Esquerdistas e golpistas juntos para dividir o Partido dos Trabalhadores

Nas últimas semanas, principalmente após a viagem da presidente do Partido dos Trabalhadores, deputada pelo estado do Paraná, Gleisi Hoffmann, à posse do presidente venezuelano Nicolás Maduro, a imprensa golpista vem afirmando que o PT está dividido. Tendo em conta que o mantra repetido desde a década de 1990 “O PT está morto” já entrou em completo descrédito, tentam agora apelar para uma nova abordagem de ataque midiático. Afinal, após o golpe de 2016, a direita acreditava que o PT estaria esmagado neste momento, mas ocorreu o exato inverso: o PT se consolidou como oposição ao governo golpista, tem a maior bancada no Congresso, o maior número de governadores eleitos, o maior número de filiados, é o partido com a maior confiança, o apoio do eleitorado brasileiro e tem nas suas fileiras maior líder popular da história do nosso país vivo, o eterno presidente Lula. É claro que essa campanha midiática de disseminação de notícias falsas ou desencontradas tem como objetivo criar um ambiente de discórdia dentro do Partido dos Trabalhadores e estimular o racha no seio do partido, desmobilizando sua militância.

Lembremos que, por ser o maior partido da América Latina, o golpismo — fantoche do imperialismo — precisa que o Partido dos Trabalhadores seja eliminado para fazer avançar seus planos continentais, já que enquanto força política real, o PT tem condições igualmente reais de consolidar, até as últimas consequências, uma resistência que faça frente aos seus objetivos. Usam de reformas neoliberais, enfraquecendo o sindicalismo pelas suas bases de sustentação, na tentativa de “americanizar” a esquerda brasileira e levá-la ao ostracismo.

Aproveitando todo esse “disse me disse” propagado pela mídia, infelizmente, alguns grupos de esquerda fora do PT vem atuando de maneira oportunista para contribuir com esse ambiente artificial de divisão interna. Não importa se atuam dessa forma por má fé, por desconhecimento da dinâmica do Partido dos Trabalhadores ou pelos melhores sentimentos “esquerdistas ultra-revolucionários”. O desdobramento da adesão a esta campanha é o mesmo: atuam como quinta coluna da luta contra o golpe para atacar o PT.

O papel dos marxistas-leninistas é desfazer essas confusões no meio da classe trabalhadora, em especial desiludir  a juventude que é tendencialmente inclinada para aderir à campanhas sob slogans pretensamente revolucionários, mas que na verdade não contribuem em nada para elevação da consciência política e organização dos trabalhadores na conquista do poder político no Brasil. É óbvio que dirigentes experimentados não aderem a essa propaganda golpista por desconhecimento, atuam conscientemente na estratégia de contra-informação dos golpistas. Fazem isso porque criando a divisão do PT é possível agregar dissidentes para suas organizações e promover a estratégia que eles acreditam que é a certa.

Já virou costume na esquerda brasileira, organizações fora Partido dos Trabalhadores ditar ordens ou políticas para serem adotadas pelos petistas. Não são poucas as declarações que repetem a todo momento que o PT “deve fazer autocrítica disso e daquilo, tem que mudar sua direção, tem que adotar essa e tal política”. Afinal, se uma organização elabora uma política e mas precisa de outra para aplicá-la, qual a função dessa organização, ou melhor, para quê ela existe? A formulação política só pode ser avaliada se correta, caso ela seja aplicada no plano de ação. Se elaboram uma política para que outros venham a aplicá-la, isso não tem outro nome que não seja charlataria.

Não é apenas uma política arrogante desses setores externos ao PT que “ditam ordens para petistas”. No melhor dos cenários, eles creem que os trabalhadores organizados dentro do PT são incapazes de fazer um mapa político e elaborar um programa, assumindo para si o dever de identificar as limitações e contradições que existem no PT. Mas que fique claro: o objetivo deles não é estabelecer o diálogo construtivo entre revolucionários, se não ele se daria sobre outras bases. O que eles querem é criar a divisão, formulando uma campanha com slogans aparentemente radicais, “de esquerda”, mas que na verdade revelam a inépcia dessas organizações, tornando visível seu oportunismo e atuando como linha auxiliar do golpismo.

Vamos ver uma das formulações levantadas por esses senhores, em especial o dirigente nacional do PCO, Rui Costa Pimenta. Ele aponta que devemos formar um bloco interno daqueles que defendem o Lula e a luta contra o golpe para enfrentar a “ala direita” do PT. Essa ala teria como porta-voz Fernando Haddad, que é da CNB (Construindo Um Novo Brasil) contra a Gleisi Hoffmann, que curiosamente também é da CNB. A primeira vista, para a maioria dos militantes descontentes com a burocracia e com um certo imobilismo, podem buscar um culpado para todos os problemas. Aqui reside a característica sedutora dessa propaganda, porque nada melhor do que encontrar um bode expiatório. Para os trotskistas, esse bode é sempre os burocratas da direção. Com a criação desse Judas, se prega duas formulações caras para os militantes do PT: a luta contra o golpe e a liberdade do presidente Lula. Seguimos a argumentação e veremos o que se esconde por trás dessa formulação.

Segundo essa ideia, a “ala de direita” dentro do Partido dos Trabalhadores pretende transformar o PT  na esquerda consentida do Novo Regime militar, que emerge após a queda da República de 88, mas existem alguns fatos antagônicos à esta formulação. É fato que PCdoB, PDT e o PSOL buscam se adaptar ao novo regime, visto a base social desses partidos, seus programas e os processos de degeneração encabeçados por eles, dentre outras razões que contribuem para isso. Esses partidos tentam utilizar a polarização que vive o país ao seu favor, mas ao mesmo tempo eles não podem desenvolver uma defesa do Partido dos Trabalhadores em todos os aspectos, devido ao seu atrelamento ao Estado e sua própria existência enquanto organização. Caso viessem a defendê-lo da perseguição que sofre, entrariam em um isolamento político. O único caminho que sobra então é o de aderir ao discurso antipetista, já que são e devem ser concorrentes do mesmo. Já para o PT o caminho é o inverso. Apesar de possuir uma estrutura volumosa de governadores, parlamentares e políticos profissionais ligados a estrutura do Estado Burguês, a polarização se direciona ao PT tornando-o no polo de aglutinação contra o projeto neoliberal-fascista do golpe. Desenvolvemos com maior profundidade essa contradição no artigo publicado às vésperas da eleição de 2018, “A Dialética da Polarização”.

Esses setores ligados a institucionalidade que são chamados de “ala do direita do PT” pelos oportunistas “de esquerda”. De fato, são mais suscetíveis às pressões do Estado burguês. Mas até ai, nenhuma novidade, já que até os pequenos partidos “de esquerda” legalizados, com programas “revolucionaríssimos” — como é o caso do PCO, dependem do fundo partidário e outras formas de sustentação junto ao Estado (por exemplo, militantes em gabinetes parlamentares, ligados às universidades públicas, sua base de servidores, etc) para sustentar sua estratégia de marketing.

O que define as bases gerais da atuação do PT é seu programa. Para nós, o que um ou outro quadro afirma — como alguma declaração imprecisa de Haddad sobre a Venezuela ou o diálogo institucional dos governadores com o governo Federal eleito através da fraude eleitoral —, é secundário. É, no mínimo, inusitado utilizar a política dos governadores petistas para atacar o PT, afinal, todos os Estados da Federação estão em crise e o governo Federal está adotando uma política de boicote aos estados do nordeste justamente pela grande presença da militância petista. Essa crítica possui erros grotesco, visto que, em primeiro lugar, a luta de massas contra o golpe e a questão institucional, apesar de contraditórias, não são antagônicas. Esse é um dualismo mecânico que só cabe na cabeça dos esquerdistas.

Claro que nos do Partido dos Trabalhadores devemos lutar contra a intervenção estrangeira em nosso país e denunciar a “farsa democrática”. Por óbvio o partido tem que avançar rumo ao fortalecimento de um partido de massas e não meramente eleitoral. Mas estes debates se darão dentro do PT e com as suas bases, e não atacando supostos inimigos internos.

O Partido dos Trabalhadores, pela sua política operária, de esquerda e de massas, tem um programa democrático-popular, o que significa defender um projeto da democracia popular para promover as reformas que não foram e não serão feitas pela burguesia nacional, como Reforma urbana, agrária, tributária, entre outras. Defendemos também a soberania nacional junto aos interesses da classe trabalhadora.

De maneira geral, o PT vem atuando sim dentro dos marcos gerais da legalidade até esgarçar os limites da institucionalidade burguesa. Isso é o que rege a contradição política da nossa época. O PT o único partido existente que, enquanto atua nos meios institucionais, leva ao acirramento das contradições existentes entre o direito constitucional, consagrado no Brasil, e o direito internacional. Conforme o PT vai respondendo aos ataques das perseguições golpistas, o golpe vai sendo desnudado aos olhos de toda população e criando fissuras institucionais que nos encaminham para uma ruptura, pois vai ficando cada vez mais claro que não existe mais constituição, rasgada a partir do golpe de 2016 com a derrubada do governo democraticamente eleito da presidente Dilma, com um impeachment sem crime de responsabilidade e que posteriormente foi coroado com a cassação do direito do presidente Lula de ser empossado presidente, graças à farsa jurídica montado por Moro. Este, por sua vez, foi beneficiado por sua sentença e ganhou poderes junto ao governo adversário de Lula e do PT. E não para por ai: conforme os golpistas precisam ampliar os ataques contra a classe trabalhadora, eles ampliam no mesmo grau a cassação dos direitos democráticos e políticos do povo, a exemplo do projeto fascista do carniceiro Moro, que autoriza a polícia a matar a população desarmada sem nenhuma punição.

É óbvio que, para nós, marxistas-leninistas, é através da luta política de massas contra o golpe que será possível a derrotá-lo. Porém, apesar da tendência real do acirramento da luta de classes, é necessário um fato político que sirva de estopim para a mobilização de massas. A ultima vez que tivemos um fato político, foi a ida de Lula para o sindicato dos Metalúrgicos, antes da sua condução coercitiva ilegal. Agora tal fato só será alcançado no momento em que o Brasil assumir sua participação na guerra contra a Venezuela, o que colocará em xeque todas as estruturas do regime golpista, fantoche de Washington. Por tanto, não se trata só de uma questão de “crise de direção”, como os senhores trotskistas tanto gostam de pregar por aí, sem nem tentar ou sequer possuir estrutura para convocar a população à luta. É necessário, portanto, criar os meios para que essa luta se desenvolva e atinja uma consciência possível de associar todos os eventos que estão levando o Brasil à sua destruição. Isso se transcreve pela necessidade de um grau de organização com estrutura, unidade e disciplina para conduzir esse processo à vitória.

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