General Villas Boas defende prisão de Lula e o golpe militar

Ontem, dia 03/04, no Jornal Nacional da Rede Globo, Willam Bonner fechou a cobertura exaustiva das manifestações pela prisão do Ex-Presidente Lula e leu o twitter combinado do general Villas Boas. O comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Boas, afirmou que os militares estão atentos “às suas missões institucionais” e que não aceitarão “impunidade”.

Tratasse de uma ameaça aberta ao STF (Supremo Tribunal Federal) e colocou as Forças Armadas à disposição para por na cadeia o Ex-Presidente Lula. No mesmo dia, o general da Reserva Luiz Gonzaga Schroeder Lessa também havia feito ameças defendendo golpe militar, caso o STF conceda o habeas corpus para o Ex-Presidente. Esses generais querem enquadrar o STF, sou seja, garantir que esses sejam subservientes aos militares gorilas que proclamam à prisão do Ex-Presidente Lula. Também coloca em xeque a própria existência do direito universal do habeas corpus.

A função constitucional das Forças Armadas é unicamente garantir a soberania nacional diante de ameaças de potências estrangeiras, função essa que os militares gorilas deixam de lado para ficar arbitrando sobre a política. Se Villas Boas quer se dedicar à política que este saia do Exército. Política não é terreno para militares. A democracia não será garantida através de ameaça de burocratas estatais armados.

Esses gorilas fardados não cumprem a sua função constitucional de resguardar a soberania nacional quando promovem exercícios militares com tropas norte-americanas dentro da Amazônia, são coniventes com a privatização da Base Aérea de Alcântara à NASA, com a entrega do Pre-Sal para a máfia internacional do petróleo, com a prisão do Almirante Othon Pinheiro para boicotar o programa nuclear brasileiro, com a privatização da Embraer para a Boeing, com a venda de terras para estrangeiros, entre dezenas de outras medidas entreguistas e lesa-pátria. Esses gorilas, assim como os “manifestoches” da Paulista, resumem seu discurso ao teatro do pseudo-nacionalismo baseado em desfiles e na exaltação à bandeira nacional.

Esses milicos são herdeiros diretos da Ditadura Civil-Militar e seguem o pensamento do general Golbery. Golbery não pode ser mais claro: “E parte do pressuposto de que, devido a sua posição geográfica, o Brasil não pode escapar da influência estadunidense. Nessa situação, não lhe resta outra alternativa além de “aceitar conscientemente” a sua missão de se associar a política dos “Estados Unidos do Sul”. A contrapartida dessa “escolha consciente” seria o reconhecimento, por parte dos Estados Unidos, de que “o quase monopólio” da dominação naquela área deve ser exercido pelo Brasil exclusivamente. Essa expressão, “quase monopólio” resulta, igualmente, da impossibilidade de ignorar as pretensões que a burguesia argentina também alimenta no terreno. (Golbery, Aspectos geopolíticos do Brasil).

Recentemente, Villas Boas afirmou que “os militares deveriam ter a garantia que jamais seria construída outra Comissão da Verdade”, ou seja, quer carta branca para que militares matem, roubem, estuprem e torturem o próprio povo. O gorila Villas Boas afirmou também que o “Exército é o mesmo de 1964”, defendeu o fascista general Mourão e não cumpriu a ordem do golpista Temer de exoneração dele do cargo por defender o golpe militar. Esse é o nível dos generais que o povo brasileiro deve enfrentar.

Cai por terra todo o discurso de “fé na democracia”, “fim da luta de classes” e “está fora de moda usar militares”, tudo isso não passa ilações meramente intuitivas, não se baseiam em nenhum fato político concreto que cerca a conjuntura política nacional. Os militares participaram do golpe contra a Presidente Dilma e se colocam disposto para dar um golpe militar caso Lula não seja preso. Os militares ocupam o segundo maior estado do país, Rio de Janeiro, possuem três ministérios no atual governo golpista, controlam todos os órgãos de repressão, se colocaram numa posição estratégica para reprimir as mobilizações populares. Jamais os gorilas fardados permitirão que o povo brasileiro e a esquerda volte a governar o país. Os militares não possuem compromisso com a soberania nacional e com o povo brasileiro, mas trabalham para atender os interesses da classe dominante e do imperialismo norte-americano. Fazem parte da engrenagem que destrói o Brasil enquanto Estado nação, para assim enfraquecer todos os países da América Latina e deixar caminho livre para a rapinagem das nossas riquezas, afim de sustentar a máquina de guerra norte-americana.

O que está em jogo vai muito além da questão Lula. O que está em jogo é a própria existência do Brasil como Estado nação. Não resta outro caminho ao povo brasileiro, esquerda, democratas e nacionalistas sem ser a via de combater abertamente o golpe de Estado. É hora de ocupar as ruas contra a prisão de Lula e exigir que os direitos democráticos da população sejam respeitados.

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