Venda da Embraer para norte-americana Boeing: O desmantelamento da indústria nacional continua!

O Golpe segue em curso, e com um dos seus principais objetivos: o desmantelamento da indústria nacional! A midiática Operação Lava Jato, comprometida com interesses estrangeiros, vem nos últimos tempos paralisando em sequência diversos setores da indústria nacional, causando, dentre outras coisas, o encerramento de diversos projetos na área de pesquisa e desenvolvimento (P&D).

Além do desmonte da indústria naval e petroquímica, o governo golpista cortou 40% do orçamento para FAB (Força Aérea Brasileira) o que atinge diretamente as pesquisas da instituição. Em 2010, o orçamento da INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) era de R$ 326 milhões, com o golpe, em 2017, o orçamento encolheu para R$ 108 milhões. Já o quadro de funcionários reduziu em 25%. Para 2018, a proposta do governo golpista é cortar mais 39% do orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, incluindo o INPE e a Agência Espacial Brasileira. Se soma nesse quadro a privatização dos satélites brasileiros, a entrega da Base de Alcântara e o boicote ao projeto de dos caças Gripen (em anexo)

Estimulada por interesses oligopolísticos do imperialismo estadunidense, a bola da vez é a Embraer. Hoje a empresa é a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, ficando atrás apenas da Boeing e da Airbus, representando fatia importante das exportações do país, ou seja, essencial para nossa balança comercial, e polo tecnológico determinante para a competitividade da indústria nacional. Especializada tanto na aviação executiva com a família Legacy 450/500/650 e uma das líderes mundiais de jatos regionais com a família E-175/190/195.

Se, por exemplo, entrarmos no site/aplicativo Flightradar24, que monitora em tempo real os voos de todo o mundo, é fácil encontrar os aviões da Embraer voando pela Europa, realizando tanto rotas domésticas quanto rotas internacionais pelos países do velho continente, assim como nos EUA. As maiores empresas do setor aéreo do mundo utilizam os E-Jets da empresa brasileira, dentre elas temos, só para citar algumas mais famosas, a American Airlines, a British Airways e a Lufthansa (alemã). Além disso, a Embraer representa um patrimônio não só de capital, mas também intelectual. Com seus cerca de 19.373 funcionários, reúne parte dos melhores pesquisadores do país, representando um dos setores de tecnologia mais avançada da nossa indústria, diretamente vinculada com o setor de Defesa nacional, e portanto, estratégica para nossa soberania!

Como não poderia deixar de ser, isso atiça a ganância do capital e dos fundos de investimento estrangeiros e desperta a atenção de suas principais concorrentes. Os produtos da Embraer, que já eram competitivos, evoluíram consideravelmente nos últimos tempos, e em muitos casos angariando nichos de mercado que antes eram dominados por outras empresas. A Boeing, uma das concorrentes da empresa brasileira, tenta a sua cartada para pôr os nossos projetos debaixo de suas asas, literalmente! Se quisesse, a Boeing poderia sim investir nos nichos de mercado conquistados pela Embraer, porém, isso demandaria tempo e mais dinheiro, sendo portanto mais cômodo adquirir, através da fusão, todo o capital já existente para atuar num mercado que não é sua prioridade. Nesse sentido, muitos citam a fusão ocorrida entre a Bombardier (canadense) com a Airbus (um conglomerado europeu), mas a verdade é que, neste caso, canadenses e europeus não concorrem entre si. Ao contrário, possuem objetivos de mercado bastante diferentes, e se uniram para fazer frente à poderosa Boeing, que verdade seja dita, lançou nos últimos anos projetos excepcionais na área da aviação comercial na forma do seu 787 Dreamliner.

Portanto, fica claro que a Boeing quer a Embraer pois a empresa brasileira vem crescendo em áreas sensíveis da tecnologia aeronáutica que antes a mesma não dominava. Como exemplo podemos citar o fly-by-wire, que antes era importado e integrado aos seus aviões, e hoje nós pensamos, desenvolvemos e produzimos um fly-by-wire nacional! Temos também a estrutura das asas da nova família dos seus jatos regionais E2, permitindo assim voos mais longos, capacidade de carga maior com menos combustível que os primeiros E-Jets 175/190/195.

Sem falar que a parte voltada à defesa da Embraer teve as suas vendas aumentas em 2017. Nunca antes se vendeu tanto nessa área, e os próximos anos prometem com a entrada do cargueiro militar KC-390 que já foi vendido a um país da OTAN para substituir um cargueiro militar americano, existindo ótimas oportunidades de venda para outros países do pacto do Atlântico Norte. Temos ainda o A-29 Super Tucano, um avião militar de ataque leve e de apoio aéreo aproximado a tropas no campo de batalha que vem sendo usado no Afeganistão e Iraque, rasgando elogios por parte dos pilotos americanos, considerado como a melhor plataforma do mundo no seu segmento. O A-29 concorre hoje no programa OA-X da força aérea americana que visa substituir o A-10 Thunderbolt II, este já com idade avançada e com problemas de peça de reposição. Nessa concorrência o nosso A-29 é favorito frente a dois concorrentes americanos! Isso incomoda muito aqueles que querem que esse país seja um eterno exportador de commodities.

O que a Boeing quer fazer agora é similar ao que a Microsoft fez anos atrás e ao que o Facebook vem fazendo, comprar toda e qualquer empresa concorrente para dominar o mercado de atuação. Isso nos remete a própria lógica da dinâmica de acumulação identificado já em meados do século XIX por Marx, onde o livre mercado e a concorrência têm por característica inerente a formação de monopólios através da concentração e centralização dos capitais. E como nos mostrou o camarada Lênin, o capitalismo monopolista, vinculado aos estados nacionais, produzem o Imperialismo, ou seja, a subjugação das nações da periferia econômica aos interesses dos países centrais do capitalismo, que tem nos seus grandes grupos econômicos e empresas transnacionais um braço importantíssimo para colocar essa política em prática.

A fim de facilitar esse processo por aqui, a Lava Jato vem permitindo, desde o início de 2017, que o departamento de estado norte-americano investigue a Embraer, tendo acesso a todas as informações da empresa, inclusive as sigilosas, e isso tudo se utilizando do pretexto de um suposto combate à corrupção – como se eles estivessem mesmo muito preocupados com isso e como se a corrupção não fosse um modus operandi da própria dinâmica de acumulação dos grandes monopólios.

Essa notícia, portanto, só vem coroar todo esse processo, é só mais um indício de que esse golpe tem como objetivo maior acabar com o pouco de soberania que nos restava, entregando nossas riquezas, como já fizeram com o pré-sal, como estão querendo fazer com as terras nacionais.

Cabe nesse momento, por parte de nós brasileiros, comprometidos com a causa da soberania nacional e o desenvolvimento social e econômico do nosso país, manifestar nosso descontentamento com mais esse ultraje promovido pelo governo golpista, com participação direta da famigerada Operação Lava Jato.

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