GOLPE SEMPRE SACRIFICA ALGUNS DOS SEUS PARA LEGITIMAR A DITADURA

De Lacerda a Aécio, a cassação de alguns golpistas pelo golpe não é uma novidade, entenda:

Hoje, de maneira cínica, a imprensa golpista, sobretudo a Rede Globo, festeja a notícia na qual o Senador Aécio Neves (PSDB) tornou-se réu no Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de corrupção e obstrução da justiça. Esse fato não muda nada na vida do trabalhador comum que sofre com desemprego, com o encarecimento do custo de vida e tem seu país vendido à preço de banana para os Estados Unidos, mas serve para em primeiro lugar, legitimar a prisão sem provas do ex-presidente Lula e em segundo, reformular o sistema político.

Aécio Neves foi entusiasticamente apiado pela Rede Globo e pela direita golpista na eleição Presidencial em 2014. Ele foi protagonista de uma campanha eleitoral estérica de combate a corrupção, fez intensa propaganda contra os direitos sociais e envenenou seu eleitorado contra o Governo Dilma. Em conjunto com a imprensa golpista criou um clima de terror, e posteriormente gerou o movimento que ocupou a Avenida Paulista com patos amarelos servindo como elementos de legitimação para o golpe. Derrotado nas urnas, se juntou aos demais conspiradores para golpear o Governo democraticamente eleito de Dilma Rousseff.

Aécio neves sempre foi uma nulidade política, após ter cumprido o trabalho sujo, ele é sacrificado pela mídia e bancos para garantir o aprofundamento do golpe. Não há contradição em participar de um golpe e posteriormente ser expurgado pelo mesmo. Se analisarmos na história, todos os exemplos de golpes de Estado vamos constatar inúmeros casos semelhantes. Foi exatamente isto que aconteceu em 1964, quando segmentos da direita golpista que apoiaram a derrubada de Getúlio Vargas e João Goulart foram perseguidos e assassinados pelos militares entreguistas. Tais como os políticos e jornalistas Carlos Lacerda e Hélio Fernandes, os mesmo que elogiaram os golpes de 1954, 55 e 1964, logo após foram perseguidos e eliminados politicamente. Lacerda tinha sido o principal articulista do golpe. Participou da primeira reunião dos generais vitoriosos, acreditando que a presidência lhe seria oferecida. Porém, para o imperialismo norte- americano não confiava nele. Teve seu mandato cassado em 1968 com o AI 5 e foi preso. Lacerda participou da Frente Ampla e se uniu a Juscelino Kubitschek e João Goulart, misteriosamente os três morreram entre 1976 e 1977, vitimas de ataque cardíaco (Lacerda e Goulart ) acidente de carro (JK). Hoje, sabe-se que o Presidente João Goulart era monitorado pela Operação Condor, mesmo após manifestação da Comissão Nacional da Verdade, a causa da sua morte ainda não foi esclarecida.

O golpe contra o governo Dilma não foi uma mera articulação de políticos do baixo clero do Parlamento, Eduardo Cunha, Rodrigo Maia e Aécio Neves em conluio com segmentos da burguesia nacional. O centro político dirigente do golpe está sediado no Departamento de Estado dos EUA, o epicentro com aporte de Wall Street (Bolsa de valores americana), com os os monopólios de comunicação, com Judiciário, com militares e segmentos de empresariais associados de maneira subordinada ao Imperialismo para dar o golpe contra o Brasil. Esse golpe visa viabilizar uma agenda econômica neoliberal, extinguir de todos os direitos sociais da população impondo uma agenda antipopular, antisindical e antitrabalhista, mas também de reformular o regime político nacional, enfraquecendo a importância do Estado brasileiro e desestabilizando o país para dominação estrangeira.

Nesse sentido, “A Lei É Para Todos”, nome do filme de quinta categoria propagandista da Lava-Jato, não é usada somente para colocar o Aécio como réu, serve para legitimar a prisão de Lula, não é coincidência, enquanto o STF examinava o processo do Senador Aécio Neves, o TRF-4 negava os embargos da defesa do ex-presidente Lula e concomitante a lava-jato bloqueava os Bens do ex-ministro José Dirceu.

Desde o início da campanha fraudulenta de combate a corrupção, dirigida pela imprensa golpista e a Operação Lava-Jato – operação comprovadamente concebida e financiada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, atuou para agigantar o poder judiciário e reduzir o poder do parlamento.

Não está em debate aqui a qualidade do Congresso Nacional, mas sim a função política do Congresso. É fato que o Congresso Nacional está dominado pelos golpistas, está a serviço desde sempre dos interesses da oligarquia nacional e do imperialismo no Brasil. O Congresso, por conta de tratar-se de um espaço de representação, tem uma difícil condução política, pois sempre há o conflito dos diversos interesses e contradições das forças políticas na sociedade. O Congresso Nacional mesmo com o lobby dos monopólios e apoio das oligarquias possui relevância por conta do voto popular. Estes dois elementos se tornam obstáculos para o projeto do golpe. Podemos constatar, quando o governo golpista Temer propõem uma série de medidas de privatizações e reformas que acabam colidindo com os interesses políticos no parlamento, exemplo a Reforma da Previdência.

Em todo o planeta, a política geral do imperialismo é de esvaziar gradualmente o poder das instituições parlamentares. Tutelando as instituições eleitas as pressões do judiciário, mídia e militares.

Desde o iluminismo, com a constituição da lei dos três poderes, que há uma grande luta da burguesia para dominar o regime político e utiliza-lo contra as outras classes sociais. O regime político burgues republicano tem como alicerce o Congresso, por tanto há uma luta constante para manter o controle sobre o parlamento. Durante o regime autoritário monarquista, o instrumento utilizado pelas classes dominantes da época eram o Judiciário e o executivo forte (no caso o rei). Na história, a Revolução Inglesa e Revolução Francesa constituíram a representação pelo parlamento. Promoveram uma dura luta contra instrumentos que colocam sobre controle o parlamento. Essa história nos ensina que quanto mais instrumentos que limitam a atuação do Parlamento são criados, mais recrudescido será o Regime. Dessa forma, não devemos aceitar a extinção da imunidade parlamentar e do foro privilegiado para chancelar o poder judiciário, tudo isto em nome de campanha fraudulenta de combate a corrupção. Esta campanha já se revelou uma fraude quando em nome do “fim da corrupção” foi realizado um golpe que entregou o Pré-Sal brasileiro para máfia internacional do petróleo.

Dessa forma, tolerar a violação dos direitos políticos da população em nome da “pseudoluta de combate a corrupção” é um suicídio político. O fato é que o STF transformou-se no poder moderador, colocando todos os outros poderes como seus reféns. Supostamente a limitação das garantias parlamentares não seria utilizada contra crimes políticos, o que na realidade é uma farsa. Se criam processos mentirosos para perseguir a oposição politica, se viola a constituição e até mesmo discursos políticos são criminalizados, aparentemente com um viés modernizante, mas na realidade se cria um cavalo de batalha que serve para criminalizar a política através da justiça. Um exemplo deste processo é o inquérito aberto na PGR contra a Senador Gleisi Hoffmann pelo PT/Paraná por entrevista dada a TV Al-Jazira. Posteriormente, parlamentares asquerosos da direita já foram condenados na justiça por discursar, e hoje, essa prática atinge a esquerda.

Desde a derrubada do governo Dilma, estabelece-se um Estado de Exceção, que opera através do judiciário. O regime de maneira acelerada recrudesce, conforme não encontra resistência popular organizada. Infelizmente, a esquerda brasileira que deveria esclarecer a população dos seus direitos democráticos, acaba escravizada pela opinião pública artificial e moldada dentro da tribuna policial do Jornal nacional da Globo. Pois, no seu cálculo eleitoral, falar determinadas coisas perde voto, por tanto, se troca um direito político por uma aparência moralizante, em vez de mobilizar o setor progressista da sociedade e educar as classes populares e trabalhadores dos seus direitos políticos e democráticos.

Ano passado , o STF já chegou a suspender o mandato de Senador do Aécio Neves e decretaram a prisão domiciliar. Anteriormente, o STF já tinha violado a Constituição quando prendeu o Senador do PT Delcídio do Amaral em pleno exercício do seu mandato. Tudo isso sob os aplausos de uma esquerda carcereira e punitivista, que em vez de estabelecer o debate político sério prefere fazer análise de processos judiciais e debater o caráter e a moral dos réus. O caso de Aécio também desmonta o argumento daqueles que criticam a Lava-Jato apenas pela sua seletividade. Afinal, para os fascistas colocar todos na cadeia não é o problema. O Brasil já possui a 3° maior população carcerária do planeta, o STF rasgou a constituição permitindo a prisão em segunda instância e aprofundarou o encarceramento massivo da população.

O debate aqui estabelecido é defender os direitos parlamentares contra a ditadura do STF. O caso de Aécio é claramente utilizado como bode expiatório. Primeiro usam o caso de Aécio Neves para posteriormente colocar em debate os direito parlamentares e sufocar o Congresso. Isso permitirá não só a acensão de uma classe política poderosa e extremamente mafiosa, mas com total poder e parceria da mídia e do judiciário.

Como declarou o Ministro Global Luís Roberto Barroso, a finalidade do judiciário é “corrigir” as escolhas populares; o ministro disse: “já estamos conseguindo separar o joio do trigo; o problema é a quantidade de gente que ainda prefere o joio”, se referindo ao apoio popular ao Ex-Presidente Lula. Então, o caminho trilhado pelo golpe é o sufocamento do peso do voto popular e o controle do legislativo e executivo, tornando o judiciário o inquisidor.

#LulaLivre #LulaValeaLuta #LulaPresoPolitico

Um comentário

Os comentários estão encerrados.