Cartel de Lima estimula crise e pode levar à guerra.

Na última segunda-feira, dia 25 de fevereiro, se reuniu na cidade de Bogotá, sob protesto de movimentos sociais colombianos, o grupo apelidado de “Cartel de Lima”. Tratasse de um “fórum” criado pelos Estados Unidos, onde se reúnem 12 governos golpistas de países satélites na América Latina, que tem como objetivo principal destruir o chavismo na Venezuela e promover uma mudança de regime.

Essa reunião é parte do roteiro elaborado pelo Pentágono e caminha junto com a estratégia que, no último sábado (23), tentou fabricar um pretexto mentiroso com a falsa “ajuda humanitária”. O governo estadunidense e seus funcionários sul americanos falharam em iniciar uma guerra contra o Estado soberano da Venezuela e tiveram que limitar sua agressão à campanha publicitária. Por sua vez, o Estado venezuelano exerceu seu direito legítimo de defender suas fronteiras após a tentativa de invasão forçada de cargas ilícitas em seu território. A agressão incluiu a participação de grupos paramilitares que usaram a população civil como escudo, promoveram dezenas de false flags (operações de “bandeira falsa”) e ataques contra soldados venezuelanos.

A reunião encaminhou um ultimato, onde o “Cartel” assinou pela realização forçadas de eleições, ameaçando o governo Maduro caso não venha a renunciar “pacificamente”. Enquanto falam hipocritamente de “ajudas humanitárias”, esse “Cartel” promete adotar novas sanções ilegais e unilaterais contra o povo venezuelano. As sanções vem causando, desde 2016, o prejuízo de US$ 140 bilhões, sendo um dos fatores reais para o agravamento da crise econômica que assola o país.

Outra resolução foi a de arrolar um processo contra o presidente Nicolás Maduro e outras autoridades venezuelanas junto ao Tribunal Penal Internacional por “crimes contra humanidade”. Usaram isso os eventos já comprovadamente mentirosos de bandeira falsa cometidos pela Colômbia e Estados Unidos, entre eles a queima dos caminhões com a carga ilegal e a morte de paramilitares que tentaram tomar um posto do Exército à força.

As provocações e ameaças não param. O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, junto ao presidente da Colômbia, Iván Duque, e o fantoche da CIA, Guaidó, insistiram em convocar as Forças Armadas da Venezuela para que traiam a constituição e golpeiem o país. Guaidó chegou ao ponto de twittar dizendo que revogava a parte da Constituição onde configura o crime de traição à pátria. Também reafirmaram a ameaça de invasão militar estrangeira, usando o mote “todas as cartas estão sobre a mesa”.

Nesse sentido, Guatemala, Brasil, Chile e Peru afirmaram que não participariam de uma ação militar, o que resultou em uma resolução do “Cartel” que afirma que este “não participará de uma guerra contra Venezuela”. Porém, deve ficar absolutamente claro para todos, que esta declaração de não participação em conflito de nada vale. Já tivemos ao largo da história diversos casos parecidos envolvendo a OEA e outros organismos quando lançada uma nota contra a guerra na realidade blindou os Estados Unidos em ações militaristas e unilaterais.

Dada a dependência e subordinação dos governos de direita da região ao imperialismo norte-americano, devemos nos perguntar: prevalecerá as declarações de governos ilegais e golpistas que unicamente temem a guerra por saberem que serão derrotados ou os interesses do Imperialismo norte-americano que pretende pilhar toda a região? É óbvio que na balança de forças prevalecerá os interesses dos EUA que querem a guerra e trabalham para ela, e para isso vão envolver o país latino que bem entenderem neste conflito.

A única possibilidade de conter essa escalada militarista contra a Venezuela não é pelas falsas declarações dos golpistas do “Cartel de Lima”, mas sim pela ampla mobilização dos povos e dos governos do mundo em torno do diálogo, do repúdio à intervenção militar e pela autodeterminação dos povos, assegurando os princípios do direito internacional que o governo norte-americano tem violado constantemente.

Durante o encontro, os governos golpistas deixaram claro que não é uma opção para eles “conviver com a revolução venezuelana” já que ela pode se converter em um exemplo perigoso que influenciará os povos a se levantarem contra as ditaduras que se implantam no Brasil, Argentina, Chile, Peru etc. Assim, esses países estão dedicados em uma mudança forçada de governo, o que levará inevitavelmente ao aprofundamento da crise. Com esses governos fantoches no poder, nunca teremos a paz na região, já que eles são os mensageiros da guerra.

HISTÓRICO E SITUAÇÃO DOS REGIMES DO CARTEL DE LIMA

Todos os governos que compõem o “Cartel” chegaram ao poder através de golpes. São governados por uma direita neoliberal e fascista com um largo currículo à serviço das causas mais abomináveis contra os povos. Mesmo assim, possuem a audácia de se colocarem como “baluartes da democracia”.

Desde 2004, com o golpe de Estado no Haiti, quando o presidente legítimo Jean Bertrand Aristide foi derrubado do poder, sequestrado por paraquedistas norte-americanos e enviado para exílio forçado na República do Congo, o imperialismo dos Estados Unidos está incendiando o continente.

Em especial, desde de 2013 que a Venezuela vem sofrendo sanções e roubos de seus recursos no exterior. São 140 bilhões de dólares em prejuízos, uma campanha midiática diária que pede pela guerra com mentiras, infiltrações de paramilitares em seu território, uma oposição que queima armazéns de comida e remédios, tentativas de assassinato contra o presidente Maduro, assassinato de dirigentes chavistas, tentativas de golpe, ataques na fronteira, entre outras provocações e ataques dos Estados Unidos e de seus satélites da região. Essa é a origem da “escalada de tensões” que a direita provocou. Deram golpes e fabricaram o caos na região.

Os golpes originaram em governos civis-militares fracos e instáveis, que se sustentam na repressão militar, na perseguição política e jurídica, em uma ampla campanha midiática pela guerra e estimulando a divisão religiosa dos povos entre católicos e neopentecostais seguidores de Israel. Romperam todas as regras básicas da legalidade e da democracia burguesa, perseguem o Partido dos Trabalhadores e dezenas de lideranças latino-americanas para combater um inimigo que não existe, “os comunistas”, esmagaram os direitos democráticos e sociais do povo. Agora é tarde para falar em conter o “radicalismo” e tentar reverter a “escalada de tensões”.

Os párias venda-pátria do “Cartel de Lima” caíram na própria armadilha e não poderão sair dela sem provocar uma guerra. A partir do momento que eles apelam para novas e mais sanções ilegais contra a Venezuela, eles instigam o aprofundamento da crise. Porém, eles sabem que sanções nunca derrubaram governos nacionalistas de povos dedicados pela sua libertação. Coreia (“do Norte”) Popular e Cuba que o digam. Conforme a violência das sanções são mais profundas, mais o povo da Venezuela trabalha e mais se recebe solidariedade dos outros povos do mundo.

As sanções também tem o efeito colateral contra os regimes golpistas da região, já que perderão parceiros que não concordam os sanções unilaterais, em especial os países da África e Ásia.

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