Esquerda tomará o poder, mas não será pelas eleições

GOLPES E PERSEGUIÇÃO POLÍTICA NA AMÉRICA LATINA

Os golpistas rasgaram a Constituição ao aprovar Impeachment contra o governo Dilma sem crime de responsabilidade e declarar a prisão do Presidente Lula sem prova e sem crime, com o objetivo maior de afastá-lo da disputa presidencial, pois sabiam que ele ganharia. Com a lava-jato, montou-se um sistema policial que visa sabotar a economia nacional, entregar a soberania e as riquezas do Brasil ao imperialismo dos Estados Unidos.

A judicialização contra líderes de esquerda na América Latina, tais como o presidente Lula, Cristina Kirchner, Rafael Correa, Jorge Glas [vice-presidente do Equador] são parte de uma perseguição política dirigida por um sistema de justiça burguês e pró-EUA contra os patriotas latino-americanos. A falta de materialidade nas acusações contra tais lideres é categórica pela sentença do Juizeco de Curitiba, Sergio Moro que diz “não ter provas, mas convicção”. É uma regressão aos primórdios da Idade Média, quando os inquisidores enviavam pessoas à fogueira apenas por acusações. Com iluminismo havíamos evoluído instituindo a presunção de inocência — em oposição à presunção de culpa medieval, mas a Lava-jato reinstitucionalizou o caça às bruxas.

QUADRO DE INSTABILIDADES DOS GOVERNOS GOLPISTAS NA AMÉRICA LATINA

O caudilhismo norte-americano, instituiu em quase a América Latina e Caribe governos neoliberais que possuem o controle do poder judicial, militar e financeiro. Porém, esses governos não tem poder sobre os povos. O projeto norte-americano do golpe continental originou em governos de direita que estão longe da estabilidade. Por exemplo:

  1. Na Argentina, Macri levou a país à quebra e está ao ponto de perder as próximas eleições, caso a articulação da Frente Ampla argentina dê certo.
  2. No Brasil, Bolsonaro, que é um fantoche dos militares, está cada vez mais fraco e o General Mourão, mais acostumado com as negociações, está na via de construir o autogolpe.
  3. Na Colômbia existe uma situação altamente explosiva. O resultado das últimas eleições colombianas foram que 64% dos votos totais pediam mudanças. A oposição colombiana passou de 1 milhão de votos para 8 milhões em apenas 4 anos, lembrando que a Colômbia é hoje o país que mais é bombardeado por propaganda anti-chavista.
  4. No Panamá, há eleições em maio deste ano, com grandes chances de vitória da esquerda.
  5. No Haiti, para complicar ainda mais o quadro, há uma situação onde o povo está se mobilizando intensamente por todo o país, exigindo a saída do presidente neoliberal e capacho dos Estados Unidos do poder. Há todos indícios que a situação irá se intensificar ainda mais e pode gerar um quadro revolucionário.

Portanto, os golpes que levaram ao poder governos de direita não significam que iniciamos um longo ciclo de hegemonia da direita na América Latina. A tendência é inversa, a começar pelo próprio exemplo do México. O México chegou tarde ao século XXI, e o governo de Lopez Obrador já promove mudanças importantes no país. Primeiro mudaram completamente a política externa, não vão as reuniões do Carel de Lima, não cometem ingerências em outros países, estão desmilitarizando o país, entre outras. Nunca esqueceremos também a importante resistência do povo da Venezuela, que influencia todos os povos da região. Os ataques recentes dos EUA contra a Venezuela uniram novamente o povo, mas dessa vez sob o espírito do comandante Chávez, com profundo ideário anti-imperialista e de defesa da soberania.

Dessa forma, o domínio da direita é aparente, mas os ataques soberbos não ficam sem receber uma resposta popular. E essa política de alinhamento aos norte-americanos afastam os BRICS. No Continente as oligarquias são fortes, mas elas tem seus limites que tem relação direta com seu poder econômico. No Brasil vemos claramente isso quando a Lava-Jato destrói, sobre o falso pretexto de combater a corrupção, todas construtoras nacionais e o mercado da carne brasileiro. Depois, com 2 meses de governo dos militares, China a deixou de comprar soja brasileira, a indústria de leite foi prejudicada, o mercado árabe deixou de comprar frango do Brasil e há uma política intensa de desindustrialização. Logo essas ações do imperialismo que está engolindo o mercado nacional cria conflitos notórios entre a oligarquia e a junta golpista.

CRISE POLÍTICA NOS EUA FAVORECE O AVANÇO PROGRESSISTA NA AMÉRICA LATINA

Em recente discurso, promovido durante evento da União Conservadora Americana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, citou 40 vezes a palavra socialismo. A pergunta que fica é: o que está acontecendo na sociedade norte-americana para se fazer tantos ataques contra o socialismo?

Nos EUA acabou o American Way of Life e o American Dream. Tudo agravou-se com a crise econômica de 2007-2008. Hoje as classes médias norte-americanas vem desaparecendo, 45 milhões de estadunidenses estão vivendo à baixo da linha da pobreza e 40% da população é pobre. Logo a classe dominante dos EUA necessitam culpar o socialismo de toda tragédia que o capitalismo criou.

Nos 1970 e 1980, uma família norte-americana conseguia mandar um filho para universidade, porém hoje, segundo senso daquele país, uma família de classe média vive com cerca de US$ 52 mil ao ano, como no país a educação é privada, o pagamento de uma universidade barata não custa menos de US$ 65 mil. Logo, os jovens norte-americanos são obrigados a estudar na Europa ou América Latina. Vemos cada vez mais jovens asiáticos, que são subsidiados pelos seus governos, ocupando as vagas nas universidades dos EUA.

Isto mostra a revolta dos povos estadunidenses que estão cansado dos sucessivos governos que impedem a possibilidade deles progredirem e não garantem absolutamente nada para a população. Segundo dados oficiais, em três décadas, 50% da população estadunidense permaneceu com a mesma renda, enquanto que os 10% mais ricos mais que duplicaram seus rendimentos.

Toda essa insatisfação popular nos EUA fica evidente quando Bernie Sanders (que não consideramos um progressista e que remete várias declarações infelizes contra a Venezuela e o socialismo real) vendo o discursos estúpido de Trump, respondeu anunciando a sua campanha para Presidência e em menos de 24 horas recebeu US$ 6 milhões em suporte de campanha de pequenos e médios empresários.

Uma mensagem clara foi dada pelos povos aos senhores do poder quando elegeram uma representante muçulmana e africana. Além disso, vimos a grande campanha de solidariedade das organizações populares e do povo norte-americanos contra a guerra na Venezuela, pois eles reprovam em absoluto a política de guerra e ingerência que os governos dos EUA tem com os povos do mundo

AMERICA LATINA É A REGIÃO MAIS IMPORTANTE DO MUNDO E O BRASIL ESTÁ NO CENTRO.

Após 2002, com a derrota do golpe de Estado na Venezuela e posteriormente a vitória do Presidente Lula no Brasil, os Estados Unidos vem administrando suas derrotas e aprendendo com as debilidades da esquerda progressista e nacionalista da América Latina, levando a regressão do continente para direita.

Os EUA estão conscientes que no novo tabuleiro da geopolítica internacional, a América Latina possui uma renovada importância. Se a América Latina não fosse importante para os EUA, eles não teriam criado a doutrina Monroe ainda em 1823 e o Big Stick em 1911. A América Latina é a região geopoliticamente mais importante do mundo, tanto pelas suas grandes riquezas quanto pelo seu grande potencial produtivo.

Apesar desses fatos, a propaganda oficial dos EUA é renegar e ridicularizar a América Latina, chamando os latinos de gente burra, bárbara, preguiçosa, que vive às custas dos EUA, e outros adjetivos pejorativos. Mas é tudo totalmente ao contrário, eles cobiçam nossos recursos naturais: muitas das informações sobre as nossas reservas minerais estão no Instituto Geológico dos EUA e a nossa região é vista como “porta traseira”.

Vista como sua zona de influência, os EUA tentam a tudo custo repelir a presença da Rússia e China no continente, visto o declínio do império. Era impensável alguns anos atrás que haveriam manobras conjuntas de navios russos e venezuelanos e a presença dos chineses no Caribe, que estão construindo na Nicarágua um grande canal, dado que o canal do Panamá está obsoleto. A construção chinesa do canal da Nicarágua é um principal motivo para estarem tentando derrubar o governo de Daniel Ortega.

VENEZUELA É O BASTIÃO DA RESISTÊNCIA DA PÁTRIA LATINO-AMERICANA

A derrota do imperialismo no dia 23 de fevereiro, provou que os EUA sairam muito mal da sua estratégia de confrontação direta contra a Venezuela. Porém, de forma alguma eles irão abandonar o plano de provocar uma mudança de regime, já que o país possui 3 minerais essenciais para os EUA: Petróleo, ouro e coltan.

Dadas as derrotas consecutivas no Conselho de Segurança da ONU e do dia 23 de fevereiro, a linha de agressão adotada pelos EUA neste momento é criar todas as maneiras para prejudicar a economia venezuelana, enquanto criam focos de ação contrarrevolucionária, que para combatê-los é necessário um esforço na inteligência. Operações de bandeira falsa, agressões de paramilitares na fronteira entre Colômbia e Venezuela, recrutamento de forças mercenárias irregulares e lúmpens para promover atos terroristas, assim como fizeram com “Los Contras” da Nicarágua, serão a tônica da agressão pelo curto prazo.

Para essa tarefa criminosa foi escalado um time de sociopatas, gangsters, fascistas, traficantes internacionais de armas e criminosos de guerra, representados por figuras como John Bolton, Juan Cruz, Elliott Abrams, Pompeo e Marco Rubio. Dessa gente criminosa qualquer coisa deve se esperar, pois eles tem um largo histórico de serviços prestados contra a humanidade.

VOLTANDO AO PODER, A ESQUERDA PRECISA CORRIGIR SEUS ERROS.

A questão central hoje é a tomada do poder. Mas o que significa tomar o poder na América Latina dos dias atuais? Durante uma década, os movimentos populares, sindicais e nacionalistas que emergiam da luta contra o neoliberalismo e as ditaduras militares conseguiram chegar ao governo, porém jamais conseguimos chegar ao poder. Pois o poder está muito além de um governo.

Uma força que almeja tomar o poder, no Brasil por exemplo, necessita promover um processo constituinte, dedicando-se prioritariamente na missão da reestruturação das bases até o topo de todo sistema de justiça, promover uma profunda Reforma Política que acabe com o poder econômico e das oligarquias, uma democratização ampla de todos os meios de comunicação e uma Reforma nas Forças Armadas, eliminando a escória entreguista do Exército e desmilitarizando a sociedade.

Durante essa década de governos progressista, onde o marco econômico internacional permitia o financiamento e expansão dos investimentos públicos, conseguimos garantir gigantescas conquistas, que jamais foram alcançadas pelas décadas anteriores em todos os governos da direita e dos oligarcas.

Porém, todos os governos progressistas da América Latina, caíram na armadilha economicista. Dado as experiências do passado, tal como o varguismo, o peronismo, que foram percursores dos movimentos de esquerda atual, quando conseguiram apoio popular através da elevação da qualidade de vida do povo, entretanto isso se deu em uma época que existia lealdade política, além de fatores geopolíticos.

Seguindo essa experiência, a esquerda atual acreditava que ao tirar milhões de pessoas da pobreza, garantiríamos a construção uma base política que permitiria governar, por um período suficiente, para promover as mudanças que o país necessita.

Uma dessas mudanças é, por exemplo, a transformação da matriz produtiva, ou seja, a industrialização de uma nação. Essa política requer um esforço permanente de no mínimo 30 a 40 anos com a mesma política econômica.

No Brasil, mas também em outros países da região, as políticas de acesso ao consumo, ascensão social, ampliação das universidades, de concursos públicos entre outros, levou uma parte importante das classes populares e médias a se desenvolverem socialmente. Mas para nosso prejuízo, parte dessas bases tornaram-se pilar dos ataques da direita contra os governos do PT.

Todo o esforço através de políticas do PT, que os cientistas brasileiros fizeram para desenvolver a tecnologia de bicombustíveis, de pesquisas da Petrobrás para exploração de petróleo em águas profundas, foram entregues de bandeja pelos golpistas à Shell. Mas também poderíamos falar da nossa pesquisa nuclear ou da Embraer com os caças gripem e os nossos aviões de transporte, além de outros exemplos.

A realidade mostrou que ter número de deputados no Congresso não garante governabilidade. Em 2002, em entrevista, o magnata George Soros afirmou: “Não há nenhum problema na eleição de Lula, porque o povo brasileiro vota a cada 4 anos, nos do mercado, votamos todos os dias. Lula terá que adequar-se ao mercado porque se não ficará sem investimentos, sem comércio exterior e sem tecnologia”. Infelizmente, a esquerda não levou a sério essas ameaças.

Não reduzimos a importância de quão difícil é tomar decisões e agir em situações como essas de guerra, conspiração e golpe. A dimensão real que tem a responsabilidade do poder e a determinação que deve ser enfrentada pela realidade de governar, onde o principiante romântico e o esquerdista amador é a garantia da derrota. Porém, está claro que ser moderado muitas vezes é péssimo. A esquerda se cala diante dos ataques da direita, em especial com receio da imprensa. Nesse aspecto, devemos aprender com a direita, que quando chega ao governo exerce ataques não importando quem caia. Recuperando o governo, devemos avançar nas medidas que necessitamos promover para tomarmos o poder. Não podemos voltar a fazer maquiagens.

Uma falha da esquerda foi na educação política. Não seguimos os ensinamentos de José Martí, que dizia: “Educarmos para sermos livres”. A população deve ser beneficiar com a ascensão social e ser educada constantemente. Melhoramento das condições de vida não garante conhecimento político. Caso essa afirmação fosse errada não teríamos em toda América Latina essa classe média reacionária, traidora da pátria e ignorante, onde eles são em sua maioria com formação universitária.

E educação política não é formação política em época de campanha ou em grupos de estudos encastelados em sedes e universidades. É formação política diária, com forte tratamento ideológico. Porque se não haver educação no viés progressista, haverá educação pela direita, que bombardeia diariamente o povo com ideologia venal, preconceitos, desinformações através de todos os meios, redes sociais, televisão, rádio, igrejas, empresas etc.

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