O papel da burocracia no golpe de Estado. Coluna

Desde 2003, com a eleição do presidente Lula, a direita tenta avançar com o seu projeto de retomada do neoliberalismo e os ataques contra o Partido dos Trabalhadores. Por várias vezes tentaram sabotar os governos petistas: a farsa do mensalão, Movimento Cansei, PIBinho, deslegitimação da política externa brasileira (com a integração da América Latina, África e BRICS), ataques diários contra os programas sociais (Bolsa Família, Luz Para Todos, Prouni, Reuni, Fies, Mais Médicos, Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida etc).

Os ataques partiram de duas frentes. De uma lado a direita [mídia patronal, Rede Globo, PSDB e DEM] e de outro lado da autoproclamada “oposição de esquerda” aos governos do PT, composta por PCB PSOL e PSTU. Estes últimos, atacaram os governos petista pelo “afastamento das bases”, política econômica e “peleguismo sindical e popular”. Todos os anos essa “oposição de esquerda” realizava greves, ocupações de prédios públicos, campanhas e fomentaram as “jornadas de junho” de 2013 -A “revolução colorida” montada pela CIA. Hoje, apesar dos inúmeros ataques dos golpistas, eles não fazem nenhuma mobilização de peso.

Com o golpe abriu-se uma crise política e institucional. O PSDB, que governa há 24 anos o estado de São Paulo, não chegou a 10% dos votos nacionais. Por outro lado, a “oposição de esquerda” saiu do período dos governos petistas pior do que começou. Desde sua fundação, quando lançaram a candidatura de Heloísa Helena (PSOL. PSTU e PCB), acumularam inúmeros rachas esquerdistas, política nacional irresponsável e crises. Mas eles jamais realizaram uma autocritica, ao contrário, ocultaram seus erros e jogaram a culpa no Partido dos Trabalhadores.

Os esquerdistas, segundo a definição leninista, mentiram quando afirmaram que o PT abandonou sua base social. De 1995 até hoje, foi no período dos governos petistas que ocorreu o maior número de greves, que houve um aumento expressivo da bancada progressista no Congresso e um aumento salarial real.

A derrota das oligarquias tradicionais,  como Democratas, Sarney, MDB, e PSDB, em várias regiões importante do Brasil e o derretimento do centro político são desdobramentos da tão chamada “polarização”.

Para combater essa polarização e adaptar-se ao atual regime golpista, as burocracias, a esquerda golpista, a direita tradicional e os oportunistas (PDT, PSB e em parte o PCdoB), fizeram uma aliança com um acúmulo de políticas erradas, como o “Diretas Já” e o reconhecimento do governo golpista de Bolsonaro.

Ciro Gomes mentiu ao dizer que o golpe foi resultado da “falta de diálogo” da Dilma com o Congresso. Para não lutar contra o golpe, a burocracia mentiu dizendo que a presidente Dilma era uma “presidenta impopular”, sendo que em vários momentos sua popularidade se aproximava daquela do Presidente Lula. A esquerda amarela (PSTU, PSOL e PCB) mentiu quando disse que o PT abandonou sua base social e quando se recusaram a lutar contra o golpe, levantando a bandeira de que a “sada é pela esquerda”, e pondo como prioridade a luta contra o “ajuste de Dilma”.

Nenhum outro partido do Brasil possui a capilaridade popular que o Partido dos Trabalhadores tem no povo, no movimento sindical e popular. O que enfrentamos é na realidade uma tentativa do imperialismo de reconfigurar a política brasileira e a militância de esquerda. Nessa tentativa, a militância política se converte em operações de marketing e publicidade. O debate político científico se transforma no histérico debate moral. A prioridade são as eleições controladas pelos golpistas para conseguir um gabinete ou vaga no Congresso. A política é voltada para disputar uma classe média, que sempre esteve dentro da política nacional, e nunca se organizam os pobres e negros da pátria brasileira.

O golpe que provocou o aumento do desemprego, assassinatos realizados pela PM, a precarização do SUS e a militarização de escolas não atinge com tanta força a classe média. As principais vítimas do golpe são os trabalhadores, pobres e negros. O Partido dos Trabalhadores é a principal força política de organização dos reais atingidos pelo golpismo. Por essa razão é o alvo principal dos ataques do imperialismo e de seus aliados no Brasil.

Os 13 anos de governos petistas não são nada comparados com os 500 anos que a direita governou o Brasil. A direita sempre promoveu golpes, desestabilização econômica e impediu o avanço de qualquer política nacionalista. Por essa razão, o projeto democrático popular petista ainda se faz necessário.

Muitos dos problemas que enfrentamos nesse momento são motivados pelo discurso incompleto do golpe e pelo cenário de ficção da realidade brasileira montado pela burocracia. O golpe de Estado não começou da noite para o dia. Desde a desestabilização iniciada em 2005 e intensificada a partir de 2013, a política de Eduardo Cunha, a campanha de mentiras constante do Jornal Nacional, as desinformações nas redes sociais, as pregações políticas entre os evangélicos e as ameaças dos patrões são apenas uma parte do plano contra as politicas nacionais do PT.

A aliança da burocracia e da direita golpista tenta passar que só vivemos uma crise econômica, ou que os problemas vem da “falta de habilidade” do presidente miliciano eleito na fraude. Na realidade, o que vivemos é um golpe de Estado e a crise econômica é apenas um dos reflexos da política neoliberal do golpe. Escondem que a destruição econômica e a chegada de um presidente que odeia o Brasil é estratégia do golpe imperialista para balcanizar a nossa pátria.

Não será com políticos engomadinhos no nível de Marcelo Freixo, Ciro Gomes e Tarso Genro que teremos uma mudança politica real no Brasil. O programa político do PT durante as eleições apontava que a resposta é a convocação de uma nova Constituinte, trazendo os trabalhadores para militância verdadeira.

Os pobres e negros não são meros espectadores do circo politico montado por essa aliança de golpistas. Os pobres são os únicos que podem mudar o jogo político nacional. Porém, para isso é necessário uma política nacional libertadora, democrática e popular. O caminho é organizar, mobilizar e preparar o povo pobre para derrubar o golpe das Forças Armadas, romper com o neocolonialismo, desenvolver o Brasil para uma perspectiva de mudança no cenário nacional.

Os oportunistas, em especial o golpista Ciro Gomes, não irão assumir o lugar que o Partido dos Trabalhadores tem na história da nossa pátria. Os oportunistas fazem parte do golpe de Estado e irão para a lata de lixo da história.

LIBERDADE PARA O PRESIDENTE LULA!

PELO RECONHECIMENTO DO GOLPE CONTRA A PRESIDENTE DILMA!

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