“Fora Bolsonaro”? Esquerdistas repetem o erro que aceitou o golpe contra Dilma.

NOTA DE CONJUNTURA – EDITORIAL VOZ OPERÁRIA RIO DE JANEIRO – MARÇO DE 2019

Desde pelo menos a década de 1980 que o Imperialismo e a burguesia nativa aguardavam pela oportunidade de por em prática seu programa golpista, que começou a se consolidar em 2016 e que vivemos até o momento. Minaram nossa atividade produtiva, nossa capacidade de produzir ciência, controlaram nossas Forças Armadas, o sistema de inteligência, o judiciário, a grande mídia e outras instituições.

O projeto do golpe vai muito além de um governo, um político ou uma fração da junta golpista. É um projeto desolador que a médio e longo prazo visa destruir a soberania nacional, superexplorar nosso povo, nossos recursos naturais e realinhar o Brasil para a política externa dos Estados Unidos. Em resumo, pretende-se acabar com o Brasil enquanto Estado-nação e convertê-lo em um — ou vários — satélites coloniais do imperialismo no nosso continente.

Internacionalmente, os Estados Unidos — donos do golpe no Brasil, apesar de uma ou outra derrota pontual e da crise política e econômica, apenas iniciaram seu projeto de dominação total. Crer que os EUA estão em um declínio de poder e que por isso poderá se retirar do Brasil é um erro, já que o desfecho da crise nos EUA depende de quanto mais eles exploram as riquezas do Brasil e da América Latina.

Para nós, patriotas, é fundamental defender o governo Nicolás Maduro e a Revolução Bolivariana da Venezuela. Em primeiro lugar porque a vitória da revolução fortalece o avanço socialista. Em segundo, a derrota do imperialismo na Venezuela significa uma derrota do golpe do Brasil e do golpe continental programado na Casa Branca. Isso implica não apenas em uma vitória pontual, mas uma dura resposta ao imperialismo que rejeita as iniciativas multipolares pelo mundo.

Graças ao golpe de 2016, à operação Lava-Jato, ao processo fraudulento contra Lula e à toda a fraude eleitoral, um governo de verniz democrático foi “eleito” para esconder a ditadura militar. Logo, afirmar que foi o povo quem elegeu esse projeto é desconsiderar a guerra da qual estamos sendo alvo, que teve início com a “revolução colorida” de junho de 2013. Essa guerra, com traços claros das “Guerras de Quarta Geração” (do inglês “Fourth-Generation Warfare”, ou “4GW”) e das “Guerras Híbridas”, como a “Guerra Psicológica”, a “Dominação de Espectro Total” e a “Rede Integrada de Guerra Eletrônica”, etc, tudo feito para manipular parte do eleitorado e toda a fraude que aconteceu. Isso sem contar a face paramilitar do golpe, com as milícias regionais associadas ao narcotráfico internacional e o Estado golpista. Por tanto, deve ficar claro que é um governo que ocupa o poder de forma ilegítima, que não respeitaram a soberania do voto de 2014.

“Bolsonaro é nosso homem de massas”

Assim disseram Mourão e Heleno ao se referir do capitão, eleito com 37% dos votos totais. Vemos que a manutenção de sua figura pública só se sustenta para garantir uma base social de sustentação ao governo das Forças Armadas. O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) é o centro nervoso de onde que parte o programa do golpe imperialista.

Bolsonaro e seu “time de ministros” escatológicos tem uma função de distrair ao dar material à mídia repleto de falsas polêmicas. Difusas e constantes, são conhecidas popularmente como “cortinas de fumaça”. Trata-se de um elemento que impulsiona a confusão, afim de “desbaratar” a oposição ao golpismo e encobrir as reais intenções dos ataques contra a Soberania Nacional. As “cortinas de fumaça” midiática seguem o padrão das 4GW, onde estratégias militares são aplicadas no terreno cognitivo, impedindo o acesso das grandes massas à análises profundas sobre determinados. Quer dizer, informações das mais diversas passam como flashes pelos olhos dos espectadores e usuários das redes sociais. É a lógica do “dividir para conquistar” aplicado ao terreno midiático. Essa tática, além de emburrecer e rebaixar o nível do debate político, tem a função de formação para sua base fascista e evangélica.

Apesar de existirem algumas divergências entre Bolsonaro e a classe dominante — de caráter meramente moral, eles divergem com relação às questões comportamentais, mas concordam em tudo no que se refere a agenda neoliberal e fascista. A burguesia buscava um candidato do tipo FHC — defensor das minorias e da liberação das drogas, o qual não foi viabilizado, dada o tom de racionalidade necessário para o golpismo. Logo, é um equívoco amador afirmar que as crises do golpe anunciam o desmonte final do governo Bolsonaro. Sua saída depende da sua capacidade de conseguir avançar no programa neoliberal. Afinal, até o momento, ele é também uma peça no jogo geopolítico do bloco comandado pelo eixo EUA-Israel, já que consegue atrair o “sionismo neopentecostal” para a defesa do golpismo. Sua desestabilização também depende da geopolítica internacional. Os EUA não descartaram a carta militar. Estão nesse momento construindo a correlação de forças interna e externa, além de um pretexto para a guerra.

Nenhuma vitória contra o governo será alcançada enquanto houver a pulverização da oposição em lutas reativas contra medidas pontuais do governo militar.

Enquanto não se identificar que é preciso derrotar o golpe e o governo do GSI em seu conjunto, jamais avançaremos à vitória. Isto impede que as classes populares superem sua apatia, frustração e desmobilização fruto das derrotas consecutivas.

É preciso, antes de mais nada, impulsionar uma grande rebelião contra o regime militar. Mas isto não é construído de uma hora para outra. Hoje vemos dificuldade das pessoas em se organizar até mesmo em comitês de base.

Para essa rebelião, chega a ser ingênuo achar que basta o Partido dos Trabalhadores convocar manifestações e pronto, estará derrubado o governo ou que as massas irão vir. A estratégia de derrota do golpe depende da mobilização popular e também de fatores da política externa, como por exemplo a guerra na Venezuela. Para tal é necessário em primeiro lugar, retomar a construção de núcleos e comitês, a organização do trabalho de base, com estudo, organizar as lutas, fazer a agitação e propaganda. Nesse sentido, é acertadíssima a posição do Partido dos Trabalhadores de convocar o encontro Lula Livre, para organizar a campanha nacional pela liberdade do Lula.

Combateremos os ataques do golpismo, seja ele o de direita ou o “de esquerda”.

Há uma série de boatos inventados pela imprensa que instigam a respeito um suposto “racha” entre Gleisi e Haddad, colocando até mesmo o nome do presidente Lula no meio. As matérias da imprensa golpista não tem credibilidade alguma, principalmente sobre esse e outros temas que dizem respeito unicamente à militância do Partidos dos Trabalhadores. O que existe é uma tentativa de instrumentalizar o Haddad, mesmo que o próprio não se coloque nesse papel instigado pela quinta-coluna “de esquerda”.

As táticas e estratégias em curso

A primeira estratégia é a que vem sendo adotada pelo PT: a orientação de confrontação contra o projeto do golpe, atacar as medidas do governo golpista, retomar o legado e a história do PT, com base na defesa do povo brasileiro e latino-americano. Internacionalista, socialista e popular, a Presidente Gleisi, como presidente do PT, representa e segue essa linha enquanto orientação partidária.

Uma segunda estratégia, apontada pelo conjunto da esquerda mas também por setores liberais, membros do bloco golpista, é aquela que pretende uma “oposição moderada, responsável, propositiva” com o projeto de entrega do país e escravidão do povo brasileiro.

A primeira estratégia, a do PT, é a política da construção do bloco democrático-popular, ou seja, unir o campo de esquerda, popular e socialista para construir a identidade programática desse campo, defender o internacionalismo e as ligações com as bases sociais. Essa estratégia é traçada com o entendimento dialético a respeito da polarização, que compreende a existência de um bloco de poder golpista sólido, que amplia a militarização e a tutela militar, em oposição ao Bloco Democrático-Popular em articulação. Daí a necessidade de contrapor os interesses dos trabalhadores em um bloco oposto ao bloco dos patrões e golpistas. Por isso a liberdade do Presidente Lula é fundamental para avançar essa política.

A segunda estratégia aposta no desgaste do governo Bolsonaro para chegar ao governo em 2022 ou, em mais curto prazo, convocar eleições antecipadas. Para isso seria fundamental construir a “Frente Democrática”, que reuniria setores do campo golpista. Para essa frente, com os golpistas ser possível, o PT — que é a oposição de esquerda ao governo do GSI — deveria abrir mão do internacionalismo, rebaixar o programa e moderar as criticas ao governo. Isso implica, na prática, em aceitar os ataques que esse governo aplica contra o país e tratá-lo não como fruto de um golpe inicialmente contra o Partido dos Trabalhadores e a presidente Dilma, mas que goza de legitimadade. Nessa pressão exercida contra o PT está, nacionalmente, o PDT, parte do PCdoB, PSB, os setores militares do governo e, internacionalmente, a social democracia europeia e a mídia-militar imperialista. Esses setores golpistas, de “esquerda” e de direita, tentam manipular para parecer que essa proposta tem como porta-voz o Haddad.

“Fora Bolsonaro”?

Uma retirada do Bolsonaro em acordo com Mourão preservaria o governo das Forças Armadas e fortaleceria o golpe, já que uniria esquerda e direita para um movimento que ampliaria a tutela militar sobre o poder, colocando na cabeça do governo setores mais eficientes para ampliar o programa de traição nacional. O “Fora Bolsonaro”, além de reconhecer o governo como eleito, e portanto legítimo, necessariamente é uma armadilha. É repetir o mesmíssimo equívoco que os esquerdistas cometeram ao pedirem “Fora Temer” e “Diretas Já”, o que, ao “virar a página”, deu legitimidade ao primeiro governo golpista e sua linha de sucessão, ao invés de defender a volta e a manutenção do mandato do Partido dos Trabalhadores com a presidente Dilma.

Cair nessa formulação fácil, preguiçosa e perigosa de “Fora Bolsonaro” significaria uma grande capitulação ao golpe de Estado. Devemos aproveitar as debilidades do governo militar para manobrar politicamente e com isso mobilizar as bases populares, centrando o fogo na luta contra o golpe. Essa política necessariamente passa pela estratégia de contrapor a dualidade de poder, afirmar o projeto de governo do PT a partir da campanha “Lula Livre”. É uma estratégia que também fomenta a organização popular com os comitês, núcleos, fortalecendo a reconstrução do partido da classe trabalhadora e exercendo o internacionalismo na prática, defendendo a Revolução Bolivariana e atuando contra todas as guerra imperialistas. Para isso, é urgente organizar a autodefesa e mobilização nas bases contra os ataques fascistas e do Estado policial-militar.

Lula Livre Já!

Todo apoio ao povo Venezuelano e ao governo Nicolás Maduro!

Abaixo o golpe!

Abaixo o governo dos Forças Armadas!

Trabalhadores ao PODER!

Anúncios

Um comentário

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s