Brasil se endivida comprando armamento para agredir a Venezuela.

Na última quinta-feira, dia 06 de setembro, desembarcaram no Porto de Sepetiba no Rio de Janeiro, 20 Carros Lagarta Anfíbios (CLAnf). Do porto, os anfíbios seguiram para o Batalhão de Viaturas Anfíbias, localizado em São Gonçalo. No batalhão os carros receberam nova pintura e foram instalados os equipamentos operativos (rádio, radar etc).

A entrega dos anfíbios é o segundo dos três lotes comprados pela Marinha do Brasil após contrato firmado com a Marinha dos Estados Unidos. O Brasil pagou US$ 82 milhões pela compra de 23 veículos. O primeiro carro chegou ao Brasil em maio de 2017, e a previsão é que os dois últimos carros cheguem em 17 de setembro deste ano, na base Aérea do Galeão.

Em 22 de agosto, chegou na Base Naval da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, Porta-Helicópteros britânico comprado por 84 milhões de euros (cerca de R$ 440 milhões). O Navio de guerra tem capacidade para operar com até 17 helicópteros. A embarcação tem 20 anos de operação, foi utilizado nas guerras do Kosovo em 1999, Serra Leoa em 2000, invasão ao Iraque e à Líbia em 2011. A unidade é equipada com radar 3D, porém o pacote não prevê transferência da tecnologia.

Desde o golpe de 2016, mais especificamente a partir da Operação Amazonlong17 (realizada em outubro de 2017 na Amazônia), o Brasil fechou uma série de acordos de cooperação tecnológica e militar com os Estados Unidos, incluindo a atualização do sistema antimísseis e antiaérea da Amazônia.

O processo de rearmamento brasileiro com equipamentos obsoletos europeus e norte-americanos não é por acaso. Essa política está inserida na estratégia de realinhamento do Brasil à esfera de influência dos norte-americano, ao passo que a indústria militar nacional é desmontada (tal como a Embraer), há um boicote ao programa nuclear brasileiro (via Lava-Jato) e a violação da soberania nacional com a entrega das riquezas minerais, energéticas e florestais.

A visita do Secretário de Defesa dos EUA ao Brasil, James Marttis, é muito significativa para expressar essa política colonialista. O principal objetivo dos nortes-americanos é boicotar a presença da China no continente. Assim, querem garantir o controle geopolítico dos países da região.

Nas últimas duas décadas, com o ciclo de governos progressistas e nacionalistas na América Latina, a região tem tido uma parceria crescente com os chineses que possuem numerosos investimentos em programas de infraestrutura e cooperação tecnológica. Dada a grave crise econômica nos EUA, o país não possui capacidade de competição com os chineses. Por esse motivo, os imperialismo dos EUA tem somente uma opção: realinhar a América-Latina através da força. Para isso usam golpes parlamentares, militares, guerras econômicas e a cada vez mais provável invasão militar à Venezuela.

Marttis foi categórico ao afirmar que o Brasil e a Colômbia (recentemente ingressada na OTAN) devem “liderar” os países da região para “restabelecer a democracia” e resolver a “crise humanitária” na Venezuela, mesmo que seja necessário utilizar a força. Enquanto isso, Brasil, Argentina e Colômbia estão esvaziando importantes espaços de articulação multilateral, tal como a UNASUR e MERCOSUL. A Cúpula Militar da Unasur, que estabelecia cooperação entre as Forças Armadas dos países latinos, é combatida pelos governos golpistas e serviçais aos interesses estrangeiros.

Esses setores serviçais ao imperialismo, estimulam a extrema-direita para promover ataques na fronteira venezuelana, causando inclusive mortes de civis. Enquanto as tensões políticas crescem, os governos golpistas da Colômbia e Brasil, sob o falso pretexto de controlar o fluxo de imigrantes, estão militarizando a fronteira com a Venezuela.

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