Judiciário prepara repressão contra o movimento democrático no dia 24 de janeiro

O Brasil caminha a passos largos rumo à uma ditadura aberta. Dessa vez, os golpistas ameaçam o direito constitucional da população de se manifestar. Em Brasilia, durante a manhã da última segunda-feira (15), a presidente do Supremo Tribunal Federal, Carmen Lúcia, se reuniu com o presidente do Tribunal Regional Federal da 4° Região, Thompson Flores (o mesmo desembargador que chamou a sentença fraudulenta de Sergio Moro de irretocável e disse ser fascinado por provas indiciárias), para receber denúncia de supostas ameaças contra desembargadores e debater os preparativos da repressão policial no julgamento do Ex-Presidente Lula, marcado para o próximo dia 24 de janeiro.

Nesse sentido, o Presidente da Associação dos Juízes Federais, Roberto Veloso, afirmou que a ocupação e a pressão contra os desembargadores “transbordam o direito à manifestação”. Trata-se de uma ação autoritária para deslegitimar, enquadrar e relativizar o direito de livre manifestação do povo brasileiro, que está revoltado com o golpe que ataca todos os direitos sociais e democráticos da população, que entrega o patrimônio e as riquezas nacionais ao imperialismo, e agora, utilizando o judiciário dos supersalários e que não é eleito por ninguém, através de uma aberração judicial, tenta-se decidir quem pode ou não ser candidato nas eleições de 2018.

Está montada uma rede de repressão política. Foi determinado pelo Ministro da Justiça, Torquato Jardim, que a Policia Federal investigue a convocação do ato do dia 24 de janeiro, assim como a militância que vem usando a internet para fazer pressão popular nos desembargadores. Segundo informação divulgada pela própria imprensa golpista, órgãos de inteligencia do Exército tem monitorado 84 organizações de esquerda.

O Secretaria de Segurança do Rio Grande do Sul também prepara uma verdadeira operação de guerra. Foram convocados para Porto Alegre policiais do BOE (Batalhão de Operação Especial) de Santa Maria e de Passo Fundo, Policiais Militares de cidades do interior gaúcho e policiais do CPC (Comando de Policiamento da Capital) na tentativa de intimidar e criminalizar o movimento sindical e popular. Não bastando todos os órgãos de repressão estatal, a extrema-direita prepara mobilização para intimidar o movimento democrático.

Incontestavelmente, o julgamento do ex-presidente Lula é uma batalha fundamental na luta contra o golpe. Por um lado, a burguesia e o imperialismo precisam eliminar Lula para garantir a vitória eleitoral e seguir o projeto do golpe, por outro, os trabalhadores e a esquerda não podem permitir que os golpistas obtenham uma vitória, pois abriria uma repressão ainda maior. As organizações da classe trabalhadora não podem se intimidar diante das ameaças estatais e muito menos da direita fascista. A mobilização contra o golpe e o conjunto da direita é fundamental e não termina no dia 24, por tanto, a intensa organização e politização das massas populares são essenciais para revertermos a conjuntura em favor dos interesses da classe trabalhadora, da pátria e da democracia.

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