Porque os marxistas-leninistas devem construir o PT?

O imperialismo norte-americano em conluio com a classe dominante nativa declarou guerra ao povo brasileiro. Não há precedentes para o nível das agressões realizadas contra a classe trabalhadora. Não seria exagero afirmar que essa ofensiva reacionária só pode ser comparada ao período da escravidão. A agenda dos golpistas visa eliminar TODOS os direitos sociais, políticos e o Estado Nacional brasileiro.

Para a classe dominante e o Imperialismo levarem a cabo este programa máximo, é necessário uma nova Ditadura-Militar. Por esta razão, usando de maneira ardilosa as instituições, os generais comandaram a fraude nas eleições (confessada pelo próprio comandante em chefe, general Villas Bôas), retirando o presidente Lula da disputa através de uma farsa judicial conduzida pelo juiz da Lava-Jato de Curitiba. Hoje, este mesmo juizeco é pago pelo governo do rival de Lula com um Ministério e com a promessa de uma vaga no Superior Tribunal Federal (STF). Essa escória golpista afirma que é apenas uma mera “coincidência” ter prendido sem provas o adversário de seu “futuro chefe”, não valendo para ele a falaciosa “teoria do domínio do fato” que é sempre utilizada contra o Partido dos Trabalhadores.

A farsa eleitoral coroou o golpe de 2016 e levou ao poder um governo marionete de Wall Street (sede dos banqueiros norte-americanos), formado por viúvas da Ditadura, grandes empresários, latifundiários, neopentecostais e todo tipo de máfia à serviço das transnacionais. Está completamente enganado quem acredita que o golpe não pode chegar em um nível mais baixo ou que a direita irá promover “eleições democráticas” em 2022. Essa fraude eleitoral marca o fim da República de 88 e é o início de um novo Regime neoliberal, militarizado e que promove a conversão do país em uma nação neopentecostal (mudando assim todas as relações de poder e “norte-americanizando” as relações societárias).

Somente com uma esquerda coesa politicamente, mobilizada e com penetração nas massas poderemos se colocar à altura desses ataques. Só a esquerda pode dirigir uma Frente Ampla no enfrentamento contra os golpistas, e não deixar essa Frente Ampla a reboque de setores atrasados, tais como: PDT, PMDB, PSB e outros fortemente ligados as oligarquias que dão o golpe como página virada. Mas para isso, a atuação dos comunistas é fundamental no combate a divisão, confusão política, capitulacionismo e imobilismo. Diante deste quadro crítico, os comunistas, em especial os marxistas-leninistas, que se dizem fiéis à ciência histórica do proletariado elaborada por Marx, Engles, Lênin e o camarada Stalin devem agir.

A ação dos comunistas é muito dificultada por uma série de questões, mas em especial porque no Brasil existem uma dezena partidos legais ou ilegais, em teoria, marxistas-leninistas. Dada a sua pouca capilaridade na classe, essas dezenas de “organizações comunistas” são suscetíveis as pressões do Estado, da burguesia ou pequena-burguesia, capitulando diversas vezes diante de políticas atrasadas, exemplo “Diretas Já”. Na prática, se diferem pouco das demais organizações sociais-democratas, cidadãs e pequeno-burguesas existentes no restante da esquerda nacional.

É necessário entender a origem dessa dispersão. Desde 1962, sob o impacto da tática errada do Partido Comunista Brasileiro (PCB) de não enfrentar o eminente golpe-militar e a adoção do revisionismo, o movimento comunista brasileiro entrou em uma crise que não saiu desde então. A crítica ao revisionismo, reformismo e eurocomunismo assinalado por Prestes, Marighella, Grabois, Pomar e outros formuladores, nas décadas de 1960, 1970 e 1980, associados à elementos de caráter sócio-históricos, levou o processo de formação de “partidos comunistas” a serem construídos geralmente por dirigentes sem base, preocupados em agrupar inicialmente quadros formados nas bases. Durante as décadas seguintes, distantes da luta de classes, essas organizações foram fortemente influenciadas pelas tendências táticas, caindo muitas vezes em uma degeneração liberal, pós-moderna, esquerdista e academicista reinantes no período neoliberal.

Em tese, são os comunistas são aqueles setores da vanguarda que baseiam sua prática e compreensão de mundo segundo o desenvolvimento do marxismo-leninismo, tendência político-organizativa da luta da classe trabalhadora na sua tarefa de tomada do poder. Utilizam a ciência leninista como instrumento de análise e transformação da realidade concreta. Seus pilares mais elementares estão contidos no materialismo histórico e dialético, comprovados pela própria prática no decorrer da história. Resumidamente, a teoria de organização elaborada por Lênin tem sua originalidade por ser materialista e dialética, assim não está presa em uma forma esquemática, estática e engessada, mas, pelo contrário, se modifica conforme as necessidades objetivas impostas pelo movimento do real.

Por essa razão, é permitido aos comunistas formarem tendências, frentes com outros partidos e outras formas de organização. Não cabe os comunistas brasileiros ficarem agarrados nos erros do passado ou em uma única forma organizativa. Sabemos que a classe trabalhadora necessita de partido para conquistar o poder e acabar com o atual estado de coisas, pondo fim à exploração do homem pelo homem. No entanto, não existe o Partido Comunista no nosso país, nem círculos comunistas em articulação. O que existe é a dispersão dos revolucionários e a articulação de burocratas para autodestruirem suas organizações. Portanto, nossa aliança deve ser junto a classe trabalhadora. Nesse sentido, é o Partido dos Trabalhadores, partido destituído pelo golpe em 2016 e que vem sendo duramente perseguido pelo imperialismo e consortes, o partido que reúne os melhores elementos para travar a resistência política ao golpe e à cruzada do imperialismo contra a América Latina.

Se é correto afirmar que a esquerda brasileira é mais ampla que o Partido dos Trabalhadores (mesmo este sendo o maior partido da América-Latina), por conta da existência do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, (maior movimento social da América), da Central Única dos Trabalhadores – CUT (com mais de 3,5 mil sindicatos filiados, com 8 milhões de sócios e 22 milhões de trabalhadores representados nas bases), da União Nacional dos Estudantes – UNE, também é inegável que todas as organizações dependem do PT para promover qualquer política nacional e muitas ficam do lado de fora do partido tecendo críticas sobre o que este deve fazer ou não.

É grande o número de teses, livros e publicações de “organizações comunistas” contendo balanços e criticas ao Partido dos Trabalhadores, em especial a tese do projeto democrático-popular (do PT) em oposição a tese da estratégia socialista para o Brasil, mesmo que não haja correlação de força para tal. Quando o Partido dos Trabalhadores chega ao governo Federal, a maior parte das organizações ditas comunistas formam a chamada “oposição de esquerda” que reúne também as organizações cidadãs e pequeno-burguesas. Durante 13 anos de oposição de esquerda ao PT, estes setores não conseguiram formar um campo unitário ou terem capilaridade nas bases, pelo contrário, encolheram e racharam ainda mais o movimento social, limitando-se a se constituir como uma espécie de consciência crítica ao Partido dos Trabalhadores.

Os erros desses setores começam desde o primeiro dia do governo petista, elaboraram duas teses que tentavam explicar porque o PT chegou ao governo federal, ambas equivocadas como comprova a própria história. A primeira apontava à “consolidação e aprimoramento da democracia brasileira”, e a segunda à “conciliação de classes”, sinalizada na carta aos brasileiros.

Vamos aos fatos: o PT desde 1989 foi duramente boicotado e teve a vitória eleitoral fraudada. Mais tarde, em 2002, o PT chega ao governo em meio a uma conjuntura latino-americana onde, a partir das vitórias na Venezuela, se inicia um giro à esquerda. Neste cenário, o PT dirigia os movimentos históricos da luta pela redemocratização e contra o neoliberalismo. Para a burguesia, foi necessário reformular o pacto social para impedir que a situação política saísse de controle, fato que ocorreu inclusive na Venezuela, a qual, a via de regra, possui um governo revolucionário.

Os governos Lula e Dilma levaram uma melhora significativa nos padrões de vida do povo, graças à criação de programas sociais tais como: Bolsa Família, Luz Para Todos, Mais Médicos, Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, políticas de cotas, construção de novas escolas técnicas e universidades, FIES, PAC, a transposição do Rio São Francisco, etc, mesmo sem levar à frente o programa Democrático-Popular. Quer dizer, não aplicaram as reformas de base e mudanças estruturais de ordem política e econômica.

O Partido dos Trabalhadores também compreendeu a importância de realizar a reindustrialização do país. Foram os governos petistas que fizeram ressurgir a indústria nava e petroquímica, só no governo Dilma foram construídos mais de 800 km de ferrovias, a preocupação com a integração com a América Latina, África e a criação dos BRICS impulsionaram esse processo reindustrialização. Com o golpe, a participação da indústria no PIB foi para 11,8% em 2017, em 2013, durante o último ano de estabilidade do governo Dilma, essa taxa era de 24,9%. Fruto do desmonte da indústria nacional, em especial o petróleo, construção civil e construção naval, promovida pela fraudulenta e histérica campanha contra a corrupção gestadas através da operação golpista Lava-Jato.

Infelizmente, grande parte desses setores ditos comunistas não compreenderam a impotência da etapa da industrialização nacional e o peso do latifúndio na sociedade. Eles concentram sua linha de critica ao PT por “neodesenvolvimentismo” e “conciliação de classes”. Para eles, a origem do problema são os acordos desvantajosos do Estado burgues com as transnacionais (subordinados aos interesses burgueses internacionais). Não entendem que o Imperialismo no mundo todo declarou guerra a classe trabalhadora de todos os países e as oligarquias dos países neocoloniais, que mesmo que momentaneamente façam acordos com o Imperialismo estão sendo devoradas. Esses setores sustentam que o processo revolucionário (que na linha deles não se dará por um levante popular, mas sim pela via pacifica) é fruto da tese da “estratégia socialista”, negando o desenvolvimento em etapas.

Por conta da sua formação eurocêntrica e pequeno-burguesa, não entenderam a sobrevivência da estrutura escravagista, racista, burocrática-militar herdadas do período colonial. Em outras palavras, não entenderam que o centro da revolução brasileira é contra a estrutura latifundiária e neocolonial, que ganha maior grau de complexidade com o desenvolvimento do capital financeiro. Por tanto, não se pode falar em uma revolução no Brasil que não tenha inserção agrária, dirigida contra o latifúndio, e nas grandes massas periféricas, dirigidas contra o neocolonialismo e capital financeiro. Nos velhos tempos esse processo costumava dizer como “revolução democrática burguesa”, é agora chamada de revolução democrática popular. Nos chamamos de revolução democrática popular porque ela é dirigida mais pelo proletariado do que pela burguesia, porque somente o proletariado em países neocoloniais como o nosso, está interessado em levar a cabo uma completa revolução democrática-popular, e poderá levar dado o grau do estágio de enfrentamento da luta de classes ao nível da revolução socialista.

Pela negação da ciência, estes setores não podem ser caracterizado como frações revolucionárias do movimento operário. O antipetismo desses setores pequeno-burgueses é tão grande que estes acreditam que do golpismo surgirá a nova esquerda, exigindo única e exclusivamente do PT uma autocritica para referendar os ataques da burguesia. Influenciados por essa origem de classe média, durante as eleições, muitos deles apoiaram a candidatura de Ciro Gomes, com os argumentos mais abstratos possíveis (tal como ele tinha mais chance de derrotar Bolsonaro no segundo turno). Pelos inúmeros erros, vacilações e falta de análise cientifica estes partidos ditos comunistas não podem ser caracterizados como tal. Dessa forma, os comunistas não podem levar estas organizações como referência para nada e devem renunciar à qualquer tentativa de disputa das mesmas.

Estamos em um momento de lutar e resistir pela sobrevivência, já que os elementos da crise internacional do capitalismo nos colocam em vista um longo período ainda mais reacionário. O PT é o partido que abriga a classe trabalhadora do país e nós, comunistas, não podemos nos colocar a parte da organização. Para o avanço do imperialismo na América Latina, é fundamental desorganizar as entidades de grande porte da classe trabalhadora. Por isso, defender o PT é estabelecer uma trincheira de luta contra o golpe de estado em curso, sobretudo no contexto da reconfiguração da geopolítica mundial.

As políticas neoliberais do golpismo no Brasil tiveram como primeiro objetivo a desorganização dos trabalhadores e destruição do seu partido. Considerando a importância do Brasil como peça-chave para o continente e o mundo, não é exagero afirmar que o Partido dos Trabalhadores é a primeira linha de defesa da América Latina contra inimigos internos e externos. Portanto, entre os partidos de esquerda brasileira é o PT o partido mais avançado politicamente. A autodefesa do PT é a defesa da classe, e possui a capilaridade nacional e internacional para tal.

É a mais profunda verdade que o PT não é um partido comunista, nem mesmo socialista. Trata-se de um partido popular, historicamente atuante junto à classe operária e camponesa brasileira. Possui como líder o Lula, maior liderança política do país e da América Latina ainda vivo. Por se tratar de um partido social-democrata e de massas, garante as condições necessárias para o trabalho dos comunistas.

A entrada dos comunistas dentro do PT não deve se dar pela disputa sem sentido dos aparelhos burocráticos, nem para promover divisionismos os ambos setores democráticos existentes no mesmo, mas é fundamental para colocar o partido em ação. Deve se defender com todo vigor o Manifesto de Fundação do Partido e o resgate da Carta de Princípios. A política não deve ficar restrita para dentro do partido, mas ser levada à todos os cantos da nação: formando núcleos, células e comitês em todo o país.

De imediato a principal tarefa dos comunistas é a defesa da organizações da classe trabalhadora, em especial do PT. Priorizar uma ampla campanha nacional e internacional pela Liberdade de Lula. Defender todos os militantes perseguidos, atacados e presos pela Ditadura que se forma no nosso país. Ninguém ficará para trás nessa luta!

Os grupos fascistas, os golpistas e bolsonaristas que atacam e agridem os militantes de esquerda devem ser denunciados e estes devem saber que será “olho por olho”. Não é suficiente desorganizar todos agrupamentos criminosos dos bolsonaristas, é necessário denunciar a direita permanentemente. Esses canalhas, entreguistas e potenciais torturadores mentem e acusam o PT e os petistas de serem os responsáveis pela crise. Querem transformar os petistas em uma espécie de judeu, um álibi e inimigo interno para justificar os ataques à classe trabalhadora. É urgente deixar claro que toda crise econômica e política é culpa da direita golpista, que derrotada nas eleições de 2014 partiu para desestabilizar a economia e boicotar o governo Dilma.

Essa direita golpista cretina governa o país à 518 anos, e tem a coragem de culpar os 12 anos de governo PT pela crise e “não ter feito mudanças”. O PT fez muitas mudanças, cabe lembras que quando o PT chegou ao governo em 2002, o país estava jogado na lama por estes mesmo neoliberais e fascistas. Eram 13 milhões de desempregados, 40 milhões de famintos, mais de 80 milhões na pobreza, e o vergonhoso numero de 280 crianças mortas por dia pela fome. Em menos de 12 anos, o PT gerou 20 milhões de empregos, tirou o país do mapa da fome, tornou-se a 6° economia do mundo e era respeitado por todos os países. O Brasil cumpria papel fundamental do equilíbrio da multipolaridade, mas hoje, de maneira irresponsável os golpistas atacam os organismos multilaterais se colocando como capacho dos EUA. Colocaram no Ministério das Relações Exteriores um discípulo de Olavo de Carvalho, um fascista falastrão que a única coisa que sabe fazer é vender ilações, preconceitos e mentiras como se fosse ciência.

Os fascistas não podem ser tratados como “minoria”, “loucos” e apenas ridicularizados. Eles devem ser desmascarados em todos os lugares, ao ponto de se tornar insustentável a condução de sua política. Tudo programa do golpe deve ser denunciado e combatido com todo vigor.

É hora de organizar, planejar e lutar. É hora de fortalecer o Partido dos Trabalhadores!

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