A política reacionária do PSDB de bajulação dos EUA

A diferença de tratamento dada pelo Itamaraty, sob comando do golpista Aloysio Nunes (PSDB/SP), entre os países imperialistas e os países subdesenvolvidos é gritante. Por exemplo, no mês passado, o Cônsul Geral do Brasil nos Estados Unidos, Felipe Santarosa, confirmou que pelo menos 49 crianças brasileiras, em um total de 2 mil crianças latinas, estavam separadas de seus país e presas nos Estados Unidos, como resultado da política anti-imigração do governo Trump. Não houve protestos do Ministro Aloysio Nunes diante desse tratamento desumano dada as crianças brasileiras, porém, o ministro golpista reagiu de maneira agressiva quando uma brasileira morreu vítima da violência na Nicarágua, ameaçou o país com represarias, denúncias na OEA (Organização dos Estados Americanos) e no Tribunal Internacional de Direitos Humanos, ingerindo sobre a determinação do estado nicaraguense.

Agora, no último sábado, dia 04 de agosto, o Chefe de Estado da Venezuela, o presidente democraticamente eleito Nicolás Maduro, foi vítima de tentativa de assassinato por meio de um atentado terrorista, fato que passou despercebido por um silêncio cúmplice do governo golpista do Brasil, que sempre está em prontidão para acusar a Venezuela de violação dos direitos humanos, mesmo sendo o Brasil o país que mais assassina defensores do direitos humanos no continente.

Em 2016, no início do impeachment sem crime de responsabilidade, a maior crítica do PSDB a política externa dos governos petistas consistia na cínica acusação de “ideologização” das relações exteriores. Dois anos e meio do inicio do golpe, a política externa do PSDB baseia-se no restabelecimento da subordinação passiva ao colonialismo e com o imperialismo dos Estados Unidos e Europa.

Durante todo o século XX, o principal parceiro comercial do Brasil foi os Estados Unidos. Até 1970, cerca de 85% das exportações brasileiras eram com os norte-americanos e a Europa, causando prejuízos ao Brasil na balança comercial e crescimento da dívida externa. Houve uma radical mudança nos governos Lula e Dilma, em 2010, 50% das exportações brasileiras eram comercializadas com países da América Latina, África e Ásia. Em 2012, a China tornou-se o primeiro parceiro comercial do Brasil.

Hoje, a política de subordinação da soberania nacional brasileira aos interesses das multinacionais fica visível nas primeiras ações do ex-ministro golpista das Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP), que aprovou através de lobby de petroleiras internacionais, com um projeto de lei elaborado dentro da consulado dos EUA no Rio de Janeiro (conforme provam documentos diplomáticos vazados por Edward Snwoden). A nova lei de partilha do Pré-Sal tem desdobramentos terríveis para economia nacional (desmonte da industria nacional, fechamento de estaleiros, privatização de gigantescas reservas de petróleo, desemprego e prejuízos para a Petrobras, entre outras). Os golpistas foram mais longe nas suas agressões ao país do que na época do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2000).

Para despolitizar o debate sobre as relações exteriores brasileira, o PSDB durante anos fez a propaganda contra a “ideologização”, como fosse possível traçar um projeto para o país sem entrar no debate entre neoliberalismo (representado pelo PSDB) e a opção desenvolvimentista (representada pelo PT). A política externa é uma política pública, ou seja, está sujeita a correlação de forças na luta de classes e as mudanças geopolíticas internacionais.

Um exemplo dessa política danosa é o caso venezuelano. Em 2012, Brasil e Venezuela possuíam o comércio bilateral de US$ 6,053 bilhões (exportações brasileiras de US$ 5,056 bilhões e embarques venezuelanos no total de US$ 997 milhões), com o golpe, os números de 2017 foram os piores dos últimos doze anos. A queda foi da ordem de 34,64%. O motivo se deve a guerra econômica aplicada por Washington contra a Venezuela. O governo brasileiro, seguindo as orientações da Casa Branca, instiga a crise na região aplicando sanções contra o país vizinho.

Por sua vez, durante os governos Lula e Dilma, o Estado brasileiro teve uma política que visava garantir o fortalecimento da integração regional latino-americana, o multilateralismo e em grande medida travou oposição contra o imperialismo, mas dialogava com todos os países. Essa política garantiu enormes ganhos econômicos para o Brasil.

Dado esse contexto, não há margem de dúvida que a principal motivação para o golpe de estado no Brasil foi de ordem geopolítica. Fato que decorre da forte alteração do impacto geopolítico, onde o governo PT teve papel protagonista para contribuindo com o fortalecimento do ciclo de governos progressistas na América do Sul, para a criação dos BRICS e a organização do Banco de Desenvolvimento dessa entidade.

É claro que essa política externa independente não pode ser retomada sem derrotar o golpe no Brasil e enfrentar os interesses da classe dominante brasileira, que tem completa dependência financeira do imperialismo. Devemos lembrar que a CNI e a FIESP foram as grandes opositoras para entrada da Venezuela no Mercosul e a ampliação do bloco, porque via uma ameaça à agenda externa dado o anti-imperialismo dos governos Chávez e Maduro. Essa fração jamais aceitará um confronto mais aberto contra o imperialismo dos Estados Unidos e União Europeia, sendo um grande empecilho para a integração latino-americana e políticas de distribuição de riqueza no Brasil.

Por essa ração é fundamental eleger Lula Presidente e retirar-lo do seu sequestro politico em Curitiba. O presidente Lula é o favorito nas pesquisas eleitorais e o único capaz de derrotar o PSDB. Caso contrário, o golpe de 2016 será consagrado com as eleições fraudadas de 2018 e resultará inevitavelmente em uma postura mais agressiva e subordinada da política externa do PSDB, incluindo em apoio direto as guerras imperialistas, principalmente em uma agressão contra a Venezuela.