Militares são acusados de tortura e desaparecimento no Rio de Janeiro.

Na última terça-feira, dia 05 de fevereiro, o Ministério Público do Rio de Janeiro recebeu três (03) denúncias envolvendo casos de tortura durante a Intervenção Militar no Rio de Janeiro. Com mais estas denúncia totalizam-se sete (07) casos de tortura, todos esses supostamente realizados entre os meses de agosto e novembro e 2018, por militares do quartel da 1ª Divisão de Exército, na Vila Militar.

O caso denunciado nessa semana envolvem três jovens. Os três homens não se conheciam e foram detidos em pontos diferentes do complexo da Penha. Eles denunciam que foram sequestrados e levados à mata, onde iniciou a seção de tortura. Posteriormente foram dirigidos para a chamada “sala vermelha”, localizada da Vila Militar, local já denunciado por outras vítimas de tortura.

Entre um dos três jovens detido aleatoriamente sob a acusação de tráfico de drogas, Luiz Ranguel Marconi, mototaxista, de 26 anos, morador da Penha, denunciou a seção de tortura: “Eles (os militares) me colocaram numa cadeira, virado para a parede, e começaram a fazer perguntas. Achavam que, só porque moro lá (na Penha), sou obrigado a saber de tudo. Como não sabia, me batiam com uma ripa nas costas e na cabeça. Me fizeram comer papel. Perguntaram que gosto tem. Eu disse ‘nenhum’. Depois botaram spray de pimenta no papel e mandavam eu comer. Depois falavam: ‘Agora tem gosto, né? Responde o que a gente quer’”. O caso teria ocorrido em agosto de 2018.

Acusações semelhantes foram feitas contra Marcos Vinícius do Nascimento, de 21, e Ricardo da Conceição Glória, de 33, presos no mesmo dia em que Marconi.

Mãe denuncia tortura e que filho é inocente

Anilda Rangel, mãe de Luiz Rangel Marconi, que é técnica de enfermagem, tenta provar a inocência do filho. “Meu filho não é bandido, é trabalhador e tem família. Se tivesse qualquer envolvimento, não faria o que estou fazendo. Ele está sendo vítima de uma grande injustiça”, afirma Anilda.

Ela foi até o local onde iniciou a seção de tortura contra Jefferson e outros 2 jovens, numa área de mata na Penha. Lá ela encontrou uma adolescente de 14 nos que testemunhou a sessão de tortura sofrida por seu filho. A adolescente afirmou a Anilda: “Quando cheguei perto, vi uns 15 militares com três garotos detidos. Um deles era o filho dela (aponta para Anilda). Ele me viu. Estavam ajoelhados, já sangravam. Os militares mandaram eles olharem para a Igreja da Penha e começarem a rezar. Depois, começaram a bater nos três. Deram socos nas costas e pisaram em cima deles. Quando viram que eu estava vendo, corri. E eles levaram os três para um jipe”

Não é a primeira denúncia contra os Militares

Ano passado, oito detidos – entre eles um jovem de 16 anos – disseram que foram espancados com pedaços de madeira e levaram chicotadas com fios elétricos por militares durante operação no Complexo da Penha. Eles também citam que foram e levados para a sitada “sala vermelha”.

Um dos detido, de 23 anos, afirmou ter sido “ameaçado de ser sufocado com um saco plástico” durante a sessão de tortura e disse que “chegaram a colocar um preservativo num cabo de vassoura para assustá-lo”.

A juíza Amanda Azevedo Ribeiro Alves, da Central de Audiências de Custódia, autorizou a investigação dos casos.

Casos de desaparecimento e sequestro são relatado por moradores de favelas na Zona Norte. 

Moradores de favelas na Penha denunciaram que indigentes, em especial moradores de rua e usuários de crack que vivem na região, foram levados para quarteis e posteriormente desaparecido. A denúncia foi encaminhada para a Defensoria Pública, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Organizações Não-governamentais. Os órgãos também apuram denúncias envolvendo militares durante a ocupação militar referentes à: Invasões de domicílios, Danos ao patrimônio, Revista a mochilas de crianças, Verificação de telefones celulares.

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