Cem dias de Intervenção Militar no RJ tem resultados desastrosos

Hoje completam 103 dias, desde 16 de fevereiro, que o estado do Rio de Janeiro tem como Governador Interventor o general Walter Souza Braga Netto. Na prática, o general passou a ser o governador do estado, comanda as forças de segurança, algumas secretarias, corpo de Bombeiros e promove decretos do interventor. A intervenção militar está prevista para durar até 31 de dezembro de 2018.

Segundo dados oficiais, a intervenção militar no Rio de Janeiro teve resultados desastrosos. O crime aumentou drasticamente. Crimes não muito frequentes na região, tal como: sequestros, assaltos a banco, explosão de caixa eletrônico e assalto a carros-fortes cresceram. Podemos definir a Intervenção do Exército no Rio em três pontos: reconfiguração do crime organizado com o avanço do PCC e a monopolização das milícias, a violação de direitos democráticos da população e um excelente balão de ensaio para o avanço dos militares no poder do Estado brasileiro.

Em última instância, foram os militares responsáveis pelas condições que levaram a execução da Vereadora Marielle Franco (responsável por monitorar a Intervenção no RJ) e de seu motorista. A maior operação de repressão dos militares durante a Intervenção levou a prisão 150 suspeitos de compor milicias em uma festa em Santa Cruz, posteriormente ficou comprovado que o Exército prendeu indiscriminadamente inocentes para legitimar uma intervenção. Pelo menos 137 inocentes permaneceram encarcerados em prisão preventiva em Bangu por 19 dias.

Em abril de 2018, foi registrado um aumento de 15,6% (1.502 casos) na taxa de tiroteios no estado, segundo o Observatório da Intervenção, projeto coordenado pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), da Universidade Cândido Mendes. Já os casos de chacina duplicaram durante a Intervenção. Foram registradas 12 chacinas com 52 morto. Segundo levantamento da Secretaria de Segurança Pública, o número de mortes aumentou 19% (152 mortes no apenas no mês de abril). Desaparecimentos, autos de resistência (assassinatos promovidos por policiais), denúncias de torturas e abusos de autoridade cresceram.

Com o golpe que rasgou a constituição derrubando a Presidente Dilma sem crime de responsabilidade, militares e policiais estão com carta branca para atuar a revelia da legalidade, como afirmou o próprio Comandante do Exército, General Eduardo Villas Boas: “os militares precisam ter garantia para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade (Comissão criada pela Presidente Dilma para investigar os crimes durante a Ditadura Militar)”.

Financeiramente a Intervenção é outra tragédia. O governo golpista Temer garante o financiamento à Intervenção através de recursos públicos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e via BNDES. Até o momento, a intervenção consumiu ordem de R$ 3,1 bilhões, sendo R$ 1,6 bilhões para quitar dívidas e R$ 1,5 bilhões para as ações de 2018. Porém, nenhum plano financeiro foi apresentado em todos esses meses.

Anúncios

Um comentário

Os comentários estão encerrados.