Ação "humanitária" dos EUA na Líbia causa crise de refugiados, escravidão e miséria

Após 6 anos de guerra civil, iniciada através do movimento pró-imperialista chamado de “Primavera Árabe”, a Líbia não existe mais enquanto Estado Nação. Seu território foi dividido em diversos pedaços que são controlados por mais de 1 500 milícias distintas e organizações terroristas, tais como: o Estado Islâmico e Al-Qaeda, segundo relatório da ONU. Esses grupos terroristas e milícias mantêm o controle sob diversas cidades e instalações petrolíferas no país.

Existem dois governos no país, um com sede na cidade portuária de Tobruk e sob a tutela do militar Khalifa Hafter (antigo opositor do Presidente Muammar Al-Gaddafi, lutou ao lado dos EUA na guerra do Chade-Líbia, com apoio da CIA fundou a organização armada Frente Nacional para a Salvação da Líbia – FNSL, com a derrota norte-americana no Chade, exilou-se na Virginia/EUA onde morou até 2011), outro Governo com sede em Trípoli, reconhecido pela ONU, é dirigido por Fayez al-Sarraj. As duas forças políticas estão em guerra e não conseguem formar um governo único. De fato, ambos os governos não controla quaisquer forças militares, dependendo de diferentes milícias para garantir o controle territorial, a troco de pagamentos regulares. Em matéria publicada pelo jornal britânico The Guardian, afirma que o governo de Trípoli gaste 93% do orçamento em subsídios e salários, incluindo a entrega de verbas aos grupos armados.

O país está dominado por máfias dedicadas a todo tipo de contrabando, tráficos e crimes. Relatório da ONU sublinha que a generalidade das milícias continuam a cometer graves violações dos direitos do homem com total impunidade. Na última semana, foram divulgadas imagens aterradoras do mercado de escravos na Líbia. Os acordos de migração da União Europeia conteve o fluxo no Mediterrâneo e milhares de africanos ficam retidos na Líbia, onde são transformados em escravos, tudo com completa conivência das autoridades do país.

A Líbia antes da guerra possuía o melhor IDH da África. A taxa de crescimento da Líbia entre 2005 à 2010 foi de 6,5%, enquanto no ano de 2016 chegou a 1%. O PIB a Líbia caiu de US$ 73 bilhões em 2010 para US$ 33 bilhões em 2016. Os bombardeios da OTAN causaram 14 bilhões em prejuízos contra infraestrutura do país. No ano de 2016, 100 mil líbios fugiram do país, nisso cerca de 4 500 refugiados líbios se afogaram na travessia do Mar Mediterrâneo. Mais de 435 mil pessoas tiveram que sair de suas casas e fugir para outras partes do país, vivendo em condições desumanas em acampamentos e favelas. 44% dos hospitais líbios se encontram fora de operações desde 2011. Cerca de 279 mil estudantes líbios não tem a possibilidade de ir à escola e 558 escolas permanecem fechadas.

O conflito na Líbia se origina de duas questões principais, a mais evidente são as volumosas reservas de petróleo que o país possuí. Em 2010, a extração de petróleo chegou a 1,6 milhões de barris por dia.

Outra questão surgiu através da reforma da moeda e a proposta de criação do Banco da África. O presidente Gaddafi propôs introduzir o Dinar de Ouro como a única moeda africana feita de ouro. Nos anos de 1996 e de 2000, houveram duas conferências sobre o tema, chamadas de conferências “World Mathaba”, organizadas diretamente por Gaddafi. A maioria dos países da África e Muçulmanos almejavam realizar essa reforma na moeda.

Meses antes da intervenção da OTAN, Gaddafi convidou as nações africanas e muçulmanas para se unirem e criarem uma nova moeda que iria rivalizar com o dólar e o euro. A ideia era vender petróleo e outros recursos em todo o mundo apenas em troca de Dinares de Ouro. Uma proposta que iria mudar o equilíbrio econômico do mundo, pois a riqueza do país dependeria de quanto ouro ele possui. A Líbia tem cerca de 144 toneladas de ouro. Por sua vez, o Reino Unido possuí o dobro de ouro, mas dez vezes mais de população. No caso dos Estados Unidos, durante a crise de 2007, o Tesouro Nacional afirmou que a reserva Federal não possui ouro próprio desde 1934. Tal articulação foi muito criticada pelo sistema financeiro que domina o Banco Mundial e FMI, essas foram as verdadeiras razões para o “bombardeiro humanitário” da OTAN na Líbia. O resto é propaganda da mídia internacional que não passa de roteiro malfeito de filme hollywoodiano.

Hoje, o Imperialismo norte-americano se prepara para realizar mais guerras no mundo. Dessa vez tendo como alvo o Irã, Coreia do Norte e Venezuela. A velha desculpa de “ajuda humanitária” surge novamente para esconder os reais interesses econômicos e políticos do imperialismo norte-americano, os resultados podem ser piores que os provocados na Líbia.

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