Quem é Etchegoyen? O general que dá as cartas no governo golpista Temer

Ainda na posse do entreguista Temer, era notório o significativo poder exercido pelos militares dentro do governo golpista. Esse poder vem aumentando conforme o golpe se aprofunda. Pela primeira vez desde quando o Ministério da Defesa foi criado, em 1999, um militar não assume esta pasta. O general Joaquim Silva e Luna (Secretário Geral do Ministério do Exército) substitui Raul Jungmann (PPS) no Ministério da Defesa, este por sua vez se torna o Ministro golpista da Segurança Pública.

Segundo a própria imprensa golpista, Temer foi “convencido” por Sergio Etchegoyen a designar o general Joaquim Silva e Luna como ministro, assim como também escolheu o Governador Interventor do Rio de Janeiro, general Walter Souza Braga Netto e o atual Chefe da Polícia Federal, demonstrando a perfeita sintonia entre a Lava-Jato e os militares golpistas.

Em meio a profunda crise institucional no Brasil, o general Sérgio Etchegoyen juntamente com o general Eduardo Villas Boas (Exército), o almirante Eduardo Leal Ferreira (Marinha), Brigadeiro Nivaldo Rossato (Aeronáutica), almirante Ademir Sobrinho (Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas), general Augusto Heleno (ex-comandante das Forças de Ocupação do Haiti), general Luiz Eduardo Rocha Paiva (Reserva do Exército) e o general Santos Cruz (atualmente comandante das tropas brasileiras em missão no Congo) formam um novo núcleo de poder em paralelo ao presidente golpista Temer.

Etchegoyen ocupa cargo chave dentro do governo golpista, sendo o chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI). Ele fica responsável por comandar a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), chefiar o Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN). O general, conjuntamente com a Rede Globo (emissora porta-voz do imperialismo norte-americano no Brasil) é o idealizador da Intervenção Militar no Rio de Janeiro, um dos principais articuladores do golpe de 2016 e do atual governo entreguista.

Membro de família centenária no comando do Exército, Etchegoyen, faz parte do núcleo de famílias oligárquicas que formam uma verdadeira dinastia militar dentro das Forças Armadas. A história da família Etchegoyen está ligada a espionagem, perseguição, censura, assassinatos, tortura e violência política desde a República Velha.

O general Alcides Etchegoyen, avô do general Etchegoyen, em 1920 participou dos levantes nos quarteis, na tentativa de impedir a posse do presidente Washington Luís. Anos mais tarde, participou da Revolução que derrubou a República Velha. Durante o governo Vargas, ele trabalhou no gabinete do Ministro da Guerra Eurico Gaspar Dutra e, depois, foi o sucessor do assassino Felinto Miller (que prendeu e deportou Olga Benário para Alemanha Nazista) como chefe de Polícia do Distrito Federal na Ditadura do Estado Novo. Com o fim do Estado Novo, avô de Etchegoyen encabeçou a junta golpista que perseguiu a campanha do “Petróleo É Nosso!” e a criação da Petrobrás. Em 1954, apoiou o golpe contra o Presidente Getúlio Vargas que levou ao suicídio do Presidente. Em 1955, acabou preso pelo Ministro general Henrique Teixeira Lott por ter sido um dos organizadores do golpe contra a posse do Presidente Juscelino Kubitschek.

O general Leo Guedes Etchegoyen, pai do general Sergio, participou do golpe que derrubou o presidente João Goulart em 1964. Posteriormente assumiu a Secretária de Segurança Pública do Rio Grande do Sul. Nessa época, convidou Daniel Anthony Mitrione, notório especialista norte americano em métodos de tortura contra presos políticos, para ministrar curso à Guarda Civil do Estado. Foi assessor do presidente golpista e general Emílio Garrastazu Médici. Em 1970, o pai de Etchegoyen ganhou o cargo de chefe do 2° Exército (São Paulo), sobre sua responsabilidade protegeu e fez elogios aos oficiais torturadores e assassinos do Destacamento de Operações de Informação (DOI-CODI), órgão responsável pelo assassinato do jornalista Vladimir Herzog, do operário Manoel Fiel Filho e diversos presos políticos. Leo chegou a afirmar que: “quem enfrenta a guerra suja tem de usar métodos semelhantes ao do inimigo”. Em 1978-1980, comandou a repressão às greves do ABC e a prisão do então dirigente sindical Luiz Inácio Lula da Silva.

No mesmo período, o tio de Etchegoyen, Coronel Cyro Guedes Etchegoyen, trabalhou como chefe da seção e Informações e Contrainformações do Centro de Informações do Exército (CIE) sob as ordens do assassino general Milton Tavares, idealizador das torturas nos quartéis do Exército. Segundo depoimento do coronel Paulo Malhães à Comissão Nacional da Verdade, Cyro Etchegoyen era o oficial do CIE responsável pela Casa da Morte, em Petrópolis (RJ).

(alguns presos políticos assassinados na Casa da Morte)

Em 2014, a Comissão da Verdade apontou o pai e o tio de Etchegoyen como responsáveis por violações de direitos humanos na ditadura. O general definiu a Comissão da Verdade como “patética e leviana”.

O pensamento econômico de Etchegoyen é o neoliberalismo, ou o pinochetismo – um fascismo neoliberal. Considera organizações como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) como organizações terroristas. Como sócio do Instituto Millenium, em 2017, em entrevista para Revista Exame, Etchegoyen afirmou que: “A preocupação com a soberania nacional é o começo do discurso que levou ao nosso déficit de infraestrutura. As privatizações não ameaçam a soberania nacional”.

Já foram inúmeras declarações grotescas dadas pelo general. Sua política liberalismo econômico sem limites e seus ideais antidemocráticos são uma ameaça sem precedentes os interesses do nacionais. O golpe que promove o desmonte do parque industrial brasileiro, permite a venda de terras para estrangeiros, a entrega de empresas estatais brasileiras – inúmeras produtoras de tecnologia e ciência nacional – aos monopólios imperialistas, privatiza o petróleo, água, solo e florestas brasileiras é parte do projeto defendido pelos militares entreguistas.

O general também é um radical critico da integração latino-americana. Chamou o processo de aproximação do Brasil com os vizinhos de “ideologização da politica externa”, tanto cinismo visa esconder sua defesa de subordinação do Brasil e a América Latina como quintal do Tio Sam. Defende que o Brasil abdique seu protagonismo no fóruns internacionais, tais como: os Brics, G-20, Mercosul, Unasul e ONU. Tornando o Brasil em um servo, de capitalismo periférico, subserviente e colonizado, uma republiqueta das bananas exportadora de matérias primas, com força de trabalho escravizada e satélite dos Estados Unidos para promover as aventuras militares contra a Venezuela.

O fato é que a Dinastia Militar, os alto oficiais das forças armadas que por gerações controlam a cúpula das Forças Armadas são distante dos interesses do povo e do país. São ativos no processo golpista de entrega do patrimônio público brasileiro aos monopólios privados estrangeiros. O “patriotismo” desses militares entreguistas se resume a promover um teatro em torno do uso da bandeira nacional, enquanto entregam de bandeja as riquezas nacionais e promovem a miséria do povo brasileiro. O golpe não tem outra coisa para oferecer ao povo se não repressão e uma ideologia anti-esquerda.

O real nacionalismo passa por lutar contra o golpe. Ser nacionalista é defender a soberania nacional, a democracia e os interesses da classe trabalhadora no Brasil e nos outros países.

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