Reforma da Previdência legaliza o calote de 1 trilhão das empresas e acaba com o direito à aposentadoria

O Golpe Estado, que derrubou a presidente Dilma, está sendo seguido por muitos ataques contra os trabalhadores mais pobres. O Governo golpista conseguiu acabar com conquistas de quase um século, extinguiu à CLT, e agora quer pôr fim ao direito da aposentadoria através da reforma da previdência. Os golpistas estão empenhados à impôr, goela abaixo da sociedade brasileira, um desmonte da previdência social.

No Brasil a dívida total de FGTS e INSS de empresas chega a R$ 1 Trilhão (cerca de 1/6 do nosso PIB), com a reforma, instaura o modelo informal ao qual não se arrecada com o FGTS e INSS e legaliza o calote das empresas em nosso país, pois quanto menor a arrecadação do INSS mais prejudicada ficará nossa previdência e nosso direito a se aposentar de maneira digna. A intenção de um governo golpista em criar uma estrutura onde os trabalhadores de muitos setores, que terão que trabalhar mais tempo, provavelmente não terão condições físicas de fazê-lo. Será impossível para trabalhadores da mineração, da construção civil, motoboys, entregadores e outros trabalhar em seus setores, nas condições físicas exigidas por esses trabalhos, até 75 anos. Enfim, o primeiro diz respeito às condições físicas dos trabalhadores que ficarem em suas funções. A segunda é que quanto mais trabalhadores e por mais tempo ficarem no mercado de trabalho, mais esse mercado ficará estreito para os mais jovens, que Já têm hoje problemas para ingressar no primeiro emprego. Isso vai gerar disputas inter-trabalhadores e inter-gerações por empregos, o que é o pior dos mundos. A única explicação possível é tornar o trabalhador brasileiro em um escravo moderno a serviço do mercado.

A CPI da Previdência realizada no Senado Federal provou que o rombo na seguridade social não existe. Em 2012, por exemplo, ela apresentou saldo positivo de R$ 78,1 bilhões. Na realidade a previdência apresenta três problemas que não serão modificados pela proposta do governo, pelo contrário, irão se aprofundar.

1) Só no ano de 2015, a DRU (Desvinculação da Receita da União), um nome bonito para explicar desvio de recursos públicos para pagar juros da dívida para os bancos, retirou da Previdência R$ 60 bilhões! O acumulado, só para o período 2005- 2012, totaliza mais de R$ 286 bilhões! (ANFIP, 2013). No ano de 2016, a Câmara estendeu tal desvinculação a diversas receitas de estados e municípios, e com o aumento do percentual de 20% para 30% na desvinculação, esse saque pode chegar a R$ 120 bilhões anuais!

2) Até 2017, os grandes empresários deram calote de mais de 1 trilhão de reais no INSS. (Auditoria cidadã da dívida pública)

3) 60% de todos os recursos da Previdência Social são destinados para pagar 20% dos aposentados: são salários de juízes, desembargadores, procuradores, senadores, deputados e ministros aposentados. Por exemplo, no Espírito Santo, juízes aposentados chegam a receber 184 mil reais de salário. Enquanto isso, 40% dos recursos são para pagar 80% dos aposentados que ganham entre 1 à 3 salários mínimos.

A única resposta possível contra esse ataque aos nossos direitos adquiridos com tanto suor e sangue, após tantas lutas com a greve geral de 1917 que se transformou na CLT no Governo Vargas, só poderá ser novamente construída com a organização de nós trabalhadores em lutas e greves gerais, passando pelo fim da burocratização do direito a greve. Este governo golpista só entende a conversa por meio da força, por tanto precisamos mostrar que se nomos nós que produzimos toda riqueza nesse país, somos nós que efetivamente devemos ter o direito as riquezas obtidas por nosso trabalho.

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