Hipocrisia francesa: obstrui investigação do massacre em Ruanda e quer condenar Venezuela.

Hoje, dia 03 de fevereiro, a Ministra da França para assuntos europeus, Nathalie Loiseau, afirmou que a França reconhecerá os golpistas fracassados como governo da Venezuela e exige que o presidente Nicolás Maduro renuncie.

Esse ultimato é feito sobre o pretexto de uma pseudo campanha “humanitária” e em “defesa da democracia”, porém que moral tem França para ditar o que é democracia ou não? O colonialismo francês foi responsável por promover milhões de mortes ao redor do mundo. Como esquecer os massacres franceses contra a Argélia e Vietnã no século passado? Crimes que a França jamais reconheceu ou se redimiu.

O governo francês, que vem reprimindo violentamente sua população nas ruas, é acusada de obstruir e não colaborar com as investigações promovidas por autoridades do país africano de Ruanda.

Entenda o caso de Ruanda.

Ruanda, independente desde 1960, é uma ex-colônia belga localizada na África central. Um país rico em minérios e que possui grande influência belga e francesa.

Em 1994, mais de 800 mil pessoas, em sua maioria mulheres, idosos e crianças, da etnia tutsi, foram brutalmente assassinados com golpes de facão. 25 anos após o massacre em Ruanda, autoridades do país africano, abriram inquérito formal contra 20 franceses suspeitos de envolvimento no massacre levado a cabo por extremistas hutus.

O massacre se iniciou após o assassinato do ex-presidente Juvénal Habyarimana (hutu), que governou de 1973 a 1994. Seu avião foi derrubado e sua morte está sob investigação. O atentado foi efetuado por militares ruandeses. Nesse período, os militares franceses eram quem dirigiam o exército ruandês. Eles tinham acesso a toda a informação recebida pelos serviços de inteligência. Outra evidência é que os militares ruandeses não sabiam usar os sistemas de artilharia enviados pela França para atingir o avião do Ex-presidente. Logo foram treinados pela França no campo militar de Kanombe.

Autoridades do país coletaram ao longo de 12 anos provas do envolvimento da França no genocídio. Para as autoridades de ruanda a França está fortemente envolvida no massacre contra civis.

Organizações de direitos humanos apresentaram ação judicial contra a França e o banco francês BNP Paribas pelo fornecimento de armas e financiamento aos ruandeses que organizaram genocídio no país em 1994.

A França é acusada de ter ignorado as ameaças de massacre e de ter treinado soldados e milícias que levaram a cabo massacres. É também acusada de ter usado a sua influência diplomática para impedir uma ação efetiva da UNO e, quando finalmente enviou tropas para o Ruanda, na “Operação Turquesa”, só o terá feito para impedir o avanço dos rebeldes tutsi e para permitir aos autores do genocídio fugir para a República Democrática do Congo, Bélgica, Canadá e França.

Ruanda se queixa que os assassinos estão na França, Bélgica e Canadá sob a proteção desses governos.

Ex generais, políticos e empresários ruandêses responsáveis pelo massacre estão refugiados na Europa e América do Norte com a proteção dos governos da Bélgica, França e Canadá.

Entre eles estão Agathe Habyarimana, viúva do presidente Juvénal Habyarimana, Segundo Ruanda, Habyarimana teria participado do “planejamento, da organização e da direção do genocídio”. Paris negou a ela o status de refugiada política, mas ela ainda vive na região parisiense sem ser investigada. A Suprema Corte do Canadá se opôs à expulsão para Ruanda de Léon Mugesera, considerado um dos “cérebros” do genocídio. O Canadá abriga cerca de 800 genocidas, segundo estimativas de associações de sobreviventes de Ruanda.







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