MARIELLE: VÍTIMA DO GOLPE! ABAIXO A INTERVENÇÃO MILITAR!

Completam-se sete dias desde a execução política da vereadora, socialista e militante Marielle Franco e de seu motorista e morador do Complexo do Alemão Anderson Gomes. Ambos são vítimas do golpe de Estado implementado através do impeachment, sem crime de responsabilidade, contra a Presidente Dilma em 2016. De lá pra cá, a violência policial e os ataques contra os direitos políticos e sociais da população só se intensificaram.

O Brasil: recordista em assassinar defensores dos direitos humanos.

O Brasil é hoje o país que mais mata defensores dos direitos humanos nas Américas, segundo a Anistia Internacional desde 1998, foram 3.500 assassinatos. Em 2016, registrou 58 mortos. Em 2017 foram mais 66. Outro dado alarmante, segundo a comissão pastoral da terra, em 2016 foram registradas 54 mortes de lideranças camponesa, e em 2017, o número aumento para 65.

Correlacionando com os dados da segurança pública, que revelam, os assassinatoss decorrente de operações policiais, a chamada letalidade policial, cresceram 25,8%. Representando 4.224 pessoas assassinadas pelas forças policiais. Quase a totalidade das vítimas são homens (99,3%), jovens (81,8%), tem entre 12 e 29 anos e negros (76,2%). Em 2016, 61.619 mil pessoas foram assassinadas. Em todo o Brasil, de acordo com as estatísticas, 65,1% dos assassinatos são contra pessoas negras. Sendo os jovens negros, homens, com baixa escolaridade as maiores vítimas da violência. No mesmo ano, 71.796 desaparecimentos foram registrados (o perfil dos desaparecidos também é o mesmo: jovens e negros). Mais 800 mil pessoas encarceradas nas condições mais subumanas possíveis – prisões que não fica atrás de nenhum campo de concentração nazista.

A classe dominante só tem a oferece ao povo brasileiro: Miséria, Repressão, ideologia reacionária.

Somos um dos países mais desiguais do Mundo, apenas 6 bilionários detêm a renda de 50% da população. Doenças do século XVIII voltaram a assolar o país: febre amarela, malária e cólera! Porém, para os cretinos golpistas, os nossos maiores problemas são a “corrupção” e agora a “violência”, violência essa que cinicamente os golpistas não falam que possui relação direta com o desemprego e a brutal política neoliberal, vende pátria, que esmaga a classe trabalhadora.

Derrotar a campanha canalha do fascismo e do golpismo!

A execução política de Marielle intensificou a polarização no país. De imediato a revolta popular contra a execução foi generalizada, ocorreram manifestações de massa nas principais cidades do Brasil e em diversos países. Os jornais do mundo: Le Monde, New York Times, The Guardian, DK Alemão, BBC, El País, entre outros noticiaram o assassinato de Marielle como crime político, associando a execução a intervenção militar e questionando a democracia no Brasil. No outro extremo, a direita fascista festejou a morte da vereadora e aplaudiu a violência policial nas favelas. Eles partiram para uma campanha odiosa de difamação à Marielle. Diversos juízes, promotores, desembargadores, policiais, oficiais, artistas e políticos de direita declararam-se favoráveis a tortura, assassinato e extermínio.

Após a morte de Marielle Franco, cúpula golpista teme polarização.

Assim como a morte de Edson Luiz durante o Ditadura Civil-Militar, a morte de Marielle causou um abalo no Regime golpista. Com receio da morte se tornar uma campanha contra a intervenção militar, contra a Polícia Militar e o genocídio do povo negro, a imprensa golpista, principalmente a Rede Globo, tenta se apropriar da morte da vereadora. Marielle Franco, representa o favelado, um segmento que a Globo quer ver morta ou na cadeia, no Rio, vocaliza à luta contra o intervenção e denunciava o aparato repressivo da polícia, contudo, sua morte é usada pela imprensa golpista para reforçar o aparato repressivo e a Intervenção Militar.

No primeiro momento a imprensa golpista associou sua execução à “violência generalizada” no Rio de Janeiro, blindou os militares e lançou a palavra de ordem “Quem matou Marielle?”. Parte da esquerda provou que não possuí política para absolutamente nada, e abraçou a campanha. Adotou uma palavra de ordem recuada, equivocada, “confusionista” que é a mesma da fascista revista Veja. Diga-se de passagem, que o controle acionário da Editora Abril não é mais da família Civita, apoiadora do regime militar, mas da oligarquia financeira apoiadora do regime de Apartheid da África do Sul: de mal a muito pior! Essa esquerda, que insiste em se apresentar com algo “novo”, em síntese, uma esquerda da capitulação política e ideológica, por que se baseia na opinião pública forjada pela tribuna policial do Jornal Nacional da Globo, e teme confronta-la pois segundo ela, o “povo” associou o vermelho ao PT, e como estamos vivendo uma “onda” conservadora, o mais “prudente” é “resignificar” a esquerda. Por isso, Dedica-se à ser uma espécie de Sherlock Holmes. Trabalhando com especulações ou semeando a ilusão que as forças de Repressão do Estado irão promover uma investigação séria sobre o caso.

O punitivismo e privatização dos presídios: carros-chefes da campanha golpista!

A campanha “contra violência” é um álibi dos golpistas, assim como usaram a “corrupção”, para intensificar os ataques contra o povo brasileiro e o país. A intervenção militar em todo país, a redução da maioridade penal, o recrudescimento do código penal e a privatização dos presídios já estão na pauta do golpe. Tratam-se de medidas para conter a revolta social. Combater a pobreza, prendendo os pobres é um bom negócio para os capitalistas. À medida que o negócio das prisões privadas alastra-se, uma nova categoria de milionários consolida seu poder político. Os donos destas carcerárias são também, na prática, donos de escravos, que trabalham nas fábricas do interior das prisões por salários baixíssimos. Nos EUA, por exemplo, o preso ganha cerca de U$ 1,60 por hora. Este trabalho escravo é tão competitivo, que muitos municípios nos EUA sobrevivem financeiramente graças às suas próprias prisões, aprovando simultaneamente leis que vulgarizam sentenças, crimes menores como roubar chicletes passaram ter pena de até 15 anos de prisão. No Brasil, em recente conferência ao BNDES, o general golpista Villas Bôas declarou que: o sistema penitenciário é alvo da maior preocupação dos militares.“Algo que nos preocupa e que é chave: a nossa lei de execução penal tem que se adequar à maneira efetiva como nós temos que atuar para conseguirmos atingir essas estruturas do crime organizado. Isso não vai ser solucionado nos dez meses restantes”. O alvo destas leis draconianas são sempre os mais pobres, mas, sobretudo, os negros.

Exigir isenção nas investigações!

Logo após a divulgação da perícia técnica que apontam as características do crime de execução. A investigação apontou que o lote de munição UZZ-18 foi comprado no dia 29 de dezembro de 2006 pela Polícia Federal com duas notas fiscais da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC). E segundo a Delegacia de homicídio o crime foi bem planejado e o atirador era bastante experiente.

O ministro golpista Raul Jungmann anunciou a federalização da investigação, e colocou o Ministério Publico Federal, Polícia Federal e Agência Brasileira de Inteligência para acompanhar o caso. Em recente entrevista ao jornal correio brasiliense, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, declarou:

“O que justifica no jogo político em um país sadio utilizar a execução? Porque compensa. Vamos imaginar a prisão dos assassinos neste momento, agora. O que vai acontecer? Eles vão ser presos preventivamente, vai se discutir quanto tempo essa prisão vai levar, vai haver uma investigação e eles vão ser julgados. Quando? Daqui a um ano e pouco, dois anos, vamos imaginar que ande rápido pelo clamor, mas eles continuam soltos, aí vão para a segunda instância, tem mais um período para caminhar. Vai se discutir se na segunda instância podem ser presos ou não, vamos para a terceira instância e vai até o trânsito em julgado, lá na frente. Quando chegar ao trânsito julgado, cinco ou seis anos, não sei ser otimista, nem pessimista, mesmo porque não sou advogado. Eles foram condenados a 30 anos, o máximo, vão cumprir 1/6 da pena e aí começa a progressão, eles vão cumprir cinco anos. Se tiver biblioteca vai reduzir mais um pouquinho e vão cumprir três anos. É com isso que nós estamos lidando.”

A cúpula do golpe anteviu a repercussão do crime na sociedade e utiliza-o para alcançar em seu favor, o objetivo da intervenção militar e a mudança do código penal. Como será federalizada, não nos causará perplexidade, se após as investigações, for apresentado como autor da execução, um policial da região metropolitana do Rio. Para incrimina-lo utilizando até mensagens de texto ou publicações em mídias sociais com discurso de ódio, e da mesma forma como o general golpista antecipou, nesse caso, será usada toda a morosidade da justiça para justificar a alteração da lei de execução penal.

Não podemos deixar de denunciar a mídia, principalmente a Rede Globo, que quer induzir o debate para desenhar um cenário de “guerra no Rio”, direcionando que seu assassinato é obra de “maus policiais e da violência no Rio”, dessa forma, justificar a presença dos Militares. Seu assassinato foi político e deve haver investigações independentes sem a tutela dos militares e comissões para apurar os fatos, com a participação dos movimentos sociais, ambas com auxílio de órgãos internacionais de direitos humanos. Todas forças de repressão do Estado são comprometidas com o golpe e não possuem neutralidade no caso: Exército (que organiza um golpe militar e pratica a Intervenção militar no RJ), Policia Federal (um instrumento político de destruição da oposição ao golpe, principalmente do Ex-Presidente Lula), a Polícia Civil e Militar (promotora do genocídio da juventude negra nas favelas). O golpe ruma à passos largos para erguer no Brasil uma ditadura dos bancos e militares. Não pode haver ilusões com investigação conduzida pelos golpistas. O general golpista Braga Netto deve ser responsabilizado pela execução da Marielle Franco, devemos convocar mobilizações de rua, construir comitês contra Intervenção e falar claramente: “Marielle é uma vítima do golpe! Abaixo a Intervenção militar”

Da mesma maneira denunciar a escalada do golpe, a sistemática violação de direitos individuais e coletivos, e o aprofundamento do estado de exceção no país. Um processo que visa prender sem provas o ex-presidente Lula. A revelia do cumprimento da Constituição Federal, garantindo a presunção da inocência e o direito de Lula e de todo cidadão se defender em liberdade até o completo trânsito do julgado.

A memória, a luta e a família de Marielle devem ser respeitadas. Porém é prestar um desserviço à luta denunciar para a polícia (golpista e assassina) as fake news da Direita. A direita é combatida nas ruas e não podemos convocar a polícia e o punitivismo, mesmo que neste momento esse debate tenha um “aparência de esquerda” (defender a memória de Marielle), logicamente irá se reverter contra a esquerda e servir para colocar mais pobres na cadeia. Ontem, dia 20, o Senado aprovou pena de 6 meses de cadeia para que fizer “discurso de ódio”. Desde 2015, os golpistas querem utilizar o pretexto de combater as “fake news” para censurar a imprensa popular, de esquerda e os “bloqueiros sujos” (assim se referiu o entreguista do Pré-Sal José Serra do PSDB/SP). Eles já aprovaram uma força tarefa entre Ministério Público Federal, Polícia Federal e Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para jogar na justiça criminal a tarefa de definir o que é verdade ou não e colocar a pena, por mais idiota e cretina que seja a informação não cabe a justiça censurar. São os jornalões dos patrões, Globo, Folha, Estadão e Veja entre outras os maiores produtores de notícias falsas, que perseguem e manipulam a informação.

A campanha “Marielle vive” deve servir para intensificar a mobilização numa luta aberta para derrubar o Regime Golpista! Impedir a prisão de Lula e anular todas as medidas anti-populares, antidemocráticas e antinacionais desse golpe imperialista. Não é hora de baixar a guarda como quer a Rede Globo, que proclama que as manifestações não sejam politizadas. É uma subordinação a direita fascista aceitar, que para combater o “discurso de ódio”, aceitar uma “unidade entre direita e esquerda contra a violência”. Querem fazer repetir o erro da amarga experiência de junho de 2013, onde todos levaram suas bandeiras individuais, diferentes e genéricas para manifestações difusas, o resultado não foi outro: Eleição do congresso mais conservador, Lava-Jato e golpe!

A história já nos provou a lição, o assassinato de Edson Luís sem uma reação firme contra o golpe levou ao AI 5. Não podemos permitir que isso se repita! A execução de Marielle faz parte do golpe, a Intervenção Militar no RJ é parte do plano de golpe militar, a perseguição contra o Presidente Lula é peça fundamental nesse jogo político, isto deve estar absolutamente claro! É hora de reagir! É hora de unidade sim, mas com os setores anti-golpe, pobres, negros, democráticos, populares, verdadeiramente nacionalistas e de esquerda para seguir nas ruas, construir comitês e conselhos populares nas luta nas favelas, locais de trabalho e bairros populares contra a Intervenção Militar e o golpe!

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