O Golpe vai aprofundar a desigualdade racial no Brasil.

Hoje, em tempos de Golpe de Estado, ler Florestan Fernandes é importante para entender os reais problemas do Brasil. Se analisarmos qualquer índice constatamos a institucionalização eterna do racismo no país: analfabetismo, desemprego, suicídio, assassinatos, presos, miseráveis entre outras mazelas da sociedade atingem fortemente os negros brasileiros. A origem dessa questão vem da própria formação das classe dominante brasileira, formada por descendentes de latifundiários senhores de escravos e dos traficantes de escravos. O escravismo secular herdado persiste desde a abolição dos escravos de 1888, que abandonou à própria sorte uma massa de trabalhadores, não resolvendo a concentração racial da riqueza e do poder no Brasil.

Tal projeto de poder da classe dominante, aprofunda o racismo no Brasil através do recente Golpe de Estado. Não bastando a herança do racismo institucional, vivemos hoje a constante perda dos direitos trabalhistas, políticos e sociais, o congelamento dos investimentos em saúde e educação que penalização em sua maioria os negros brasileiros, a intensificação da violência policial e do extermínio do povo negro entre outras medidas. Toda política do golpe vem no sentido de aprofundar as desigualdade social e o racismo, mesmo sendo os negros a maioria da população do país (54%), essa população é jogada para informalidade e para os trabalhos mais precários.

A Operação Golpista Lava Jato, responsável em grande medida pela destruição de setores importantes da indústria brasileira, principalmente no Rio de Janeiro, jogou milhares de negros no desemprego. Segundo dados oficiais, a participação de metalúrgicos negro são de com 53,0% na área de transportes, seguido pelo segmento Naval, com 52,3%. Na área da construção civil, duramente afetada pelas ações da Lava jato, o número de trabalhadores negros é ainda maior, 63,6% (Dieese).

Esses índices comprovam que a luta contra o golpe e em defesa da democracia é fundamental para o movimento racial. Nesse sentido, o sociólogo Florestan Fernandes afirmava: “A democracia só será uma realidade quando houver, de fato, igualdade racial no Brasil e o negro não sofrer nenhuma espécie de discriminação, de preconceito, de estigmatização e de segregação, seja em termos de classe, seja em termos de raça”. Essa frase está no livro Significado do Protesto Negro (Uma iniciativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST).

Florestan Fernandes ressaltava o grande potencial revolucionário da combinação das lutas de raça e de classes no Brasil. afirmando: “O negro vem a ser a pedra de toque da revolução democrática na sociedade brasileira”. Ou seja, a importância do povo brasileiro de despertar a consciência coletiva de que é preciso superar o racismo institucional. Outro ponto importante era combater a segmentação das lutas, já que a classe trabalhadora estará fadada a perder cada uma das batalhas travadas se forem lutadas separadamente (raciais, classistas, de mulheres, estudantis etc.) contra a ordem burguesa do capitalismo.

Outros grande brasileiro, o professor Darcy Ribeiro dizia: “Ou bem há democracia para todos, ou não há democracia para ninguém, porque à opressão do negro condenado à dignidade de lutador da liberdade corresponde o opróbio do branco posto no papel de opressor dentro de sua própria sociedade”. Promover as lutas raciais, não só no 20 de novembro, é uma tarefa de todos todos brasileiros que têm o compromisso com a construção de uma sociedade mais justa, democrática e igualitária.

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