Com golpe salário mínimo será o menor em 24 anos. O Brasil tem o 3° pior salário da América Latina

Nessa última sexta-feira, dia 29 de dezembro, o presidente golpista Michel Temer, assinou decreto que estabelece o valor de R$ 954 para o salário mínimo. A medida começa a valer a partir do dia 1° de janeiro de 2018. O reajuste insignificante de R$ 17 é o menor em 24 anos.

O ministro golpista do planejamento Dyogo Oliveira declarou: “O governo não podia dar um reajuste maior. Não tem nenhuma decisão que o governo possa tomar diferente dessa (do valor de R$ 954 proposto para 2018). Não é uma alternativa. No fundo, é uma notícia boa, que a inflação foi baixa”.

No ano de 2017, os trabalhadores brasileiros amargaram o aprofundamento da crise e do aumento do custo de vida. Por exemplo, o botijão de gás acumulou reajuste de 47,6%, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a energia elétrica teve um aumento de 42,8% (de R$ 5 a cada 100 kWh consumidos, anteriormente o valor era de R$ 3,50), no Rio de Janeiro o reajuste chegou aos 55%. Também houve alta no preço da cesta básica nas principais regiões do país. Medicamentos e transportes também ficaram mais caros. De acordo com estimativa do DIEESE, o salário mínimo necessário deveria ser de R$ 3.731,39 para a compra da cesta e para as despesas essenciais de uma família de quatro pessoas.

O trabalhador brasileiro ganha o 3° menor salário mínimo da América Latina, ficando na frente apenas do México e da Nicarágua. Na Argentina o salário é US$ 602,40, Chile US$ 607, Paraguai US$ 410,30, Bolívia US$ 287 e Peru US$ 250. O trabalhador brasileiro já ganha menos do que um trabalhador chinês, segundo estudos.

Com a Reforma Trabalhista em vigor, que estabelece o trabalho intermitente e demais medidas de retirada de direitos, o salário ficará ainda menor. Mesmo sabendo que metade da força de trabalho no país recebe menos que o salário mínimo, a política econômica do golpe é de arrocho salarial. De acordo com índices oficiais, no Brasil, já são 12,6 milhões desempregados.

O governo golpista tenta justificar o reajuste pífio de R$ 17 supostamente para economizar R$ 3,3 bilhões ano que vem. Porém, a dívida pública chegou em 3,43 trilhões! Segundo o próprio Fundo Monetário Internacional (FMI), o gasto do Brasil com pagamento dos juros da dívida pública é o 3º maior do mundo! Enquanto o trabalhador amarga com perdas de direitos, a farra dos banqueiros e grandes burgueses não param por ai. Por exemplo, a sonegação das empresas ao INSS chegou em R$ 1 trilhão em 2016 e o Brasil perdeu R$ 339 bilhões em evasão de divisas.

São os trabalhadores e suas organizações de classe os detentores da única força social capaz de derrotar a agenda antipopular, antidemocrática e antinacional do golpe. Contudo, constatamos que a mobilização do movimento sindical e popular está abaixo dos desafios colocados. O alto grau de ataques requer centralidade na luta contra o golpe. Não é possível seguir fragmentando a luta e fazendo mobilizações reativas contra ataques parciais da agenda golpista. A política confusa que se expressa em uma luta meramente corporativista, o imobilismo e a mesquinhice devem ser combatidas afim de passarmos para a ofensiva contra o golpismo.

Anulação do golpe e referendo revogatório de todas as suas medidas!

Em defesa da soberania nacional, da democracia e dos direitos dos trabalhadores!

Abaixo o golpe e a Ditadura dos juízes!

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