Ciro Gomes é o plano B do golpe militar.

Caiu por terra a falaciosa propaganda que apontava Ciro Gomes como nacionalista e antigolpe. Ciro Gomes deixou cair sua máscara e se revelou como um agente infiltrado que atua em benefício do golpismo. Ontem, dia 12/02, Ciro Gomes divulgou em suas redes sociais que os deputados do PDT irão debater a proposta da Reforma da Previdência do Bolsonaro no dia 19/02. Anteriormente, Ciro já havia dado o aval para Mauro Benevides Filho (PDT Ceará), ex-secretário do planejamento do governo Ciro, para contribuir com a aprovação da Reforma da Previdência. Segundo o Valor Econômico, Rodrigo Maia (que foi reeleito presidente da Câmara com o apoio do PDT) teria concordado em colocar Mauro Benevides na presidência da comissão especial da reforma da previdência para quebrar a resistência contra a PEC. Ou seja, Ciro Gomes está atuando abertamente para aprovar a Reforma da Previdência.

Não bastando ter colocado seu cupincha no volante do maior assalto contra o povo brasileiro e ter atuado para eleger Rodrigo Maia, Ciro Gomes tece elogios aos generais Vilas Boas e Augusto Heleno. O Exército é, segundo as próprias palavras do ministro Paulo Guedes, a classe política mais dedicada ao projeto de privatizações. Lembrando que foram os generais quem entregou de bandeja a Embraer para Boeing. Na eleição fraudulenta de 2018, esse mesmo Mauro Benevides foi à público por mais de uma vez anunciar que privatizaria 77 estatais em um eventual governo cirista. Ciro até afirmou que não via problema em privatizar o sistema de energia brasileiro. É e sempre foi um privatista. Quando era Ministro da Fazenda, defendeu a privatização da Telebrás, resultando no pior e mais caro sistema de telefonia do mundo. Também tem no seu currículo a abertura do caminho para a privatização do BANERJ e do BANESPA, que foram comprados pelo Itaú e Santander, respectivamente. Durante o governo do Ceará Ciro privatizou o que pode.

Reprodução/Acervo Jornal O Globo

Ciro não movimentou uma palha para impedir o golpe contra a presidente Dilma, utilizando da luta contra o golpe apenas como estratégia de marketing, que pretendia construir uma imagem do direitista Ciro à esquerda. O PDT, na maioria dos seus deputados, votou pelo impeachment de Dilma, pela entrega do Pré-Sal e pela intervenção militar no Rio de Janeiro. Nas eleições, dos 4 estados onde o PDT tinha candidatos à governador no segundo turno, 3 pedetistas apoiaram o Bolsonaro. Mesmo com o convide do presidente Lula de compor a chapa do PT, Ciro negou pois seu papel nunca foi combater os golpistas, mas sim rachar os votos do PT no nordeste. Acabado o primeiro turno, Ciro pegou suas malas e zarpou para Europa, voltando só após as eleições. Sua primeira atitude ao chegar no Brasil foi desejar boa sorte ao Bolsonaro e dizer que “com o Capitão a democracia não estaria em risco”. Logo disparou mais ataques ao PT, justificando que sua ida à Europa se deu porque o “PT tinha insistido com Lula e enganado a população”. Desde então, os ataques ao Partido dos Trabalhadores não cessaram em um só minuto, chegando até a adotar teses ultradireitistas como a de “organização criminosa”, defendida pelo ex-procurador da república, Rodrigo Janot, aceita pelo juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, no dia 23 de novembro do ano passado, que visa colocar na ilegalidade o maior partido da América Latina.

Para coroar todo esse processo que mostra que Ciro é um agente duplo do golpe, ele vai à posse do Bolsonaro e critica o PT por boicotar o circo. Reconhecendo a fraude eleitoral, tentando mostrar uma falsa noção de normalidade democrática e uma falsa noção de liberdade política, já que ele se assume enquanto uma “oposição responsável”.

Ciro reconheceu o governo dos militares, fruto de um golpe e do processo judicial mentiroso contra o presidente Lula, para além de toda campanha com notícias falsas, uso de poder econômico, violência e caixa dois. Mas, na contramão, Ciro não reconhece a vitória eleitoral de Nicolás Maduro como legítima e ainda criticou o PT ao ir na posse do presidente venezuelano. Dias depois, iniciou-se uma tentativa de golpe de Estado naquele país, onde os EUA e seus governos satélites em países latino-americanos começam a reconhecer Guaidó como presidente.

A título de curiosidade, o PDT do golpista “de esquerda” Ciro Gomes, faz parte da “Internacional Socialista” de “terceira-via”, liderada por uma das cabeças “de esquerda” do imperialismo, o PSOE (Partido Socialista Obrero Español) de Pedro Sánchez. Recentemente, essa internacional expulsou a FSLM (Frente Sandinista de Liberación Nacional), de suas fileiras, visto que se trata de um partido no comando de um Estado Nacional latino-americano (a Nicarágua) que se opõe ao golpe na Venezuela. Outro partido que faz parte dessa “internacional socialista” é o “Voluntad Popular”, partido daquele que se auto-proclamou presidente interino da Venezuela, o golpista funcionário de Washington, Juan Guaidó.

Mais uma vez se evidência a relação de Ciro com os golpistas, que faz de tudo na tentativa de isolar e desacreditar o governo chavista. Que espécie de nacionalismo é esse que concorda com o golpismo que tenta pilhar as riquezas nacionais do continente, instalar a guerra e a desagregação dos Estados nacionais no subcontinente americano?

O grupo de Ciro Gomes tem sido poupado de ataques dos militares e do partido da Lava Jato, pois Ciro é parte deste golpe como agente infiltrado. No momento em que todos os setores políticos foram manchados pelos fascistas do judiciário, somente o grupo do “imaculado” Ciro Gomes, que governou o Ceará por 25 anos, ficou ileso. Óbvio que ele está sendo poupado, pois está na linha de sucessão do golpe.

Ciro é muito mais perigoso do que Bolsonaro. Em primeiro lugar, ele mesmo diz que é um “homem que faz parte do meio”, ou seja, é funcionário da FIESP, das grandes mineradoras (lembrando que ele ganha salário de executivo da Companhia Siderúrgica Nacional), tem relação de longa data com o PSDB e com parcela importante das oligarquias. Além disso, ele é um político profissional que entende como funciona a institucionalidade e a economia brasileira, bem diferente de Bolsonaro, que assumiu um governo improvisado, sendo apenas uma marionete dos generais.

Um dos elementos de instabilidade do golpe tem sido o próprio Bolsonaro, que é muito suscetível às pressões da sua base social fascista e neopentecostal. Além disso, Bolsonaro vem em um processo de uma vagarosa perda da sua base social, relacionada à sua atuação (conhecida faz tempo) com milicianos, jogo do bicho e lavagem de dinheiro. Os 37% do eleitorado que lhe rendeu votos não representam a totalidade da base social real de Bolsonaro. Temos que contar que nesses 37% existe uma grande parcela de votos dos eleitores do Lula, que migraram para o Bolsonaro acreditando que ele seria “o homem antissistema”. A base social real do capitão, que foi a mais ativa no golpe contra a Dilma, é muito fiel e dificilmente migraria seu apoio para outra figura política.

Caso Bolsonaro venha cair (existe a possibilidade, mas ainda existem muitos entraves nessa operação), essa base social entrará em crise, sem necessariamente ser incorporada pelo general Mourão (lembrando que o processo de transferência é lento e depende de muitos elementos, como vimos com o apoio do eleitorado à Lula, que não foi completamente transferido para Haddad). Aqui entra em cena a possibilidade do “autogolpe” militar. A intervenção militar viria à tona com “ares de legalidade”, se dirigindo ao congresso e elegendo algum “notável”, um político que tenha clareza dos planos dos generais. E o único quadro político capaz de atuar nessa situação seria Ciro Gomes. Essa é uma jogada dos generais que, em tese, neutralizaria parte da oposição ao governo militar, inclusive parte da esquerda, como o PCdoB, para sua base de apoio, já que Ciro é pintado pelo marketing dos golpistas como um oposicionista “de esquerda”. Além disso, ele agrega semelhanças com Bolsonaro: é pintado pelo golpe como homem honesto, um machão que enfrenta o sistema, com um apoio massivo da classe média urbana “esclarecida”, que representa uma verdadeira massa acéfala de fiéis ativos, que o apoiam sem contestar.

Essa é a função de Ciro e o motivo pelo qual ele ataca incessantemente o Partido dos Trabalhadores. Ciro já percebeu que se ele continuar se posicionando como “centro”, irá derreter com o PMDB, PSDB e Marina Silva. Por isso resolveu adotar essa política e desembarcar com todas as malas na direita, tendendo cada vez mais a adotar posições da extrema-direita. Ele entende que o Partido dos Trabalhadores será oposição à sua figura, já que o PT tem um projeto inversamente contrário ao seu programa reacionário privatizante e antinacional.

Por Ciro ser o plano B do golpe militar, ele deve ser desmascarado em todos os meios. Não se deve dar nenhum centímetro de confiança e apoio, já ele representa uma via de continuidade ao golpe.

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