O ESTADO BRASILEIRO SEQUESTROU LULA, FAVORITO PARA PRESIDENTE, E O MANTÉM REFÉM

Texto escrito pela companheira Christiane Granha

A papelada envolvida: despachos, sentenças, ordem de prisão, mandados, liminares, etc. faz a gente até pensar que se trata da aplicação de alguma lei. Mas não há mais lei neste “vale tudo” pra tirar o PT da presidência e evitar que volte.
Logo, se trata de força. Ou a política por outros meios: guerra.
A contradição é que as medidas de força do Estado pra evitar que o PT esteja no poder, também obrigam o Estado Brasileiro a romper com o único vínculo que o justificaria existir que é a emanação do poder popular. Se na deposição – sem crime- de Dilma já tinha sido aberto este fosso entre os poderes instituídos e o poder que emana do povo, o aprofundamento da crise institucional, a cada dia de Lula preso, ganha maior velocidade. Para destruir o PT, estão destruindo a própria institucionalidade.

Minha opinião é diferente dos que acham que a única saída que temos é salvar o Estado assegurando o nosso comprometimento com as eleições deste ano. Não vejo o que salvar num Estado terrorista, assassino, criminoso e sequestrador. A necessidade do PT voltar ao governo é salvar a nação, que está sendo destruída pelo Estado e emanar o poder do povo, que é quem tem o direito não só de escolher quem o representa na presidência como também quais são as instituições que devem existir e como devem funcionar. Portanto a crise só poderia ter uma saída eleitoral se for possível que, via eleições, se entregue aquilo que é necessário: Lula Livre e Presidente, restaurando o vínculo entre o poder que emana do povo e aqueles que o exercem em seu nome.

O fato de, na Guerra contra o PT, terem chegado a tal ponto de derretimento do próprio Estado e seus poderes, por sua vez, indica que as forças atuando contra o PT são exteriores ao país e o golpismo brasileiro continua sua trajetória de enclave do governo estadunidense que não demonstra recuar da destruição do país, assustando até mesmo alguns setores que compactuaram com o Golpe em Dilma.

A aceleração da velocidade de liquefação das instituições do Estado, a cada dia de Lula preso, obriga até quem aposta nas eleições como saída estabilizadora a não ter outra saída que não seja a liberdade imediata de Lula. Porque eleições sem Lula só aumentarão a contradição entre a vontade popular e a forma jurídica do Estado, aprofundando a ingovernabilidade do país.

O que me leva a perguntar porque não lutar para resolver esta crise já, usando como alavancagem nas negociações com os sequestradores de Lula o fato de que o mandato atual para presidente foi dado ao PT e que, se o respeito do PT às ordens das atuais instituições não tem adiantado, o PT pode convocar seus filiados e orientar a militância petista a participar das assembléias das categorias profissionais defendendo a organização de uma grande greve geral que restaure a liberdade de Lula e um governo imediato do PT, anulando o impeachment e todos os efeitos do Golpe?

Se a pergunta que fiz já contém nela uma posição justa que encontra respaldo na militância (que não quer deixar ninguém pra trás), a pergunta passa a ser: o que falta para esta posição de luta se organizar no interior do PT e nos fóruns de luta unitários e passar a se expressar como o que é, uma saída para crise que não depende do nem do golpismo, nem das instituições do Estado? Mas que, se vitoriosa, favorece a eleição dos candidatos e candidatas de esquerda e, se não vitoriosa antes das eleições, continua necessária enquanto Lula estiver preso e o impeachment e seus efeitos não anulados.

Liberdade para Lula e Anulação do Impeachment, nesta conjuntura, é o que vou chamar de bandeiras “supra-eleitorais”, que não se chocam com as movimentações eleitorais em curso, e portando com o maior potencial de aglutinar a unidade dos que lutam contra a violência institucional.

De forma que eu, que não acredito mais em dedos em riste e soluções milagrosas dadas por quem não pode aplicá-las, só tenho a propor que a militância que luta pela Anulação do Impeachment e pela Liberdade de Lula se unifique e dê passos concretos, na vida real, para unificar as ações políticas e organizativas até que Lula seja libertado e o impeachment anulado.

No Rio, o Comitê Volta Dilma RJ Volta Dilma RJ tem, desde sua fundação, se constituído como um espaço de unidade e não abandono dos companheiros e companheiras vítimas da violência do Estado.

Nos dias 27 e 28 de julho, o Comitê realizará sua terceira plenária que será um espaço de construção da unidade para além das eleições, mas desde agora. Estão todos e todas convidados independente dos seus projetos eleitorais, reafirmando o direito a que as posições políticas de cada um ou uma possa se expressar em todos os espaços, inclusive nas eleições. Para quem tem urgência em agir e quer ajudar a organizar a plenária do comitê como um espaço de unidade “supra-eleitoral”, a reunião do Comitê nesta semana será na terça-feira, dia 10, às 18:30 na CUT-RJ, onde também serão organizadas as panfletagens da semana.

#LulaLivre
#AnulaGolpe

Christiane Granha é ex-petroleira, militante do Partido dos Trabalhadores, Circulo Anderson Luís e do Comitê Volta Dilma Rio de Janeiro.

Anúncios