O QUE PODE ACONTECER NA AMÉRICA DO SUL SE UMA GUERRA OCORRER NA VENEZUELA?

Na quarta-feira (13/02), novamente o Congresso dos EUA vetou a possibilidade do que o governo desse país de promover uma agressão imperialista contra a Venezuela, pelo menos momentaneamente. O chefe do Comitê das Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, Eliot Engel, declarou: “A intervenção militar dos EUA não é uma opção. O Congresso decide quando, onde e como as forças armadas dos EUA são usadas em todo o mundo, e o Congresso não apoiaria a intervenção militar na Venezuela”.

Os Democratas, que comandam o Congresso, não impuseram o veto à intervenção (até o momento) por apegos democráticos e humanistas, mas porque dentro da sociedade norte-americana há uma grande condenação popular contra a intervenção na Venezuela. Uma guerra na América Latina desestabilizaria ainda mais a situação politica e social dentro dos EUA.

Porém, esse veto temporário do Congresso não é garantia de paz na América Latina, como a indicam a retórica e ações terroristas e fascistas de John Bolton, Mike Pence, Marco Rubio e o mesmo Donald Trump, que colocaram na sua agenda a guerra para destruir o Estado Nacional Venezuelano, assim como já fizeram com Iugoslávia, Afeganistão, Iraque, Síria, Iêmen, Líbia, e entre outros.

A falsa narrativa da “crise humanitária” na Venezuela serve de pretexto para os EUA instrumentalizar uma suposta “ajuda humanitária” para provocar um conflito na fronteira entre Venezuela, Colômbia e Brasil. O agente da C.I.A Juan Guaidó implora pela intervenção estrangeira.

Está claro para todos que a direita golpista da Venezuela é incapaz de suceder nas suas tentativas de golpe de Estado. Eles são minoria, sem autonomia política e contam com grande repulsa do povo venezuelano por conta das sucessivas traições contra a pátria e ações terroristas. Ações de infiltração, terrorismo e criação de caos, assim como ocorreu na Síria e Líbia estimulados pelos EUA, também não deram certo e logo foram disarticulados pelo governo bolivariano.

A verdadeira crise humanitária

Desde a guerra no Afeganistão, tem sido demonstrada, pelos conflitos prolongados no Oriente Médio, que há um consenso quanto a fraude e da piora nas condições de vida dos povos que sofreram pelas “intervenções humanitárias” dos EUA e seus aliados. E ao que a América Latina estará destinada no caso de uma guerra contra a Venezuela?

Os elementos que compõem a estrutura militar defensiva da Venezuela tornam impossíveis uma “guerra relâmpago”. As guerras dirigidas pelos governos dos EUA, desde o fim da Segunda Guerra, tem sido guerras desastrosas e de longa duração. A guerra no Iraque, por exemplo, durou de 2001 até 2011, com um saldo de 1 milhão de mortos, em sua maioria civis, um país devastado, dividido em três regiões, em guerra civil e ainda desestabilizado.

Este tipo de guerra provoca o deslocamento interno e externo da população em pelo menos 40% por conta das dificuldades que uma guerra impõe, como a falta de serviços, fome e insalubridade, como afirma um relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Essa vem sendo a regra que rege casos como Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria. Mas pode ser pior: no caso sírio, 54% foram deslocados. A possibilidade de uma guerra na Venezuela deslocaria pelo menos 12 milhões de pessoas dentro e fora do país. Um número de dimensões catastróficas para América Latina. Segundo os dados, fraudados e manipulados usados pela direita, cerca de 2 milhões de Venezuelanos estão refugiados hoje. Com a guerra, aí sim teríamos um problema verdadeiro de refugiados.

Com um conflito na Venezuela, abriria-se campos de refugiados em toda América do Sul. Governos vizinhos seriam obrigado a tentar conter um deslocamento humano em massa. Ao menos 12 milhões de pessoas, que se somariam aos refugiados desses países vizinhos que existem pela adoção das políticas neoliberais. Os governos do Brasil, Colômbia, Peru, Argentina e outros teriam que administrar tal crise. A abertura de campos de refugiados depende de uma enorme logística e financiamento que estes países não podem sustentar. O Mar do Caribe, que não conta com cobertura de patrulha naval suficiente, poderia se tornar outro Mediterrâneo.

A guerra também seria uma tragédia na segurança em todos os países da América Latina, que já sofrem por ser a região do planeta mais violenta do mundo. As consequências da guerra contra a Venezuela significa a criação de um tráfico massivo de armas na América Latina, dado o assalto dos arsenais venezuelanos. Uma enorme quantidade de armas de pelo menos 100 mil fuzis AK 103, 500 mil fuzis de assalto e 6 mil lançadores portáteis Verba 9K333 nas mãos do Exército, a Marinha, a Guarda Nacional Bolivariana (GNB) e as milícias bolivarianas, que poderia cair nas mãos de membros de grupos paramilitares e narcotraficantes.

O mercado negro de armas ficaria ainda mais obscuro, se consideramos para a conta que os EUA forneceriam armas às forças mercenárias implantadas na Colômbia, República Dominicana e no Brasil, tal como ocorreu na Síria e Libia.

Esses riscos são totalmente conhecidos pela inteligência militar dos EUA. Eles concluem que o que está em questão não é apenas a possibilidade de uma guerra na Venezuela, mas a possibilidade de um surto de conflitos generalizados, o que comprometeria a segurança estratégica da região. Isso decorreria no prolongamento da presença militar dos EUA e da ativação de sua indústria militar. Os Estados Unidos precisam de um novo Oriente Médio, agora na América Latina.

A suposta retirada dos EUA da Síria e a possibilidade de assinar um armistício com os talibãs no Afeganistão, momentaneamente enfraqueceria a presença bélica dos EUA no Oriente Médio. Mas o complexo industrial militar dos EUA é o fator central de expansão das guerras imperialistas. Esse é um fator modulador na política americana, que poderá considerar até mesmo a possibilidade de abrir outra frente de conflito em grande escala na América Latina .

Afinal, a guerra significaria uma ofensiva de grande alcance dos governos golpistas que aprofundariam as políticas neoliberais, privatistas e os ataques fascistas contra a população. Dessa política se aproxima uma tragédia social já anunciada e até mesmo verificada, como os casos do Haiti e da América Central (países que foram os primeiros a sofrerem golpes). A guerra na Venezuela aceleraria a deslegitimação e degradação dos atuais governos golpistas de direita no poder em vários países da America Latina, alguns deles com bastante fragilidade políticas.

Há outras questões mais complexas com relação a subjugar os estados-nações, balcanizar (fragmentação dos territórios nacionais) o continente, aumentar os ataques às liberdades democráticas, explodir novamente a guerra civil na Colômbia, surgir grupos de guerrilha em toda América Latina, e ainda mais grave, fortalecer ainda mais o poder dos narcotraficantes do PCC, dos carteis de drogas colombianos e dos paramilitares milicianos brasileiros, que inclusive possuem grande influência dentro do atual governo brasileiro, eleito na fraude.

Anunciada a tragédia, é no mínimo criminoso ficar em silêncio ou neutro diante das ameaças de guerra da Venezuela. E para aqueles que tomam o lado do imperialismo nessa guerra, serão cobrados, não somente frente a história, mas ainda em vida. Tudo ao alcance da esquerda e dos trabalhadores deve ser feito para evitar essa aventura militar terrorista.

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