Discurso de Mourão no Cartel de Lima mostra a covardia dos Militares

No Encontro do “Cartel de Lima”, realizado na última segunda-feira (25), o General maçom Hamilton Mourão, que atua como “primeiro-ministro” de fato do novo regime civil-militar, fez um discurso covarde, cínico e ingerencista.

Em castelhano medíocre, Mourão discursou afirmando que as Forças Armadas do Brasil não participariam de uma invasão à Venezuela.  Essa frase foi destaque na imprensa. O fato é que as Forças Armadas do Brasil estão sob intervenção estrangeira e são a coluna vertebral do projeto de traição à pátria. Por essa razão, não se deve levar à sério esta declaração e sim insistir na mobilização do povo brasileiro contra a guerra, em apoio ao governo Nicolás Maduro e à Revolução Bolivariana.

A retirada de última hora do governo brasileiro de invadir a Venezuela não pode levar à análises que o Brasil abandonou a opção militar ou que boicotou a ação dos EUA. Afinal, na mesma semana, o general Leal Pujol afirmou que a participação do Brasil nessa ação fecharia os canais de diálogo com o Exército venezuelano, tornando assim mais difícil fomentar uma conspiração.

Devemos levar em conta que os militares que temos hoje no comando das Forças Armadas são todos formados sob a doutrina de Golbery, da CIA e das Forças da ONU, ou seja, são fascistas neoliberais. As consequências concretas do golpismo, até então, tem sido o alinhamento automático ao imperialismo.

É verdade, no entanto, que o regime entreguista dos militares percebe que envolver o Brasil diretamente no conflito da Venezuela pode provocar a desestabilização do golpe, que já enfrenta enormes dificuldades para avançar. O Alto Comando tem um grande problema nas mãos.

O Exército mostra uma fraqueza para enfrentar outro exército regular. Desde 1964, as Forças Armadas são formadas com a lógica de “defesa” voltada para reprimir o inimigo interno, ou seja, o próprio povo brasileiro. Eles são muito valentes massacrando o Haiti, intervindo nas favelas do Rio de Janeiro, torturando jovens dentro de quartéis, reprimindo manifestações em Brasília, mas quando se trata de uma guerra de verdade, os generais se mostram uns completos covardes.

Declarações de golpistas não valem de nada, mas é importante analisar o discurso de Mourão para perceber os reais planos da direita. Em seu discurso, ele disse que “é impossível conviver com o chavismo na Venezuela”. Em palestras dadas por ele à militares e maçons, explicou que a existência do Estado bolivariano e chavista é um estandarte de luta que influencia todos os países da América Latina. É tradição de exército exterminar “exemplos perigosos” para a memória do povo, assim como exterminaram o exemplo de Zumbi, dos quilombolas, Conjuração Baiana, Balaiada, Revolta dos Malês, Canudos, Revolta da Vacina e tantas outras revoltas populares que ocorreram no Brasil.

Os golpistas não descansarão até levarem ao poder a oposição, mas já percebem que ela não possui forças para derrotar o chavismo. Nesse sentido, Mourão chamou todos os governos lacaios de Washington para derrubar o governo democraticamente eleito do presidente Maduro, em uma ação ingerencista e subalterna ao imperialismo.

Seguindo seu raciocínio criminoso, Mourão argumenta que os governos golpistas reunidos ali deveriam apelar na ONU e em outros organismos internacionais, afim de referendar a ampliação das sanções ilegais contra a Venezuela. Como seu papel é destruir a multilateralidade, o direito internacional e fortalecer o governo único e global do eixo EUA-Reino Unido-Israel, para Mourão, caso a ONU não aceitasse a exigência, ela não serviria para nada. Lembrando que o Brasil, desde que se negou a cumprir a determinação exigindo a participação do presidente Lula nas eleições de 2018, vem atuando em uma política de esvaziamento gradual da ONU, reafirmando o pensamento do imperialismo de chamar a América Latina e Caribe de “seu hemisfério”: a Doutrina Monroe.

Mourão, cinicamente, disse ainda que o conflito na Venezuela é a porta de entrada para “sujeitos estranhos” (se referindo à Rússia e China) no nosso continente, sem levar em conta que Rússia e China tem, desde o final do século passado, uma presença econômica crescente com todos países da região. O “presidente de fato” tenta aqui ideologizar as relações econômicas e diplomáticas do Brasil. Claro, não se viu nenhum comentário desse entreguista com relação as dezenas de bases militares dos EUA cercando o Brasil ou do exercício sionista-estadunidense que está ocorrendo na nossa fronteira com o Paraguai. Ou, para ele a presença de Israel é normal na América Latina? Esse governo sabujo foi o primeiro a convocar os sionistas para entrar no nosso território e fazer propaganda com os nossos mortos na tragédia anunciada de Brumadinho-MG.

O ponto mais interessante do discurso desse general entreguista é o cinismo ao acusar a Venezuela de ser a responsável pela escalada de tensões na região.

Devemos lembrar que Mourão foi ativo dentro do Exército para derrubar o governo democraticamente eleito da presidente Dilma. Apoiou o governo Temer, que iniciou ataques contra a Venezuela, suspendendo o país do Mercosul, promovendo embargos ilegais e tendo uma política hostil contra a Venezuela.

Mourão é um ativista dessa política de incendiar o continente. Desde 2013, percorre todos os quartéis do Brasil fazendo “palestras”, doutrinando as tropas com o pensamento único do entreguismo e traição à pátria. Algumas dessas palestras foram filmadas e tiveram vídeos vazados ficaram conhecidas ao público quando este estimulava o golpe militar, defendia a entrega da Amazônia e chamava os brasileiros de inferiores.

Foi Mourão que propagou a mentira de que o “Foro de São Paulo” era uma ameaça à soberania dos países da Região. Alimentou o ódio contra um perigo imaginário, a “dominação socialista”. Agora Mourão se depara com um “perigo” real e se acovarda. Terá que enfrentar um movimento de massas concreto, uma liderança firme e que lidera uma revolução armada. Mourão e todos esses generais covardes inevitavelmente terão que colher todo ódio, golpismo e violência que eles promoveram.

Antes de assumir a função de vice, sobre sua última reunião do Alto Comando, disse: “A nossa próxima Força de Paz será na Venezuela”. Os golpistas incendiaram o continente com sua ações irresponsáveis e persecutórias, agora é tarde para se eximir da responsabilidade e fugir como covardes de um conflito estimularam.

As Forças Armadas entreguistas do Brasil sentiram o peso da resistência, porque está claro que o chavismo não vai se dobrar aos gritos dos golpistas, independentemente das sanções dos EUA. Também está claro para todos que apesar dos prejuízos, as sanções contra a Venezuela não vão estrangular o país, pois a maioria dos países apoiam Maduro, que também conta com um gigantesco apoio interno.

De qualquer forma, o Regime militar do Brasil será atingido pelo conflito. Talvez seja a oportunidade de nos livrarmos de uma vez por todas dessas Forças Armadas reacionárias e do fantasma assassino de Duque de Caxias. Marchando assim, rumo à libertação nacional, antineoliberal e antineocolonial do Brasil.

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