Voz Operária RJ entrevista Robson Leite

“(…) Esse pacote do ajuste fiscal é um escândalo que está sendo submetido ao Rio de Janeiro. É que eu chamo de “pacote de chantagem fiscal”, que obriga a privatização das nossas estatais e a contrapartida é na verdade a suspensão do pagamento das dívidas do Estado. Porém, os juros continuam incidindo sobre o montante. O problema é para o próximo governo. Não há saída da crise, não há governador ou governadora que resolva essa questão sem realizar a mudança do projeto que está em curso no Brasil hoje, um projeto golpista e ilegítimo do governo Michel Temer que deve ser interrompido já.”

Afim de fortalecer as candidaturas daqueles que combatem o golpismo no nosso país, o Voz Operária RJ vem solicitando entrevistas com vários candidatos às várias instâncias no nosso estado. O companheiro Robson Leite, 13013, foi um dos que se dispuseram a conceder entrevista, mesmo durante a conturbada agenda eleitoral.

Em nome dos leitores, agradecemos pela oportunidade de conhecer as propostas da candidatura do deputado estadual pelo PT, Robson Leite, 13013.

Voz Operária RJ: Qual é o papel da sua campanha para eleger as candidaturas majoritárias do PT, a governadora Márcia Tiburi e o presidente Fernando Haddad ?

Robson Leite 13013: Estamos vivendo um momento de exceção, de golpe, e temos a oportunidade de darmos uma resposta à altura, nas urnas, no dia 7 de outubro. A candidatura do Lula conforme a ONU declarou, por duas vezes, é uma candidatura correta e legítima que vem sofrendo ataques do sistema jurídico brasileiro que a todo custo legitimar um projeto que está em curso. O projeto, que iniciou com um golpe, é o projeto evidentemente contrário aos interesses da classe trabalhadora. Esse projeto fracassou, o golpe fracassou, a população já compreendeu e a resposta é o desejo de votar no Lula. No Brasil, tem sido histórico essa transferência de votos, a candidatura do Haddad é uma realidade. Isso significa dizer que nós estamos próximos de fazer uma virada estratégica no jogo político e, logicamente, há influência em nossas candidaturas proporcionais ao governo do estado e à presidência. Nós estamos vivenciando isso. No momento, a candidatura da Márcia é importantíssima. A única mulher candidata, uma figura extraordinária, uma brilhante intelectual que tem um programa de governo considerado como o melhor do Rio. Estamos a 3 semanas* das eleições do Rio, tenho convicção que a gente vai crescer muito. A Marcia Tiburi é uma figura que não é da política tradicional, mas ela não nega política, é a única candidata capaz de reivindicar a politização do processo. É a única que denuncia o golpe entre os candidatos do governo do RJ, a maioria dos candidatos estão ligados ao golpe e no ambiente das candidaturas de esquerda é a que tem maior representatividade para denunciar o golpe misógino e machista contra Dilma e hoje um golpe contra a classe trabalhadora e a absurda tentativa de impedir que Lula seja candidato.

Voz Operária RJ: A lava jato trouxe grande revés para economia Fluminense. Desmontou a indústria naval e atingiu duramente a Petrobras, impactando o setor de petróleo e gás, refletindo um quadro de desemprego. Como o companheiro relaciona este processo com a crise do RJ e quais são os impactos imediatos no Rio de Janeiro, mais especificamente para a população de Jacarepaguá?

Robson Leite 13013: O Rio de Janeiro é palco do projeto e da experiência do projeto neoliberal do governo Temer. Aqui é o epicentro da crise, onde as coisas estão acontecendo e irradiando para restante do país.Esse pacote do ajuste fiscal é um escândalo que está sendo submetido ao Rio de Janeiro. É que eu chamo de “pacote de chantagem fiscal”, que obriga a privatização das nossas estatais e a contrapartida é na verdade a suspensão do pagamento das dívidas do Estado. Porém, os juros continuam incidindo sobre o montante. O problema é para o próximo governo. Não há saída da crise, não há governador ou governadora que resolva essa questão sem realizar a mudança do projeto que está em curso no Brasil hoje, um projeto golpista e ilegítimo do governo Michel Temer que deve ser interrompido já.

A emenda constitucional 95 que congelou os gastos públicos por 20 anos deve ser revogada porque ela perpetua e aprofunda a crise de geração emprego e renda e salário no Brasil e no Rio de Janeiro. Tem outro componente: a lava jato. Ela veio para sucatear a Petrobras e acabar com os empregos no Rio de Janeiro. Por exemplo: um gerente de uma empresa tem a gestão de um contrato e, por acaso, a empresa que ele faz parte está trocando a gestão da obra da refinaria e por isso recebe a ordem judicial para suspender os pagamentos daquela empresa. Por sua vez, a empresa não aguenta honrar com os compromissos de pagamento de pessoal, e após um, dois, três meses sem receber recursos decide suspender os projetos. Por sua vez, o gerente não tem como abrir outra licitação por existir um contrato em vigor e ele não pode continuar os pagamentos, porque senão ele vai preso por ordens dos juízes de Curitiba.

É uma situação delicada feita para tirar os empregos do Rio de Janeiro e sucatear a indústria naval no Rio de Janeiro. E propiciou, de certa forma, acabar com conteúdo local. O viés jurídico interveio na política porque a solução encontrada pelo Governo, e pela lava-jato, foi contratar empresas estrangeiras. Então o governo Temer gera muito emprego, em Singapura e na China, em detrimento do emprego na capital e região metropolitana do Rio de janeiro.

É lastimável viver nesse momento em função de interesses de uma elite que não compreende a necessidade de se constituir um projeto de nação, que não compreende a necessidade em se incluir os mais pobres e não compreende a indispensável construção política de redução da desigualdade. Não há projeto de nação sem redução da desigualdade.

Vocês falaram sobre a questão de Jacarepaguá. Hoje o trabalhador ou trabalhadora de Jacarepaguá sofre em função do transporte público. O setor de transportes no Rio de Janeiro atende os interesses da Fetrans porque [eles] financiavam campanhas como forma de se perpetuar no poder. Foi o que a gente descobriu em todo esse processo do PMDB quando governou no Rio de Janeiro.

Por isso, a gente apresenta nossa candidatura, com chances reais de vencer as eleições, para defender os interesses da classe trabalhadora. Para criar conforto para quem mora em Jacarepaguá, no estado, na região metropolitana, no interior, e quem evidentemente sofre com essa visão do PMDB que há mais de 20 anos de governo nesse estado, e que tem uma visão muito elitista. Vejam bem, as obras do metro que ligaram a Barra da Tijuca à Copacabana custou quase 9 bilhões de reais. A mesma que atende a essa Elite. Por que não investiu em outra área? Por exemplo, com menos de 20% do que foi gasto, poderia transformar esses trens da SuperVia em metrô de superfície que atenderia a mais trabalhadores. Existem vários “Brasis” no Rio de Janeiro. Tem o Brasil do Leblon, e tem o Brasil do Gogó da Ema, na Cidade de Deus. Uma comunidade esquecida por esses governos que só pensam em concentração de renda. Ao mesmo tempo que tem a taxa de desemprego recorde no Rio de Janeiro, dois pontos percentuais acima da média nacional, 1,2 milhões de trabalhadores desempregados.

A gente precisa ampliar e eleger os candidatos da frente democrática popular, que tem o nosso compromisso e a nossa identidade, para barrar o golpe e retomar o projeto que estava em curso, que foi ceifado por esse golpe. Não é à toa que o Lula já liberava as pesquisas com muita folga, apresentando uma vitória histórica que iria superar 60 e 65%. Ouso dizer para vocês, estamos há 3 semanas das eleições. Eu não duvido que o Haddad se não ganhar no primeiro turno, vai faltar muito pouco. Vai para o segundo turno com uma diferença muito grande no segundo turno. A disputa que se dá hoje na direita é quem vai enfrentar o Haddad no segundo turno.

Voz Operária RJ: Com o Golpe de Estado agravou-se a crise social, à secretaria de assistência social do município registrou mais de 17.000 moradores de rua. Outro aspecto da crise social é o aumento da violência. Grupos armados de São Paulo, mais especificamente o PCC, está disputando territórios e promovendo conflitos armados com intuito de formar cartéis de drogas, armas e demais atividades ilícitas, criando assim um novo cenário de reconfiguração do crime no Rio de Janeiro. Enquanto isso, o Estado impõe ao povo a intervenção militar, dando ao General Braga Netto, o poder de interventor do Estado do RJ. Queremos saber, qual o compromisso da sua candidatura com a questão da segurança pública, no intuito do combate à formação de cartéis.

Robson Leite 13013: Esse jovem que está com fuzil na mão é a consequência de um problema o que levou ele para o tráfico. Qual é comunidade que ele está inserido? Será que ele tem família tem pai tem mãe será que um dia ele foi para escola? Qual é a visão de sociedade que foi concebida para ele? O problema deve ser enfrentado é evidentemente pela educação, pela construção de oportunidade geração de trabalho, emprego e renda.

O Brasil possui a terceira maior população carcerária do mundo porque somos o país que mais encarcera no mundo e temos a maior taxa de homicídio do mundo e que não para de crescer. Ou seja, está errado. Se você não mudar a visão, se você não colocar outro grau de concepção de como é e como se enfrenta a violência, vai continuar piorando o que está acontecendo. A intervenção militar fracassou por isso. E por isso que queremos uma outra política de segurança pública, uma que entre nas comunidades, com o viés da cidadania, da educação e da cultura.

Voz Operária RJ: o companheiro falou que o PT tem um projeto de sociedade. Então, qual é a importância do movimento sindical e dos trabalhadores se engajarem na construção do partido?

Robson Leite 13013: Um dos principais pilares dos golpistas foi criar uma estrutura de criminalização da política, do movimento sindical e da participação dos Trabalhadores no sistema político. Esse é o objetivo deles. No golpe de 64, Paulo Freire foi o último preso político a ser anistiado no final dos anos 70 e 80. Por quê? Porque o projeto dele ameaçava a ditadura, conscientizava, criava uma massa crítica. A pedagogia do oprimido e a Pedagogia da Autonomia tinha essa característica, a emancipação e libertação do povo trabalhador através da alfabetização e da educação. Se a gente precisa na verdade de consciência, a consciência se dá através da politização, do jovem compreender o papel dele na sociedade, como elemento transformador e questionador da realidade em que ele vive. A gente precisa corrigir as distorções, criar mecanismos de participação popular, promover mais plebiscitos e referendos, convidar cada vez mais a classe trabalhadora à participar da política, participar dos partidos, debater e discutir qual projeto que ela quer.

Voz Operária RJ: Chegamos ao final da entrevista, agradecemos sua participação. Gostaria de deixar alguma saudação?

Robson Leite 13013: Parabenizar o comitê de luta contra o golpe Jacarepaguá, parabenizar o jornal Voz Operária, pelo papel que executam sobretudo em uma mídia democrática. A gente precisa democratizar os meios de comunicação. Democratizar as estruturas de acesso à informação é indispensável na construção e no fortalecimento da democracia. A luta popular precisa disso. A grande mídia não quer o interesse dos trabalhadores. Nós estamos vivendo um momento de luta. Evidentemente devemos valorizar instrumentos de comunicação. O movimento sindical precisa do trabalho de vocês, precisa do jornal de vocês. Precisa dos meios de comunicação incentivados e valorizados, como alternativa a essa mídia que deve ser regulamentada imediatamente. Regulamentação da mídia não é censura. Pelo contrário, é impedir que haja censura inclusive do grande capital, que pauta os jornais de grande circulação nesse país.

Os bancos financiam a grande imprensa e a grande imprensa está a serviço dos interesses dos bancos, que bateram recorde de lucro. “O Brasil quebrou”, é assim que eles dizem? Quebrou só para alguns, porque tem 382 Bilhões de dólares em reservas cambiais. Isso corresponde à um terço do PIB. Isso é um escândalo. O déficit do Rio de Janeiro está estimado em 19 bilhões de reais. O modelo de partilha do pré sal arrecadou esse valor durante o processo de prospecção da Petrobras. O Fundo Social soberano arrecadou 20 bilhões de reais. Em muito pouco tempo atingiríamos os 400 bilhões de reais que seriam investidos em saúde e educação. E evidentemente o capital não quer isso. Ele quer ser apropriar da renda pública da renda do trabalhador. Por isso o trabalho de vocês é importante.

*A entrevista foi concedida pelo companheiro no dia 20 de setembro de 2018

Conheça mais o companheiro Robson Leite 13013:

No Facebook: https://www.facebook.com/robsonleiteprofessor/

No Youtube: https://www.youtube.com/user/feepolitica

Site da campanha: http://www.robsonleite.com.br/novosite/

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