A queda da república de 1988. A nova Ditadura Militar é uma ameaça para todos

Em 02 de fevereiro de 1933, o jornal alemão Zeitung noticiou a chegada de Hitler ao cargo de Primeiro-Ministro para a comunidade judaica alemã com a seguinte capa: “Ele é louco, mas não vai ser tão ruim assim… afinal, nós somos uma democracia e a Constituição irá detê-lo!” A análise se comprovou errada, diante dessa história que, volta a se repetir em outra época e no Brasil.

Esse “limite” as arbitrariedades dos fascistas não serão impostas pelas próprias instituições do Estado. Primeiro pelo fato que a escolha de Moro, líder da Lava-Jato, para Super-Ministro da Justiça significa a institucionalização do sistema Lava-Jato, que nada mais é que a instrumentalização do judiciário para promover a perseguição política e o ativismo fascista nas instituições sob o guarda chuva da fraudulenta campanha contra a corrupção.

Posteriormente, a aprovação do Impeachment sem crime de responsabilidade, que derrubou o governo legitimamente eleito da presidente Dilma Rousseff e a prisão política sem crime e sem provas do Presidente Lula, foram a coroação do processo que rasgou a Constituição de 1988. Dessa forma, aprofundando a crise política, econômica e o colapso das instituições da República.

Desde de 1988, mas em especial a partir do golpe de 2016, modificou-se muito a Constituição brasileira. E a modificou para piorá-la. Principalmente para retirar direitos e garantias constitucionais. Já foram realizadas mais de 100 emendas (PECs). É a constituição mais emendada de toda a história nacional. Lideram a lista de ataques contra o povo a nefasta PEC 55, que congela os investimentos públicos em saúde, educação e infraestrutura por 20 anos, a Reforma Trabalhista que revogou direitos essenciais na CLT, as mudanças no marco regulatório do Pré-sal e a reforma do ensino médio, além das medidas de ataque à liberdade sindical e a criminalização das organizações políticas. Todos esses ataques apoiados pelos militares.

É muito estranho que hoje setores democráticos e de esquerda afirmem que irão reconhecer o governo fascista. Os mesmos setores que em 2016, pregavam as Diretas Já, eles diziam “saída mais viável porque o golpe é página virada” e não tiveram a coragem de pautar a defesa dos votos populares usurpados pelo golpe de Estado. Agora esses setores democráticos propagam a ilusão que esse governo militar foi “eleito” em eleições democráticas, que poderemos fazer oposição e retornarmos à presidência em 2022, esqueceram de manter a argumentação da campanha. Os fascistas e militares vão permitir oposição? Depois das multinacionais investirem tanto para roubar os patrimônios do povo brasileiro irão permitir a volta da esquerda ao poder por meio de eleições? É óbvio que essa formulação é irreal. Os democratas, patriotas e setores de esquerda não podem reconhecer esse governo fascista por um motivo simples: ele é fruto de um golpe. Fruto de uma fraude eleitoral que a cada dia que passa fica mais clara e são reveladas novos fatos criminosos.

O comandante das Forças Armadas, General Villas Bôas, confessou em entrevista recente que os militares tutelaram o judiciário para manter Lula preso e consequentemente fora do processo eleitoral. Foram justamente os militares os maiores beneficiários da vitória do Deputado fascistas. O presidente Lula, que como apontavam todas as pesquisas venceria no primeiro turno qualquer outro adversário, foi condenado por um juiz, que faz alguns dias foi nomeado Ministro da Justiça pelo governo de seu adversário, sendo bem pago por um serviço tão importante. Aos olhos do mundo, o Brasil é mostrado como uma país em desintegração econômica, política e democrática.

O governo golpista emerge de uma fraude articulação do grupo linha dura das Forças Armadas que defendem abertamente a Ditadura Militar (1964-1984). Essa foi a base de apoio de tal deputado, que hoje chega à Presidência por conta da desintegração política e do golpe de 2016. Durante 28 anos, sem se tornar líder de nenhum partido, nem mesmo presidente ou relator de qualquer comissão parlamentar, sem qualquer projeto relevante, em todo o tempo em que esteve no Congresso, tendo apenas dois de seus projetos foram aprovados. Especialista em nada, mas pode gerar caos em tudo.

O governo militar já mostrou para que veio. Anuncia que irá manter muitas das políticas do governo golpista Temer, quer aprovar ainda esse ano a Reforma da Previdência, acabar com o Ministério do Trabalho, promover uma cruzada contra os direitos do povo trabalhador e aprofundar o processo de entrega das reservas do Pré-Sal num ambiente em que o preço do barril só sobe, aproximando-se dos 80 dólares. Os governos golpistas, decidiram abdicar das riquezas e dos recursos naturais da nação. Em vez a receita da União com a produção, o governo vende reservas produtivas em condições desvantajosas, hipotecando o futuro do país.

Faz cair por terra o marketing feito durante a campanha que dizia “novo governo era uma alternativa fora do sistema”. Comprovasse seu comprometimento para manutenção da estrutura econômica, social e política que mantem o Brasil escravizado aos interesses neocolonialistas dos Estados Unidos e Europa e um dos países mais desiguais do planeta.

As viúvas da Ditadura Militar para voltar ao poder contam com o apoio integral dos setores mais atrasados da sociedade: máfias, jogo do bicho, narcotráfico (em especial o PCC), milícias, neopentencostais, agronegócio, bancos e multinacionais. O PSL, uma legenda de aluguel, tornou-se a expressão política desse oligopólio criminoso que tem como objetivo assaltar o patrimônio nacional, energético, mineral, florestal e os direitos dos trabalhadores.

Emerge como força política na nova ditadura o Partido Novo, partido fundado na esteira do processo de contestação da eleição de Dilma em 2014, representante dos bancos e com programa ultraneoliberal, se colocam como alternativa de direita aos gangsters aglutinados no PSL. Ao mesmo tempo que Ciro Gomes, tenta ser a oposição consentida ao golpe, visando esses canalizarem a dispersão do PSDB, PPS e MDB para as eleições (caso ocorram) de 2022.

A igrejas neopentecostais são a base social principal do fascismo brasileiro. Essas empresas utilizaram toda sua máquina política e econômica para realizar campanha eleitoral. Colocaram seus meios de comunicação (Em especial a Record e SBT) à serviço da candidatura dos militares. Disponibilizando para o mesmo longas entrevistas e reportagens favoráveis, enquanto endemonizavam Haddad e não lhe espaço para se defender (uma clara violação da lei eleitoral acobertada pelo TSE).

Um regime apoiado por banqueiros que asfixiam a indústria e a economia nacional com seus juros extorsivos, querendo manter nesse governo a estrutura fiscal e tributária que sangra os recursos públicos à serviço do pagamento dos juros da dívida interna e externa. Um governo à serviço dos credores das indústrias de armas israelenses, que além de obter apoio político para massacrar os palestinos, são ambiciosos para abrir um promissor mercado de armas entre os povos pacíficos da América do Sul. É difícil listar quantos pactos existem nesse contador de negócios, mas o produto do pagamento, sem dúvida, é o Brasil.

A ditadura, apesar de possuir um presidente repugnante, é a síntese de uma sociedade racista, autoritária e desigual, comandada por uma classe dominante atrasada, mesquinha e escravocrata que sempre foi subordinada aos interesses do Imperialismo europeu e norte-americano. Um regime sustentado por investimentos de uma classe abastada de empresários que devem uma grande quantidade de impostos ao Estado (mais de 1 bilhão apenas para o INSS), e, portanto, querem lucrar ainda mais ganhando o perdão de suas dívidas. Empresários que coagiram empregados, fizeram Caixa Dois e que financiaram empresas para disparo de notícias falsas para eleger o Capitão, tais crime que o TSE (cúmplice do golpe, tutelado e sequestrado pelos generais) não querem ao menos investigar mesmo diante de fatos, provas e denúncias.

Tudo isso foi possível quando a direita conseguiu neutralizar pela propaganda diária contra Lula, Dilma e o Partido dos Trabalhadores a memória do povo. É bom lembrar que foi o presidente Lula, que assumindo a presidência em 2003, levou o país ao nível de 6° maior economia mundial, não só garantindo desenvolvimento econômico mais melhores condições de vida para o povo brasileiro. A tragédia neoliberal causada pelos governos Collor e FHC mergulhavam o país na tragédia social com 12 milhões de desempregados e cerca de 40 milhões de famintos. Em 12 anos de governo PT, governo interrompido por um golpe em 2016, o desemprego foi reduzido para 4 milhões e retirou o país do mapa da Fome da ONU.

Mesmo diante de tantos ataques, o fato é que os governos do PT investiram como nunca antes no desenvolvimento da tecnologia brasileira, permitiu através do conhecimento acumulado durante anos pela Petrobras, desenvolver uma série algoritmos, permitindo enxergar além da camada pré-sal. A descoberta em 2006 veio junto com a ganância das companhias de petróleo americanas e inglesas. A eleição do governo Lula e Dilma Rousseff para o uso dessa renda para construir um futuro por meio de investimentos em educação e saúde, contraria os objetivos das multinacionais que financiaram o golpe em 2016 contra a presidente Dilma.

No mesmo conjunto de ideias, está a desindustrialização do Brasil. O Brasil sofrerá com a política de excluir o país do Mercosul, da Celac, distanciando-se da China, que é seu maior parceiro comercial, em favor dos Estados Unidos e Israel. A destruição do setor, que representa 21% do PIB e 32% da arrecadação, passa pelo fechamento do Ministério da Indústria e Comércio e minimiza a atuação do principal banco de desenvolvimento da América do Sul, o BNDES. Em relação ao Mercosul, o país exportou 22,6 bilhões de dólares em 2017, com 85% na indústria, chegando a 10,7 bilhões em superávit. No que diz respeito à China, ela representou 32 bilhões de dólares em superávit. A China usou seu principal jornal estatal, o China Daily, em 1º de novembro, para alertar sobre a irresponsabilidade do Brasil: “Uma possível mudança na política externa com submissão aos EUA pode representar um custo para a economia brasileira”.

A receita segue a mesma linha com a financeirização da economia. A redução do desempenho dos bancos estatais (Caixa e Banco do Brasil), beneficia apenas as instituições financeiras privadas que cobram juros anuais de 250% por uma inflação de 4,5%. Nesse sentido, os bancos privados, tais como Santander, Bradesco e Itaú emitiram uma declaração aos seus clientes que apóia a política econômica do novo governo. Essa redução é acentuada pela redução da atividade produtiva, enfraquecimento do emprego e da renda dos aposentados e trabalhadores.

A destruição de parcerias estratégicas regionais, que dão preferência aos EUA e Israel, é sem dúvida uma ameaça a um continente que tem mais de 150 anos de paz. A primeira reunião internacional do presidente eleito foi com Michael Mckinley, embaixador dos EUA com interesse em atingir governos progressistas, tais como: Venezuela, Cuba, Nicarágua e Bolívia. Tomas Shannon, ex-embaixador dos Estados Unidos e ligado à Trump, defendeu a entrada do Brasil na Otan. O governo genocida de Benjamin Netanyahu, que apoiou a campanha Bolsonaro através de suas instituições financeiras e religiosas do país, aspira a abrir um grande mercado de armas no Brasil, para isso, ele precisa promover a violência e a guerra entre vizinhos, constituindo um Estado policial permanente. Nesse sentido, o filho de Bolsonaro (Senador pelo Rio) e o governador bolsonarista do Rio de Janeiro, viajaram à Israel para comprar drones e armas que possam atirar contra cidadãos brasileiros. Os sionistas influenciam o governo a mudar a política externa, e conseguiu uma promessa de mudar a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, uma afronta aos povos muçulmanos, muito presentes na sociedade brasileira.

A teoria econômica não é a racionalidade de perder 13.500 milhões de dólares em exportações (2017), o mundo árabe com 7,17 bilhões de superávit para fazer amizade com os sionistas, onde a relação é um déficit de 246 milhões de dólares. Israel quer comprar terras como faz na Patagônia argentina, vender projetos e obter apoio para continuar a matança de palestinos no projeto para a construção do “Grande Israel” no Oriente Médio.

O mundo também deve olhar para uma questão tão importante que pode enfraquecer a segurança ambiental e o clima do planeta. O Brasil tem uma biodiversidade essencial para a vida. A Bacia Amazônica, com seus 7 milhões de quilômetros quadrados, o Sistema Aquífero Guarani é uma das maiores reservas de água doce do planeta. Bolsonaro já se declarou favorável a terceirizar o controle sobre a Amazônia e procura privatizar o aquífero. A falta de uma preocupação ambiental no governo golpista, enquanto o desmatamento acelerado avança contra terras indígenas e reservas ambientais. Permite uso de agrotóxicos e pesticidas nos 1,2 milhões de quilômetros quadrados na bacia do Paraná e Chaco-Paraná, em breve pode impedir o uso de água do aquífero para beber, fazendo aumentar o consumo de alimentos transgênicos e com agrotóxicos nocivos a saúde, explodindo o número de casos de câncer dentro da população brasileira.

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