E se fosse na Venezuela? Em Honduras, eleição é fraudada e Exército reprime trabalhadores

No domingo, dia 26 de novembro, foi realizada eleições presidenciais em Honduras, o atual presidente de Honduras Juan Orlando Hernández se candidatou à reeleição mesmo sendo expressamente proibido pela constituição do país. Em uma apuração eleitoral que levou longos 8 dias, ocorreu uma mudança radical dos resultados logo após um misterioso apagão no sistema de contagem de votos, fato que levou à suspeita de fraude eleitoral.

Em resposta à fraude eleitoral o povo de Honduras ocupou as ruas para exigir o respeito à democracia e ao voto popular, mas a resposta do governo foi o envio do Exército para reprimir as manifestações, com o saldo de 5 mortos centenas de desaparecidos, feridos e presos. O governo decretou toque de recolher e suspendeu as garantias constitucionais alguns dias depois da eleição.

Todos esses acontecimentos estão encobertos pelo silêncio da imprensa burguesa internacional, apresentando a questão como mero caso de desordem pública e policial. Na América Latina, governos serviçais ao imperialismo norte-americano, tais como: Brasil, Argentina, Colômbia, Peru e México, que estão sempre em alerta para denunciar, boicotar e aplicar sanções politicas e econômicas contra a Venezuela, dessa vez ficaram calados com relação aos graves fatos que estão sucedendo em Honduras.

O presidente da Bolívia Evo Morales perguntou: “Uma semana depois das eleições em Honduras, porque EUA e OEA mantem o silêncio cúmplice sobre as eleições em Honduras e a morte de cidadãos? A democracia está em perigo no país irmão.”

A imprensa capitalista mundial, sempre em prontidão para propagandear boatos, notícias falsas, ridículas e irrelevantes, por exemplo: a suposta falta de papel higiênico na Venezuela ou falsa lei de Kim Jong Un que padroniza os cortes de cabelo na Coreia do Norte ganham destaque excessivo, enquanto fatos graves e verdadeiros simplesmente não são noticiados.

O cinismo e “indignação” seletiva da imprensa internacional com relação a violação da democracia e os direitos humanos comprova a total falácia da “campanha humanitária” promovida pelos EUA. Na realidade, são justamente os EUA os maiores violadores da democracia e dos direitos humanitários no mundo. Basta lembrar a grande lista de países invadidos por eles nos últimos anos. De fato, em última instância, Washington é o maior autor intelectual e material do golpe em Honduras. Foi através do golpe militar, onde o Presidente Manuel Zelaya foi derrubado em 2009, que o país entrou em uma crise política, social e econômica que jamais saiu.

UM ALERTA PARA O BRASIL E TODA AMÉRICA LATINA – FRAUDE ELEITORAL E GOLPES MILITARES

Longe de ser um caso isolado, com os acontecimentos em Honduras constata-se uma modificação na orientação da política do imperialismo dos EUA e das classes dominantes da América Latina para lidar com as questões sociais, política, nacionais e democráticas na região. Estão conectadas com as históricas tradições golpistas e autoritárias das classes dominantes locais, indicando uma tendência geral para as próximas décadas. Em outro ponto, quando a burguesia se sentiu ameaçada de perder as eleições não vacilou em fraudar o processo eleitoral. Isso dá um alerta para os setores de esquerda no Brasil que estão apostando todas as fichas nas eleições sem enfrentar o golpe, esquecendo as condições antidemocráticas impostas pelo golpe e a importância da organização e da mobilização popular para sustentar um governo progressista, democrático e nacionalista.

A crise em Honduras também mostra o alto nível de comprometimento dos oficiais das Forças Armadas na América Latina com os interesses das classes dominantes locais e do imperialismo. São militares entreguistas e antidemocráticos que usurpam o poder apenas para benefícios próprios. Desmascarando assim os propagandistas do golpe militar no Brasil que apontam os generais como solução da crise política e econômica.

O golpe em Honduras retorna a política de violação dos direitos humanos, dos ataques contra os direitos populares, a entrega do patrimônio nacional para as empresas estrangeiras e o fim das garantias democráticas, com o estabelecimento de regimes de fachada institucional, mas totalmente autoritários, reacionários e punitivistas. Abrindo um quadro perigoso para o ressurgimento do fascismo continente.

Abaixo ao golpismo e imperialismo na América Latina!

Solidariedade ao povo hondurenho!

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