A guerra imperialista na Síria é o golpe no Brasil são uma só luta

Nessa sexta-feira, dia 13 de abril, as Forças Armadas dos Estados Unidos (EUA), em conjunto com o Reino Unido e a França, promoveram mais um ataque terrorista contra um país independente, pacifico e soberano. Desta vez, navios, porta-aviões e caças da coalização covarde, que conta com o apoio da OTAN (Organização do Atlântico Norte) e do Estado Sionista de Israel, bombardearam Damasco, capital da República Árabe da Síria.

ANTECEDENTES DO ATAQUE TERRORISTA DOS EUA NA SÍRIA

Durante 72 horas ocorreu um impasse entre o governo Norte-Americano e a Rússia. O governo dos EUA deslocou para o Mar Mediterrâneo navios destroyers causando atritos com a Rússia, China e Irã. Durante este período de 72 horas, realizou-se uma rodada de negociações entre diversos aliados dos EUA, e por fim o Reino Unido e a França enviaram submarinos, navios e acionaram bases militares na região. Por outro lado, a Rússia, foi enfática em apoiar a soberania síria.

Pouco antes do início do ataque, no Iêmen, país que tem a população atacada pela ditadura saudita, armada e apoiada pelos EUA, foram realizados disparos de mísseis contra a Arábia Saudita, o que colocou o reino saudita fora do ataque contra a Síria. O apoio dos EUA ao regime saudita comprova que a guerra na Síria não se trata de um conflito entre a “democracia”, representada pelas forças ocidentais, e a “ditadura”, mas sim de uma agressão do imperialismo para dominar as riquezas dos países não-alinhados.

ATAQUE CRIMINOSO DOS EUA

Mísseis atingiram a capital Damasco na noite da última sexta-feira.

Na véspera do bombardeio, o governo Trump havia recuado sobre a decisão de atacar, porém, diante da forte pressão interna, de Israel e da indústria armamentista, veio a ordem para iniciar o ataque ao amanhecer de sábado, dia 14 de abril. Segundo o Serviço de Inteligência russo, foram disparados, a partir do golfo pérsico, Mediterrâneo e do Mar Vermelho, 103 mísseis-cruzeiro (tomahawk), dos quais 71 mísseis foram repelidos pela defesa antiaérea Síria e o sistema antimísseis russo-soviéticos S-125, S-200, Buk e Kvadrat empregados na região.

Os locais alegados pelos EUA para ataque eram supostamente “fábricas e armazéns de produção de armas químicas”. Na realidade se tratavam de um centro de pesquisas da Cidade Universitária de Damasco e de um bairro residencial. Até o momento, foram noticiadas 4 mortes.

Sistema soviético S200 usado pelas Forças Armadas Sírias

ANTES DO ATAQUE, GOVERNO SÍRIO FEZ O CONVITE PARA COMUNIDADE INTERNACIONAL INVESTIGAR O CASO DA ARMA QUÍMICA.

O ataque foi realizado sob o falso pretexto de uma suposta utilização de armas químicas não comprovada na cidade de Douma, cuja responsabilidade o governo sírio rejeita. Para esclarecer os fatos, Assad convidou a ONU para investigar a situação do suposto ataque com armas químicas. Fica evidente a mentira quando os países convidados recusaram o convite e apelaram para uma campanha internacional de difamação da Síria.

O governo russo lembrou que, sob controle internacional e com a participação dos EUA, em 2014 todo arsenal químico de Síria foi destruído. Cinicamente, são os EUA o maior detentor de armas químicas e nucleares do planeta. O ataque norte-americano aconteceu na véspera que peritos internacionais chegariam à Síria para investigar a alegada utilização de armas químicas em Douma. Investigação essa prejudicada após o bombardeio norte-americano.

É necessário esclarecer que o Governo Sírio está vencendo os terroristas e foi em área sob o seu controle que supostamente aconteceram os ataques químicos. A denúncia do “ataque químico” partiu da organização dos “Capacetes Brancos”, uma organização fundada em 2013 e que é financiada pelos Estados Unidos. Essa Organização não possui nenhum crédito, porque por diversas vezes fraudaram informações. Esta entidade diz defender as vítimas da guerra civil, contudo, nenhum civil sírio confirma sua presença nos territórios de conflito. Já foi confirmado que essa organização utiliza técnicas de Hollywood para simular resgate de civis em conflito. Essa força atua nos territórios posteriormente controlados pela oposição armada e financiada pelos EUA, especialmente a Al-Qaeda.

ATAQUE DOS EUA VIOLA LEIS INTERNACIONAIS

Essa agressão covarde e inaceitável é um risco para todo o mundo, sendo uma flagrante violação das leis internacionais expressas na Carta da Organização das Nações Unidas – ONU. A Carta definiu categorias de crimes: O crime de guerra, o crime contra a humanidade e o crime contra a paz. “A ONU define como crimes contra a paz o planejamento, preparação ou início de uma guerra de agressão ou uma guerra em violação de tratados internacionais, acordos ou pactos. Participação em um plano comum ou conspiração para cometer algum dos atos mencionados acima.” Segundo os próprios Governos dos EUA, França e Reino Unido, o ataque da noite dessa sexta-feira 13 foi planejado com bastante antecedência e por fora dos organismos internacionais.

A FARSA DO ATAQUE QUÍMICO JÁ FOI USADO CONTRA IRAQUE E LÍBIA

Não podemos esquecer que em 2003, os EUA acusaram o Iraque de possuir “armas de destruição massiva”, que posteriormente foi revelado que era escandalosa e grave falsidade, fato que resultou em uma guerra com o assassinato de 1 milhão de iraquianos, um país destruído e dividido em três regiões. O mesmo aconteceu na Líbia, onde EUA, Reino Unido e a França foram responsáveis por guerras de agressão com o seu brutal legado de morte, escravidão e destruição, sob o pretexto de escandalosas dos infundados “massacres da população” na Líbia.

ATAQUE CONTRA SÍRIA COLOCA EM RISCO TODO O MUNDO

Após o ataque, os governos aliados dos EUA e membros da OTAN vieram a campo defender a agressão contra a Síria para dar um verniz de legalidade a um crime contra humanidade. Desconsiderando assim que esse ataque representa um passo na operação de destruição da soberania da Síria, aumentando a escalada de tensões contra a Rússia, Irã, China e seus aliados.

“NÃO TEMOS PROVAS, MAS TEMOS FORTES INDÍCIOS”

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Jim Mattis, disse ao Congresso Norte-Americano no dia 10 de abril que os militares não têm provas de armas químicas foram usadas em um suposto ataque químico na cidade síria de Douma.

“Houve vários desses ataques. Em muitos casos, você sabe que não temos tropas, não estamos engajados no local, então não posso lhe dizer que tivemos provas, apesar de termos muitos meios de comunicação e de mídia social falando do uso de cloro ou sarin”, Afirma Mattis.

A semelhança com a “doutrina do domínio do fato” aplicada pela Lava-Jato no Brasil, Sergio Moro, Deltan Dallagnol e Rodrigo Janot é evidente. A infiltração do imperialismo norte-americano no Brasil é evidente. Essa concepção jurídica é completamente antagônica ao direito brasileiro: as provas, autos do processo e a presunção de inocência valem menos do que os indícios, convicções e as delações.

A LUTA CONTRA O IMPERIALISMO NA SÍRIA É A MESMA LUTA O CONTRA O GOLPE IMPERIALISTA NO BRASIL.

O Brasil é vítima de uma guerra econômica, assim como a Síria é vítima de uma guerra aberta. Ambos conflitos tem o centro político agressor sedeado em Wall Street (bolsa de valores dos EUA), onde o imperialismo desfecha ataques para saquear as riquezas naturais dos povos e explorar os países. O projeto imperialista exige o enquadramento econômico e político da América Latina, em geral, e de suas grandes nações, em particular México, Venezuela, Colômbia, Peru e sobretudo a Argentina e o Brasil à política norte-americana, afinal, é impossível envolver-se em uma guerra contra a Rússia e a China com o “quintal fora de controle”.

Desde 2014, com o início do golpe, o Brasil vê sua base econômica sendo desmontada: industria da carne, petróleo, gás e naval são atacadas por processos policiais. A associação subordinada da classe dominante brasileira ao imperialismo manobra o judiciário, as Forças Armadas, o parlamento e o governo golpista para entregaram a base de Alcântara à NASA, o Pré-Sal para a máfia internacional do petróleo, permite manobras militares dos EUA dentro da Amazônia Brasileira e a entrega da Embraer para Boieng. Todo esse processo é sustentado por uma “opinião pública” moldada pela tribuna da mídia golpista, colocando em ação a classe média fascista, que resume o “nacionalismo” a se enrolar na bandeira do Brasil, enquanto apoia o entreguismo escancaradamente sobre o pretexto fraudulento de combate a corrupção.

Essa “opinião pública” está longe de sinterizar a vontade popular, ao contrário, as fracassadas mobilizações da direita nas vésperas do julgamento do Presidente Lula e a crescente polarização do país revelam a tendência cada vez maior de revolta do povo contra o projeto do golpe imperialista. O povo brasileiro deve ter claro que o Presidente Lula é um preso político dos Estados Unidos! Sem a colaboração ilegal do judiciário norte-americano com a Lava-Jato teria sido impossível prender Lula. Urge a organização através das entidades da classe trabalhadora para direcionar esta revolta em um movimento claro contra o golpe que recupere a soberania nacional brasileira, a democracia e os direitos do povo.

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