Rodrigo Maia e o oportunismo da “oposição responsável”

Após a consumação do golpe, iniciado em 2016 pelo reacionarismo antinacional contra a presidenta Dilma Rousseff, com a eleição fraudulenta do ano passado (onde foram empregados recursos ilegais massivamente, como uso de caixa 2 em campanhas virtuais de difamação via WhatsApp e a prisão inconstitucional e arbitrária do presidente Lula), o golpista Jair Bolsonaro se elegeu para continuar as políticas antipovo e antinacionais de Temer, vendendo o patrimônio brasileiro para o exterior — aquele constituído por muitas lutas desde o governo Vargas, diminuindo gastos sociais e destruindo os direitos do povo trabalhador. Esse movimento chegou ao parlamento nas mãos de Eduardo Cunha (PMDB-RJ atual MDB-RJ), então presidente da Câmara de Deputados, e os golpistas do PSDB. Mais tarde, após a prisão de Cunha, Rodrigo Maia (DEM-RJ) veio a substituí-lo. Rodrigo Maia já deixou claro seu ímpeto em aprovar a reforma da previdência, “independente” de qualquer outra pauta que apareça. Apoiou e manteve o rito para aprovar a reforma trabalhista e já afirmou diversas vezes que o parlamento não é obrigado a “ouvir o povo”. Além disso, seu partido (DEM) se comprometeu em retirar recursos da previdência em torno de R$ 200 Bilhões anuais, o que afeta diretamente a vida dos brasileiros. A “oposição responsável”, formada por PDT e PCdoB (ao todo 37 deputados eleitos), definiram que apenas possuem divergências com o PSL (partido de Bolsonaro, das milícias e do jogo do bicho), mas não são inimigos entre si, e que Maia estaria disposto a manter o “Pacto Democrático” e entregar a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) à eles. No entanto, como poderíamos ignorar as convicções antinacionais e antipovo de Rodrigo Maia? Seja pela via do oportunismo dos golpistas “de esquerda” ou por ilusões republicanas, a crença na manutenção do pacto democrático é um erro grotesco que já deveria ter caído por terra desde os eventos de 2016. O que entendemos por “Nova República”, aquela nascida na constituição de 1988, já não é mais a forma política vigente. Para se recuperar da crise de 2008, a economia capitalista mundial passou a abandonar os ideais liberais de democracia como conhecemos. Por essas e outras que vemos ressurgir tendências de submissão aos EUA que nos encaminham para uma guerra na América Latina. No Brasil isso se traduz por métodos reacionários que rasgam a constituição enquanto marchamos a passos largos para um novo regime, encabeçado pelos patrões, militares entreguistas e juízes golpistas. O impeachment (sem crime) contra Dilma, a prisão (sem provas) de Lula, o uso (e a não investigação) dos disparos em massa de mensagens mentirosas, a destruição da economia nacional por operações golpistas como a Lava-Jato e a Carne Fraca, além da retirada de direitos com a aprovação de projetos antipopulares (mesmo com reprovação de todo o povo trabalhador) mostra que o “Pacto Democrático” está longe de ser respeitado. Não será apoiando a reeleição de um golpista da pior espécie como Rodrigo Maia que todo esse quadro voltará à normalidade. Pelo contrário, isso significa aceitar o governo Bolsonaro como legítimo e dizer de que todo o processo até aqui tem seguido o “Rito Democrático”. A única vantagem neste acordo medíocre seria para os oportunistas que esperam, com fé na manutenção da constituição, se lançar candidatos em uma futura e improvável eleição democrática. Mas, para algo assim, a derrota do projeto do presidente eleito na fraude é urgente. Para isso, o mínimo que espera de uma oposição que dê conta do atual momento histórico, é o não-reconhecimento de Bolsonaro e seus cães à serviço da Casa Branca.

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