O "Antipetismo" de direita e "esquerda" deve ser derrotado.

A imprensa e alguns setores da sociedade alimentam a retórica de que existe no Brasil um forte “sentimento antipetista” disseminando, segundo esta tese, “a aversão com relação ao Partido dos Trabalhadores e atrapalhando o desenvolvimento de uma oposição sadia”. É evidente para nós que a tese do “antipetismo” não encontra base na realidade.

Nesse texto não entraremos em uma discussão teórica sobre o termo “antipetismo”, mas tentaremos explicar o seu desdobramento político. Essa tese não é apenas o ódio mortal ao PT e seus militantes, não é uma crítica racional e honesta, nem é uma oposição democrática ao projeto defendido pelo Partido dos Trabalhadores. O “antipetismo” é antes de tudo uma reação da classe dominante às mudanças sociais, econômicas e políticas promovidas pelo PT.

O udenismo (a política histérica, irracional e moralizante que caracterizava a UDN – União Democrática Nacional) está no DNA dessa tese. Ao longo da história nacional, a aversão ao PT já vestiu outras roupagens, sendo chamada de: “antigetulismo”, “antibrizolismo” e “anticomunismo”. É detrás dessa fachada que se esconde o racismo da classe dominante brasileira, com seu projeto de escravidão nacional e da classe trabalhadora aos interesses das transnacionais.

Durante os 12 anos de governo PT, interrompido pelo golpe de 2016, empregadas domésticas obtiveram direitos trabalhistas, a classe operária obteve aumento real do salário minimo, o país viveu a realidade de pleno emprego e jovens negros foram a primeira geração, desde os ancestrais escravos, que conseguem ingressar na Universidade. O país tornou-se referencia mundial no combate à fome e ocupou a 6° posição entre as potências econômicas. Na diplomacia mundial, o Brasil trilhou caminho da independência, autonomia e fortaleceu organismos multilaterais (com a África, América Latina e os BRICS). Por tudo isso, o ódio ao PT é por contra do seu projeto político e social de transformações.

A “crítica” é tão irracional que a classe dominante ainda ousa afirmar que em 12 anos de governos petistas estes não realizaram mudanças. Culpam um só partido pelos erros históricos de toda sociedade brasileira, que mantém a estrutura militarista, escravagista e racista ao longo de cinco séculos. Cabe lembrar que o Brasil foi o último país a libertar os escravos no mundo, o último a fundar a sua primeira universidade no continente e a formar uma República. Somente em 1988, com a Constituição Cidadã, que foi permitido o voto aos analfabetos, ou seja, o voto aos negros que sempre foram excluídos do sistema de educação. O autoritarismo é a regra na sociedade Brasileira. Foram apenas 47 anos de democracia em mais de 518 anos de história. Segundo a ONU, o Brasil é o 5° país mais desigual do planeta, 5 bilionários brasileiros tem a mesma riqueza que 50% da população. O fato é que 12 anos de governo PT foi um período histórico muito curto para realizar as reformas e transformações estruturais necessárias.

Porém, o principal fator do ódio ao PT se deve a sua origem de classe. Diferentemente dos outros 35 partidos existentes no país, o Partido dos Trabalhadores foi forjado na luta e herdando a experiência do movimento camponês e operário. Com este lastro histórico, o PT emerge das lutas operárias da década de 1970 contra a Ditadura Civil-Militar. Passando pela redemocratização e resistindo aos governos neoliberais da década de 1990, o PT chega ao governo em 2003, após perder 4 eleições e em meio à efervescência política, para assim libertar o nosso povo da fome e da escravidão da ALCA e FMI. O “antipetismo” é o ataque da classe dominante (e da pequena-burguesia) que tem repulsa em ver pobres, negros e favelados organizando-se politicamente e podendo de forma coletiva influir nos destinos da nação. Esse é um crime imperdoável!

Os ataques contra o PT são mais forte exatamente por ser maior partido de esquerda e a última trincheira de resistência ao golpe. Mas o ódio da direita golpista se estende de forma igual à todos militantes e organizações do campo da esquerda.

Marielle Franco, militante do PSOL, tornou-se alvo e simbolo dos ataques fascistas contra os direitos humanos e a militância das favelas. Marcelo Freixo, quando candidato à Prefeito do Rio em 2016, foi atacado por uma onda de fake news disseminadas pelo candidato dos neopentescostais. A campanha de Crivella (hoje apoiador de Bolsonaro) afirmou que Freixo financiou os black blocs, que roubou dinheiro da família de Amarildo, entre outras bizarrices que foram exponitencializadas contra a campanha Haddad. Em todo o país dirigentes do MST são assassinados e a violência contra as principais organizações dos trabalhadores, CUT, UNE, MST e MTST só crescem.

Diante de um inimigo maior, a “esquerda” consentida pelo golpe já está fazendo o trabalho de disseminar o ódio contra o Partido dos Trabalhadores. Única e última força política com capacidade para enfrentar o golpe de estado.

O principal ataque parte do PDT que cobram única e exclusivamente uma autocritica do PT. Esse partido se esqueceu que foram governo junto com o Partido dos Trabalhadores e em nenhum momento, mesmo estando no Ministério do Trabalho do início ao fim, com o senhor Carlos Lupi, nunca se propuseram, a pro exemplo, recriar e obedecer as normativas da OIT sobre o trabalho com instabilidade no emprego, proteção para os trabalhadores no movimento sindical ou dialogar com o movimento social. Esse mesmo partido, na constituinte de 1988, tinham membros no centrão e fortaleceram o golpista Paulinho da Força e sua central sindical traidora, a Força Sindical.

Sua maioria dos senadores votaram pelo impeachment de Dilma, pela entrega do Pré-Sal e Intervenção Militar no Rio de Janeiro. O PDT tenta surfar de forma oportunista, como fosse um partido sem erros em um momento de fragmentação politica, o que é mentira, já que a maioria dos seus candidatos do PDT que concorreram o segundo turno para governador apoiaram o Bolsonaro. Ao contrário do que vem afirmando esse partido, Bolsonaro não foi criado pelo Partido dos Trabalhadores e nem por qualquer outra organização de esquerda. Mas é sim um político medíocre que mudou sua linha ideológica depois de uma viagem aos Estados Unidos, sendo alimentado e apoiado integralmente pela burguesia brasileira e Estados Unidos.

Esses setores recusam-se a enxergar que vivemos um golpe de Estado que se aprofunda a cada dia. Querem hoje construir uma frente de oposição à Bolsonaro sem o PT, dividindo as forças populares e patrióticas e servindo de elemento de confusão. Atacam o PT de olho nas eleições de 2022, acreditando que do caos implementado pelo governo Bolsonaro irá surgir a redenção de um governo democraticamente eleito. Esquecem que o regime político está se fechando e a saída da situação atual depende exclusivamente da Luta de classes.

Conforme o golpe ataca a classe trabalhadora, ela recorre ao PT para se organizar e resistir. Conforme o golpe ataca o PT, suas bases se educam e percebem o limite da estratégia de disputa institucional, guiado o partido cada vez mais à esquerda. Contra essa tendência de radicalização que a “frente centrista” se opõem. Querem recolher os cacos do centro político que se desintegrou com o fenômeno da polatização, colaborando pois com os ataques ao PT.

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