Hipocrisia dos EUA: Silêncio com o Haiti e histeria contra Venezuela.

O cinismo dos meios de comunicação que tratam a Venezuela e o Haiti de maneiras tão distintas é impressionante. O governo do Haiti, aliado dos EUA, vem reprimindo o povo que se manifesta contra a exploração e a miséria impostas pelo neoliberalismo, causando dezenas de mortes e feridos em todo país. Porém esse fato segue não sendo notícia nos meios de comunicação. Fato que revela as reais intenções imperialistas dos Estados Unidos contra os povos da América Latina e Caribe, obviamente sua preocupação não é em nenhum aspecto as questões humanitárias, mas sim o controle geopolítico do continente.

A hipocrisia da OEA – Organizações dos Estados Americanos é visível. A OEA está em diálogo com o governo do Haiti, apoiando o governo, apelando para o diálogo e para respostas pacíficas. Sua postura tem sido muito diferente da forma que enfrenta a questão Venezuelana, onde apoia as manifestações da oposição, pedindo a renúncia do Presidente Maduro e articulando uma intervenção militar.

As gigantescas manifestações no Haiti vem sendo sufocadas pela imprensa ocidental, pois desestabiliza a retórica do Império norte-americano em um momento que pretende invadir a Venezuela.

FRAUDE ELEITORAL LEVA AO PODER GOVERNO NEOLIBERAL ALIADO DE TRUMP

Em 2015, eleições presidenciais foram convocadas pelo então presidente Michel Martelly do Partido dos Cabeças Raspadas (PHTK), eleito em 2010 após o terremoto, obteve o apoio da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. Martelly lançou Joneval Moise, empresário do ramo de bananas para Alemanha e membro do seu partido, como candidato à presidente.

O processo eleitoral foi marcado pela violência, fraude e assassinatos. Denuncias de inúmeras irregularidades, tais como as cédulas de votação estarem já marcadas com o nome de Joneval Moise, levaram a oposição e as organizações populares do país a denunciarem um golpe de estado eleitoral.

Mesmo com violência, turbulência e fraudes notórias, OEA, Estados Unidos e União Europeia reconheceram de imediato as eleições fraudadas, dizendo que elas estavam de acordo com as “normas de qualidade internacionais”. Porém, sobre grande pressão popular os observadores internacionais que denunciavam as fraudes conseguiram o cancelamento das eleições.

Novas eleições foram realizadas em 2016, onde apenas 21% do eleitorado haitiano participou das eleições, eleições conturbadas, com distúrbios, repressão, mortos e instabilidade crescente. Com apenas 590 mil votos, Joneval Moise foi proclamado presidente, em um país de 10 milhões de pessoas. A menor participação em uma eleição do hemisfério ocidental desde 1945.

PROJETO DO GOLPE NEOLIBERAL E DE ALINHAMENTO AOS EUA APROFUNDARAM A CRISE NO HAITI

Após a eleição fraudada, A reação da chamada “comunidade internacional” foi reconhecer o resultado. Afinal, com o fim da “era eleitoral”. A direita golpista só reconhece eleições onde ela ganha. O próprio presidente dos EUA, Trump, enviou suas felicitações ao presidente eleito. No ano seguinte, qualificou o Haiti e El Salvador como países de merda.

A turbulência e a crise política e econômica no país se agravaram com as neoliberais adotadas pelo governo do Haiti para pagar a dívida externa com o FMI. A dívida externa do Haiti está estimada em 890 milhões de dólares e entre os maiores credores estão, além do FMI, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A medida de “ajuste” exigida pelo FMI envolvia o aumento da gasolina em 38%, do diesel em 47% e da querosene em 51% – este último utilizado pela maioria dos haitianos para iluminação, pois não há eletricidade na maioria das casas.

A situação ficou ainda pior graças a pressão dos EUA para que o país se afastasse dos programas sociais do Petrocaribe, afim de tentar prejudicar a Venezuela. Aos poucos o governo haitiano foi se desvinculando dos seus vizinhos do sul, fundamentais para reconstrução do país após o terremoto de 2010. Até o ponto do atual presidente Joneval Moise reconhecer Guaidó como presidene da Venezuela, esse último defende o fim da Petrocaribe que por considera um presente de petróleo. Mostrando que Joneval não passa de um capacho do império que defende medidas que prejudica seu próprio país.

O país foi colocado na emergência econômica  pelo FMI, o que causou uma explosão no aumento do preço dos combustíveis e alimentação. Que por sua vez desenvolveu em uma nova onda de protestos

SITUAÇÃO SOCIAL NO HAITI.

Haiti é a mais pobre do continente Americano. Tem um dos índices de desenvolvimento humano mais baixos do continente 0.498. Em 2018, sua economia cresceu apenas 1,4%. Segundo as fontes oficiais, cerca de 41% da população desempregada e 2/3 tem empregos informais. Já que a maioria da população vive abaixo da linha de pobreza e cerca de 60% dos habitantes são subnutridos.

A FALACIOSA AJUDA HUMANITÁRIA DOS EUA NO HAITI

A crise no país começa a partir de um golpe militar, onde tropas estadunidenses que estavam estacionadas na República Dominicana, sequestraram o presidente Jean Bertrand Aristide, a crise política decorrente do golpe e a instalação de um governo fantoche dos EUA, levaram a ocupação militar do país pelas tropas da MINUSTAH (Missão das Nações Unidas pela Estabilização no Haiti) sobre o pretexto de “ajuda humanitária”. Para termos ideia, 90% dos recursos liberados para a chamada “ajuda humanitária” não foram parar nas mãos dos haitianos, mas foram enviadas para organizações estrangeiras, entre elas, a Fundação Clinton.

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