Quais foram os resultados da operação militar do Exército dos EUA dentro da Amazônia Brasileira?

Entre os dias 06 e 13 de novembro, foi realizada operação militar inédita no Brasil, tratasse da Operação Amazonlog17, sediada na cidade de Tabatinga, localizada no estado do Amazonas. O exercício militar envolveu as Forças Armadas dos Estados Unidos, da Colômbia e do Peru, observadores militares do Reino Unido, Espanha, Canadá, França e empresas privadas nacionais e estrangeiras. Foi criada uma base militar multinacional temporária, onde foram realizadas ações de logística, treinamento de sobrevivência, simulação para desembarque de equipamentos militares e tropas na selva amazônica entre outras simulações.

A presença militar dos EUA foi criticada por setores nacionalistas e pela imprensa dos países vizinhos. A Amazônia possuí enormes quantidade riquezas naturais, minerais, água e biodiversidade cobiçadas em todo mundo, sendo assim, a presença militares norte-americana representa uma ameaça a soberania nacional do Brasil e todos países da região. Somando a este cenário, os EUA vem aplicando sanções e ações de desestabilização do Governo Venezuelano. O principal argumento da manobra militar foi o controle imigratório venezuelano, nesse sentido, a participação norte-americana aprofundar a crise no país vizinho.

Não há de fato nenhuma preocupação “humanitária” nas ações militares dos EUA. Cabe lembrar que ações militares dos EUA autodenominadas de ” humanitária”, levaram a apenas no último ano da administração Barack Obama (2016), a realizarem 26.171 bombardeios em sete países diferentes, causando a destruição dessas nações e levando o mundo a enfrentar a pior crise de refugiados da história.

Foto oficial do Evento “”Ações humanitárias””

A presença militar dos EUA no Brasil foi tratada pelo Alto Comando das Forças Armadas brasileiras como “questão técnica” e as preocupações nacionalistas foram desqualificadas e taxadas de “teoria da conspiração”.

Há o risco que a Amazonlog17 efetive os mesmos desdobramentos da Operação Militar Capable Logistician, promovida pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 2015, na Hungria, da qual o Exército Brasileiro participou como observador e que serviu de inspiração para Amazonlong17. No caso húngaro, foram firmados uma série de acordos na área militar que colocaram o país na tutela da OTAN, foi criado uma base militar permanente e instalado um sistema antiaéreo e antimísseis norte-americanos.

Nas palavras do General Villas Boas, um dos desdobramentos da Operação Amazonlog17 será a implementação de um novo Sistema Logístico Militar na Amazônia, constando uma nova cobertura antiaérea. Em fevereiro desse ano, o Governo golpista Temer havia recusado a compra dos Pantsir-S1 (sistema antiaéreo russo), iniciado em 2013 pelo Governo legitimo Dilma, optando por negociar com propostas da União Européia e Estados Unidos.

Carro antiaéreo Pantsir-S1, no pacote os russos fariam transferência de tecnologia, processo essencial para garantir autonomia militar brasileira.

Na última segunda-feira, dia 13 de novembro, o Ministro golpista da Defesa, Raul Jungmann, participou, em Washington, de uma reunião com o setor aeroespacial privado norte-americano no intuito de avançar na negociação dos acordos militares com os EUA. A reunião contou com a presença do subsecretário de Estado para Assuntos Políticos dos Estados Unidos, Thomas A. Shannon Jr e o vice presidente da CompTIA (Information Technology industry & Association) Liz Hyman, associação comercial que representa a indústria de tecnologia norte americana.

Na pauta dessas articulações, também está sendo debatida a criação de uma Autoridade Sul-americana de Segurança, que contaria com a presença de países membros da América Unida (Colômbia, Peru e Paraguai) e dos Estados Unidos, para supostamente lidar com a criminalidade, principalmente, na região da Amazônia.

No ano passado, após o golpe, foi realizado em Washington, o evento Diálogo da Indústria de Defesa Brasil e Estados Unidos. Durante o encontro foi assinada uma carta que afirmava a colaboração conjunta do comércio de defesa entre EUA e Brasil. Em outubro desse ano ocorreu o Segundo Diálogo da Indústria de Defesa EUA-Brasil (DID). Além da discussão na área de defesa, foram debatidas a certificação dos regulamentos dos produtos militares comercializados entre ambos os países.

O avião de combate C- 130 dos EUA foi utilizado na manobra dentro da Amazônia. Ele é usado nos combates onde os EUA estão envolvidos no Oriente Médio. Possuí grande poder de fogo.

Em 22 de março de 2017, o Departamento de Defesa dos EUA e o Ministério da Defesa do Brasil assinaram um acordo de troca de informações (MIEA), que prevê a expansão da colaboração de pesquisa e promove o desenvolvimento de novas tecnologias de defesa. A compra de equipamento militar norte-americano sem transferência de tecnologia possibilita o controle estrangeiro sobre nossa defesa.

No sentido de causar a completa dependência das Forças Armadas aos EUA, além de comprar as tecnologias obsoletas norte-americanas, o governo golpista vem aplicando uma série de cortes no já precário orçamento das forças armadas. Em 2017, o governo ilegítimo cortou 44% do orçamento da Defesa. Como acontecia durante o Governo FHC, diversos postos de guarda de fronteira foram fechados, equipamentos, aeronaves e navios permanecem parados por falta de reposição de peças, quarteis estão dispensando os regimentos antes do horário do almoço por falta de rancho e o Comando da Aeronáutica cogita cortar a sexta-feira do expediente para economizar recursos. Nesse sentido, as Forças Armadas vem sendo empregada em uma função que não faz parte da sua missão, pela qual passa a assumir papel na segurança pública e na repressão as revindicações populares (manifestação de 24 de março de 2017).

Exército foi usado para reprimir manifestação exigindo a revogação da lei de terceirização aprovada em março.

Desde a derrubada da Presidente legitima Dilma Rousseff, os EUA vem se aproveitando da subordinação do atual Governo golpista do Brasil para iniciar seu plano de ocupação militar da América do Sul. O Governo golpista é adepto ao Bretton Woods e ao Consenso de Washington, portanto possuí uma tendência de maior alinhamento da política de defesa e segurança do Brasil com a dos Estados Unidos em divergência com a perspectiva independente das nossas Forças Armadas, afastando nossa relação com os países da Unasul (União de Nações Sul-americanas) e os membros dos BRICS.

O Brasil necessita seguir um caminho independente para garantir sua Soberania Nacional. Fortalecer os laços comerciais entre os países vizinhos da América Latina e África, prioritariamente com os países da ALBA e Mercosul. A classe trabalhadora brasileira deve estar organizada com uma ação política consciente pela emancipação nacional, lutando para fortalecer a economia brasileira com justiça social, avançando na ciência e tecnologia, construindo uma educação de alta qualidade, além de manter e desenvolver forças armadas poderosas para defender o país e as riquezas nacionais. Dessa forma fortaleceremos o campo anti-imperialista internacional: só assim seremos, no turbulento mar da política mundial, capazes de defender nossos interesses nacionais e do povo trabalhador brasileiro.

Fontes:

http://www.operacional.pt/exercicio-capable-logistician-2015/

http://www.defesa.gov.br/noticias/36889-jungmann-tem-reuniao-com-setor-aeroespacial-privado-norte-americano

http://www.defesa.gov.br/noticias/36813-em-tabatinga-ministro-da-defesa-visita-exercicio-multinacional-amazonlog17

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/11/09/politica/1510250965_868739.html

https://jornalggn.com.br/noticia/sobre-o-sistema-de-defesa-aerea-brasileiro

http://www.forte.jor.br/artilharia/antiaerea/brasil-negocia-a-compra-de-sistema-antiaereo-da-russia/

https://br.sputniknews.com/defesa/201702037591830-brasil-sistema-antiaereo-russo-pantsir-s1-s300/

http://politica.estadao.com.br/blogs/coluna-do-estadao/brasil-desiste-de-comprar-armamento-russo/

http://internacional.estadao.com.br/blogs/gustavo-chacra/os-eua-com-obama-realizaram-26-171-bombardeios-em-2016/

https://www.aporrea.org/oposicion/a250809.html

https://jornalaguaverde.com.br/operacao-militar-brasil-eua-na-amazonia-tem-a-venezuela-como-alvo/

https://www.telesurtv.net/opinion/Mas-tropas-estadounidenses-en-America-Latina-senales-de-una-invasion-anunciada-20171020-0045.html

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