Ciro Gomes pede a derrubada do Governo Maduro

Normalmente é de onde menos se espera que não vem nada mesmo. Mas as vezes somos surpreendidos com o óbvio. Enfim, não aguardamos pela defesa da revolução bolivariana de setores que não façam parte da esquerda, como é o caso do senhor Ciro Gomes mas o mínimo que se espera de alguém que se diz nacionalista e nacional desenvolvimentista seria uma posição clara em solidariedade ao governo Maduro contra o golpe de Estado em curso e as ameaças imperialistas de guerra.

A posição política de alguns diante das grandes questões da conjuntura definem sua verdadeira posição dentro da luta de classes. No decorrer desse texto, não nos ateremos à posição danosa que Ciro tem de mascarar a ditadura que vivemos no Brasil em toda sua retórica de respeito às instituições democráticas, aos cem dias e outras baboseiras. Em entrevista recente concedida à rádio cearense, Ciro Gomes atacou o governo do presidente Nicolás Maduro, em um momento que a Venezuela é vítima de vários ataques visando a guerra. “O regime está mais que maduro, está podre”, disse.

Não bastando ter chamado o general que entregou a Embraer para a Boeing, Augusto Heleno, de “homem de nível”, o “coroné” da família Gomes coloca o governo Maduro na lista de “governos indefensáveis”. “O regime Maduro que está muito decadente não dá mais para defender”, afirmou. Se coloca ao lado da Folha que em sua linha editorial só chama o governo Maduro de “regime”, pedindo sempre nas entrelinhas, ou até mesmo explicitamente, por uma “mudança de regime”. Foi só passar a eleição que Ciro mudou de opinião outra vez e agora não considera a Venezuela como uma democracia. E se coloca ao lado do Trump, que quer provocar uma mudança de governo na Venezuela custe o que custar. Mostrando assim que o nacionalismo de Ciro é igual ao patriotismo de Heleno, que nem no discurso se sustenta.

Ciro continua com as barbaridades: “Os radicais [da Venezuela] também querem essa guerra, porque nada melhor para um governo decadente do que INVENTAR um inimigo de fora”. Ou seja, para ele o imperialismo norte americano que desde 1998 está dedicado a destruir a revolução bolivariana é uma obra de ficção do Maduro. Os fatos do golpe de Estado de 2002, as tentativas de golpe em 2014 e 2016, as guarimbas de 2017, o bloqueio econômico, a guerra econômica interna, o assassinato de dirigentes chavistas e inclusive as diversas tentativas de assassinato do Presidente Maduro, tudo isso seria para “inventar” inimigo de fora.

O oligarca continua dissimulando: “De um tempo para cá, se aproximaram da Venezuela a China, Rússia e Turquia, que armaram o país”. Em seguida ele dispara: “Temos que desarmar essa bomba”. É óbvio que Ciro Gomes tem conhecimento que em 2004, quando os EUA romperam unilateralmente todos os acordos comerciais de armas e equipamentos bélicos com a Venezuela, obrigou o país a negociar com a Rússia. Ele também tem conhecimento que existem 9 bases militares dos Estados Unidos na Colômbia — todas

perto da fronteira com a Venezuela, 12 bases no Panamá, 12 bases na ilha de Porto Rico, 1 base em Aruba, 1 em Curaçao e tropas na República Dominicana. Essas bases cercam a Venezuela por todos lados.

A Venezuela tem uma Força Armada voltada para defesa, basta analisarmos os equipamentos e o plano estratégico do país para constatarmos isso. Os recursos materiais que o país dispõem não são para promover uma ofensiva.

Ciro ainda faz um elogio à política externa do PSDB: “A pretexto correto de criticar o Regime Maduro, o Brasil toma lado”. A política externa do golpista Aloysio Nunes [PSDB] foi romper relações econômicas com a Venezuela — e causar prejuízos para o Brasil — expulsar a Venezuela do Mercosul, boicotar a integração latino-americana se retirando da UNASUR, de esvaziar os BRICS, de fechar embaixadas na África e voltar sua política para Europa e Estados Unidos.

Ciro ainda defende a Doutrina Monroe “A Venezuela está trazendo para nosso hemisfério atores estranhos (Rússia e China)”. Uma critica constante que domina a retórica dos golpistas do Cartel de Lima, como o [vice] presidente-de-facto, Hamilton Mourão.

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