Empresas privadas são as maiores contrabandistas de armas

Armas e munições de origem legal, adquiridas pelas empresas de segurança abastecem o crime no estado do Rio.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), investiga, no período de 2005 à 2015, o desvio de armas e munições no estado. No relatório final divulgado em 2016, aponta o desvio de 17.662 armas, 9.663 projéteis e 417 coletes à prova de bala de empresas privadas de segurança que abasteceram o crime no estado do Rio. No mesmo período, na Polícia Civil houve desvio de 1.050 armas, e na Polícia Militar foram 640 armas.

O levantamento feito pela PF entregue à CPI das Armas da Alerj, aponta que armamento desviado tem volume elevado: representa cerca de 30% do volume disponível (58.476) em todas as empresas do setor no Rio (são 222). Segundo a Polícia Federal, das 222 empresas de segurança do estado, 95% são controladas por militares da ativa, policiais e ex-integrantes das Forças Armadas e da PM.

No entanto, o tema mais intrigante apontado no documento é a informação de que cerca de 4.500 armas simplesmente “desapareceram” de dentro das empresas de segurança. Por lei, toda empresa de segurança precisa comunicar qualquer roubo, furto ou extravio de armamento à PF, que faz o controle administrativo e cabe à polícia civil investiga-los.

A PF manifesta preocupação com a grande quantidade de ocorrências e levanta a hipótese de que pode haver a presença de grupos ou grupo organizado que estejam concorrendo para o extravio, furto e roubo de armas e munições das empresas especializadas em segurança privada.

Para o deputado Carlos Minc (sem partido), presidente da CPI das Armas na Alerj, os números são alarmantes. “É uma informação extremamente grave, em todos os aspectos. Os números revelam que empresas de segurança estão armando os criminosos, aquele bandido que utiliza arma curta para assaltar e matar nas ruas da cidade”.

NARCOTRÁFICO MOVIMENTA R$ 15,5 BILHÕES AO ANO

Em outubro de 2016, O Primeiro Comando da Capital (PCC) iniciou uma disputa com o Comando Vermelho (CV). A origem do enfrentamento se deu pelo controle da rota do tráfico de drogas e armas na fronteira do Paraguai. O fim do pacto PCC-CV culminou com rebeliões nos presídios do norte do país.

No Brasil, o narcotráfico movimenta R$ 15,5 bilhões ao ano, informação divulgada em agosto de 2016, no levantamento da Câmara dos Deputados. Conforme os dados, o comércio ilegal de maconha movimenta, anualmente, R$ 6,68 bilhões. A cocaína, R$ 4,69 bilhões; o crack, R$ 2,95 bilhões; e o ecstasy , R$ 1,189 bilhão.

Segundo o Anuário das Drogas da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil serviu como rota para envio de cocaína para a Europa, entre 2009 e 2014. No mesmo período, 51% do fornecimento de cocaína que chegou à África partiu também do Brasil. O negócio das drogas, que envolve um em cada quatro adultos no mundo, movimenta cerca de U$S 320 bilhões ao ano.

O PERFIL DAS VÍTIMAS DOS GRUPOS VULNERÁVEIS NO MUNICÍPIO DO RIO


De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), no município do Rio de Janeiro, entre 2014 e 2016, registrou aumento no crime de Homicídio decorrente de oposição à intervenção policial, foram 1.017 vítimas. Nos casos, a relação entre autor e vítima representa: 72,79% quando não havia nenhuma relação e em 26,57% sem informação. Sendo que: 75,37% das vítimas eram Negros e Pardos, 13,87% sem informação e 10,80% eram Brancos.

O número de Pessoas desaparecidas, em 2014 registrou 2.566 casos, em 2015 mais 3.066, e em 2016 outros 2.710. A relação entre autor e vítima representa: 37,23% quando não havia nenhuma relação e 37,20% sem informação, e outros representam 12,69%. Sendo que: 65,50% eram Negros e Pardos, e 32,40% eram Brancos.

O número de encontro de cadáver, em 2014, foram 173 vítimas, em 2015 mais 144, e em 2016 registrou outros 136. A relação entre autor e vítima representa: 53,68% quando não havia nenhuma relação e 41,18% sem informação. Sendo que: 44% eram Negros e Pardos, 32,35% eram Brancos e 23,32% sem informação.

Importante ressaltar, no mesmo período registrou a expansão das milícias (grupos mafiosos e paramilitares) que, segundo dados do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ, controlam hoje 45% das favelas, enquanto outras facções do tráfico controlam 37%.

As milícias são compostas essencialmente por policiais e bombeiros, e hoje também contam com civis, possuem braço político, elegendo vereadores e deputados e prefeitos na baixada fluminense a serviço do poder político dominante.

O ESTADO PROMOTOR DA RECONFIGURAÇÃO DO CRIME

As UPP’s no cenário do crime no Rio de Janeiro estabelecem uma relação de conflito com a população local sob a imposição militarizada, e há tráfico de armas com participação de agentes públicos de segurança e o tráfico de drogas permanece em função de acordos com o aparato policial.

Já a Intervenção Militar tem motivação política, e a presença nas favelas do Rio servem como instrumento de coersão para os pobres num cenário explosivo criado pelo golpe. Sob comando do interventor do Estado, o General Golpista Walter Braga Netto, as forças armas e as polícias estão promovendo um massacre nas favelas do Rio. Segundo balanço divulgado pela PM desde setembro foram mais de 50 civis mortos. O caso mais recente foi a morte do ajudante de pedreiro,Davidson Farias de Sousa, 28 anos, em quantos estava na varanda de casa com seu filho no colo. Segundo testemunhas policiais do Batalhão de Choque chegaram atirando na localidade Larguinho da Vila Verde na Rocinha. A poucos dias, também na Rocinha, o jovem, Matheus da Silva Duarte Oliveira, 19 anos foi morto, a caminho de casa, por policiais militares. Consternado, o pai do jovem desabafou – Eles (PM) foram à Rocinha para fazer uma chacina. Esses e outros crimes cometidos pelo Exército e por policias não serão investigados, conforme lei aprovada em outubro de 2017, onde estipula que os militares que cometem crimes conta civis devem ser julgados por Tribunais Militares, em suma, é certeza da impunidade.

A política de segurança do Rio de Janeiro se constituiu para reorganizar o crime, ou seja, se estabeleceu como uma medida para sofisticar o crime, pois o mercados ilegais de drogas e armas, se estendem para o contrabando de produtos falsificados e o mercado do roubo (jóias, equipamentos eletrônicos, cigarros, medicamentos…), as milícias (grupos paramilitares), absorvem uma gama de negócios (venda de água, de gás, de aterro, de propriedade de terras e lotes, locação de como Associa-se ao mercado de segurança pública, e ao mesmo tempo com o próprio sistema financeiro brasileiro. Ao passo que a política de segurança e econômica de grupos dominantes na cidade estabelecem um novo projeto e reconfiguração dessa estrutura.

AUDITORIA DOS BANCOS QUE LAVAM DINHEIRO DO CRIME

O papel central da “narcoeconomia” no capitalismo contemporâneo se detecta no peso alcançado pela “lavagem do dinheiro” no sistema financeiro. O caso mais emblemático é o banco britânico HSBC, que segundo investigação do Senado Americano, durante 10 anos, mais de 100 mil correntistas de 200 países movimentaram 19,4 bilhões de dólares. O relatório revela que executivos de grandes empresas, traficantes, negociadores de armas, e traficantes de diamantes usavam contas secretas, onde funcionários do HSBC mantinham o sigilo e orientavam como escaparem da tributação em seus países de origem. Pelas somas envolvidas, a “lavagem” seria impossível sem a cumplicidade dos banqueiros que intermediam a legalização do dinheiro sujo e a sua conversão em ativos, empresas ou imóveis.

Anúncios