Como uma notícia manipulada serve para guerra.

No último sábado [23], a chegada de um transporte de equipamentos e funcionários russos na Venezuela, serviu de base para uma campanha de notícias falsas e manipuladas. Não há nada de misterioso nesses voos, uma vez que a Rússia tem vários contratos [com a Venezuela] que já estão em processo de cumprimento, incluindo acordos técnico-militares.

Em sincronia, os gangsters da casa branca, John Bolton, Mike Pompeo, Marco Rubio e Mike Pience foram à imprensa condenar o que eles chamara de “interferência russa na América Latina”. Com apoio da mídia, fizeram uma manobra para tentar isolar a opinião publica, que nesse momento está contra a guerra na Venezuela. Por “coincidência”, no dia seguinte, a Venezuela é atingida por outro atentado terrorista que deixou algumas partes do país sem eletricidade.

Sem nenhuma perspicácia ou grau de crítica, grande parte da esquerda brasileira reproduziu a chegada das “tropas russas” como fossem verdade, assim servindo para máquina de guerra. Para dentro da “bolha de esquerda”, o debater era atacar Bolsonaro [que constantemente ameaça a Venezuela], mesmo que para isso signifique a adesão à máquina de propaganda do imperialismo. Vemos esse tipo de atitude não só nesse fato passado, mas em questões várias questões, tais como: “o apoio ao Mourão em eventual saída de Bolsonaro” [Claro que isso é fator de divergência dentro da esquerda]. Ou seja, alas da esquerda estão se colocando a reboque da política da direita para derrotar um “inimigo maior” [mesmo que saibamos que o o inimigo maior nem de longe é o Bolsonaro, mas sim as Forças Armadas e o Imperialismo].

Se essa lógica de adesão automática à pauta da imprensa golpista continuar, a esquerda nacional não se educará. Sendo incapaz de entender as manobras do imperialismo, prever seus passos e será muito mais difícil conquistar o poder.

Essa manobra de desinformação foi de tão grande envergadura que necessitou o posicionamento imediato de China, Russia, Cuba e Venezuela. Vejamos o que cada país disse.

REAÇÃO DA VENEZUELA AOS ATAQUES DOS EUA

O chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, denunciou na segunda-feira [25] que o governo dos Estados Unidos [EUA] pretende interferir nos programas de cooperação militar que seu país mantém com a Rússia.

O governo venezuelano enfatizou que o país é “irrevogavelmente livre e independente e manterá a cooperação militar com seus aliados no mundo”.

Arreaza reiterou que o objetivo dessas relações é fortalecer os mecanismos de proteção da população e a soberania de seu país em caso de qualquer agressão proveniente do país.

Por outro lado, o ministro das Relações Exteriores disse ao secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que “as únicas tensões na Venezuela são aquelas que seu governo gerou através de ameaças com o uso da força”.

Ele também se referiu ao bloqueio econômico imposto pelo governo dos EUA. e seus aliados contra a nação sul-americana, no contexto da tentativa de golpe de Estado contra o presidente constitucionalmente eleito, Nicolás Maduro.

REAÇÃO DA CHINA A INTROMISSÃO DOS EUA

O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores, Geng Shuang, declarou na última terça-feira [26] que as nações latino-americanas são países soberanos, capazes de decidir por conta própria com quais Estados comercializar.

“A América Latina não pertence a nenhum país e não é um quintal de ninguém”, afirmou Geng.

Em seguida, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês salientou que sua nação “sempre apóia o desenvolvimento de relações amistosas com os países” da região, incluindo a Venezuela.

No contexto da atual situação no país latino-americano, Geng ressaltou que apenas o povo venezuelano pode encontrar uma saída para a crise política que seu país está enfrentando nos dias de hoje. “A questão venezuelana só pode ser resolvida pelo povo venezuelano, a estabilidade na Venezuela é do interesse do país, assim como da região”, reiterou.

Anteriormente, o Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, afirmou através de sua conta pessoal no Twitter que Washington não tolerará “forças militares estrangeiras hostis” que impedem alcançar “democracia, segurança e objetivos estatais”. direita, compartilhada no Hemisfério Ocidental “.

POSIÇÃO DA RÚSSIA CONTRA O CINISMO DO IMPÉRIO

Em 25 de março, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, e o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, mantiveram uma conversa por telefone onde foram discutidos assuntos relacionados à situação na Venezuela.

Neste diálogo, Lavrov sublinhou que as tentativas de Washington de organizar um “golpe de Estado” na Venezuela e as ameaças contra o seu governo legítimo “estão a violar a Carta das Nações Unidas”, acrescentando que isto constitui uma “interferência indisfarçada” em os assuntos internos de um Estado soberano.

Por sua parte, de acordo com o Departamento de Estado dos EUA, Pompeo disse ao seu homólogo russo que os EUA e seus aliados regionais “não ficarão de braços cruzados enquanto a Rússia ocupa a Venezuela” com suas atividades de cooperação com o país sul-americano. O diplomata descreveu essas ações como “comportamento não-construtivo”, apesar de serem realizadas de acordo com contratos bilaterais protegidos pelo direito internacional.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia emitiu um comunicado em 26 de março, afirmando que os especialistas russos estão em território venezuelano, de acordo com o tratado existente de colaboração técnico-militar entre as duas nações.

“A Federação Russa desenvolve sua colaboração com a Venezuela em estrita conformidade com a Constituição daquele país e com total respeito por suas normas legislativas”, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, María Zajárova.

A porta-voz disse que a permanência de especialistas russos “é regida pelo acordo nos marcos do direito internacional” entre as duas nações sobre a colaboração técnico-militar, alcançada em maio de 2001. Segundo suas declarações, as medidas tomadas no âmbito do tratado em questão não precisam ” da aprovação adicional pela Assembléia Nacional da Venezuela, que está em desacato.”

Zajárova reiterou que Caracas é um parceiro estratégico de Moscou e que as autoridades russas planejam “criar uma cooperação construtiva de benefício mútuo” não apenas com a Venezuela, mas com outros países da região.

CUBA NEGA QUE TENHA MILITARES NA VENEZUELA

O Ministro cubano, Bruno Rodríguez Parrila, negou, de novo, que hajam militares cubanos na Venezuela como afirmou o vice-presidente dos EUA, Mike Pence.

Em declarações Pence garantiu que “os serviços militares e de espionagem cubanos treinam, apoiam e dotam de equipamentos a polícia secreta da Venezuela enquanto intimidam os manifestantes e silenciam a oposição”.

O ministro cubano reiterou que “Cuba e Venezuela mantém uma relação de respeito mútuo e de verdadeira solidariedade, sem intervenção nos assuntos internos e sem subordinação política”.

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