salles.

Durante a década 1950, os EUA perceberam que era necessário obter o controle aéreo e espacial para projetar seu poder contra outros países, pois possuir a Marinha e Exército poderosos não correspondiam as necessidades atuais do seu Imperialismo. Portanto, em 1960, o Almirante Radford elaborou a política “The New Look”, essencial para obter a supremacia aérea e espacial dos EUA.

Já na corrida espacial, os EUA precisavam manter fontes baratas e em grande quantidade de minérios para produzir seus caças, suas naves espaciais, satélites e demais equipamentos. Nesse sentido, em 1965, logo após dar o golpe militar no Brasil que derrubou o Governo Democrático de João Goulart, o Almirante Radford estabeleceu relações com o banqueiro Walther Moreira Salles e com apoio dos EUA iniciaram a exploração de minerais, fundando a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM). Dessa forma o plano The New Look adquiriu uma base fixa para importar nióbio barato.

Walther Moreira Salles em reunião com o presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, o general Figueiredo e empresários brasileiros.

Propaganda anti-China para esconder controle do Grupo Moreira Salles e NASA sobre o nióbio brasileiro

Toda a extração do nióbio brasileiro está concentrada nas mãos de duas empresas: Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração,controlada pelo grupo Moreira Salles proprietário do Itaú Unibanco e pela mineradora britânica Anglo American.

A CBMM é a empresa líder do mercado de nióbio, respondendo cerca de 80% da produção mundial. Em seguida, estão a canadense Iamgold, com participação de cerca de 10%, e a Anglo American, com 8%.

No ano 2008, o então Governador de Minas Gerais, Aécio Neves -aprovou, sem licitação a renovação do contrato de exploração da maior mina de nióbio em Araxá (MG), propriedade do Governo de MG, para CBMM por 30 anos. Nesse mesmo período o Unibanco havia comprado o Banco Bandeirantes do falecido Gilberto Faria casado com Inês Maria Neves de Faria, mãe do então governador Aécio Neves e acionista do grupo Moreira Sales.

Em 2010, o WikiLeaks divulgou o relatório do Departamento de Estado dos EUA elaborado em 2009 onde lista locais estratégicos para os EUA que incluem cabos submarinos e jazidas de nióbio e manganês no Brasil, “cuja perda poderia impactar criticamente a saúde pública, a segurança econômica e/ou a segurança interna dos EUA”, diz o relatório.

Em 2011, a família Moreira Salles, a família mais rica do país, dona de 100% do capital da CBMM, vendeu 15% de sua fatia para um “grupo de investidores” por R$ 2 bilhões. Tal grupo de investidores é um consórcio denominado Molycorp, subsidiária da “Union Oil” (que faz parte do grupo Chevron), que representam a Oxy (Occidental Petroleum), uma empresa com sede nos Estados Unidos, que opera no Oriente Médio, Norte da África e América do Sul. Uma outra fatia, também de 15%, está na mão do grupo Nippon Steel e JFE (mineradoras Japonesas), que são controladoras da Usiminas (estatal privatizada no governo Fernando Collor).

Em 2016, A China Molybdenum Company Limited companhia Chinesa comprou por U$ 1,7 bilhão uma mina e três plantas de processamento da britânica Anglo American. A mina de nióbio e fosfatos, em Catalão, Ouvidor (GO) e Cubatão (SP). A Cmoc tem seus principais clientes de nióbio a China, Índia e Europa.

Com os fatos listados, fica evidente que o mercado de nióbio é controlado pela CBMM e sempre favoreceu os EUA. O discurso anti-china é tática de ilusionismo para afirmar um falso patriotismo e esconder os verdadeiros problemas do país.

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ao-bate-a-porta/

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