CORREDORES DE DESENVOLVIMENTO DA EURÁSIA, AMÉRICA LATINA E ÁFRICA

A importância geopolítica da América Latina é a razão por que ocorrem os golpes de Estados continentais planejados e impulsionados pelos Estados Unidos contra os povo da região.

Hoje, a batalha que se trava na Venezuela é importância vital em escala mundial. É uma batalha na defesa do direito internacional, da autodeterminação dos povos e da multipolaridade. Foi graças à UNASUL que possibilitou a integração econômica, tecnológica e cultural entre Ásia, África e América Latina.

Durante séculos o desenvolvimento dos Estados Unidos, países da União Européia, Canadá e Austrália foram sustentados pela exploração, de uma maneira que não permitem que o conjunto dos países do mundo consigam se desenvolver, da América Latina, África e Ásia. Com essa estratégia eurocêntrica, uma das primeiras medidas das potências imperialistas foi destruir a milenar Rota da Seda.

Historicamente, a América Latina tem visto o mundo com o olhar eurocêntrico. O imperialismo criou um conceito onde afirma que Ásia é tao distante que seria impossível estabelecer acordos comerciais, tecnológicos e culturais com eles. Para agravar a situação, temos a Doutrina Monroe do século XXI, que para manter a dominação imperialista na América Latina, precisam manter o ambiente propaganda da guerra fria, estimulando as fobias contra Rússia, China, Cuba etc.

O diferencial de Hugo Chávez, Presidente Lula e Fidel Castro, é que estes líderes latino americanos começaram a enxergar o mundo a partir da visão da América Latina. Com esse olhar, podemos ver que a América Latina está no centro do mundo. A teoria do povoamento do Continente Americano pelo Estreito de Bering prova que estamos mais próximos da Ásia do que imaginamos. O Alasca por exemplo, foi durante séculos uma território pertencente ao Império Russo.

Hoje vivemos a criação de novos corredores de desenvolvimento, mas não só pelas rotas antigas [a rota da seda] e sim pela construção de novas rotas que integram os cinco continentes. A China e Russia estão avançando progressivamente nesses novos corredores de desenvolvimento, envolvendo mais de 60 países em todos os continentes. O camarada Mao Tsé-Tung havia falado, 50 anos atrás, do levantamento do Terceiro Mundo, em especial através da integração entre África, Ásia e América Latina.

Ilustração da ferrovia Eurasiática – Pequim – Itália – Bielorrússia

São corredores marítimos, ferroviários e aéreos. Por onde passam a rede de trens e portos, requer o desenvolvimento de indústrias e o surgimento de novas cidades. Nos corredores é necessário estabelecer serviços, tais como: rede de água, esgoto, produção de energia, projetos logísticos, urbanização, industrias básicas, industrias pesadas, universidades, técnicos e produção de novas tecnologias. Onde passa o corredor leva o desenvolvimento.

Por esses corredores passam alimentos, minerais, produtos industrializados, armamentos e pessoas. O que permite a integração cultural entre os povos que se integram nessas rotas. As relações econômicas são estabelecidas pelo princípio de ganho mútuo. Nesses corredores de desenvolvimento se utilizam moedas diferentes do dólar.

O corredor original de desenvolvimento inclui um traçado que parte de Pequim, passa pelo Cazaquistão [país membro, desde 2015, da União Econômica Eurasiática], Rússia, pela passagem da Bielorrússia e para logo chegar a todo espaço da Europa.

Pequim impulsiona a rota Afro-Eurasiática. Estamos falando na integração pelas vias férreas, marítimas e aéreas, onde observamos outra rota que faz um percurso desda China, Cazaquistão, Turquia e uma passagem pela Grécia e Itália, por ferrovias. Tem uma rota marítima, que nada mais é, que recorrer a rota de Marco Polo. Essa rota vem da Itália, passa pelo Egito e toca distintos ponto no Oceano Índico até chegar à China.

Rota marítima Afro-Asiática-Européia. Em vermelho linhas ferroviárias africanas.

Na África, Mauritânia é um ponto fundamental onde pode partir de uma rota alternativa para chegar à América Latina. China impulsiona a construção da ferroviária que ficará pronta nesse ano de 2019. O traçado férreo vem da Nigéria, percorre toda África Central e chega no Quênia e Etiópia. Chegando na costa do Quênia o trem se soma à rota marítima rumo à China.

Outra rota ferroviária, dessa vez impulsionada pela Rússia, se origina do Marrocos, vai à Mauritânia [se integra com a rota marítima], Argélia e ao Egito. Não é por acaso que a CIA tratou de promover uma “Revolução Colorida” na Argélia. Se percebemos os pontos das rotas, estas passam por diversos países chaves onde ocorrem golpes ou tentativas de golpe, como é o caso da Ucrânia, Turquia, Egito e entre outras.

A Rússia tem uma longa história de impulsionamento dos projetos de integração na África. Desde a época da União Soviética, os russos colaboram com a totalidade dos processos de luta anticolonialista. Por exemplo, na Rússia se construiu a Universidade Russa da Amizade dos Povos Patrice Lumumba, onde formou milhares de jovens africanos.

Outro ponto, é o tratado entre China e países da Liga Árabe, onde concluiu a ponte do nível terrestre que liga a China e Kawait. Pequim está desenvolvendo um novo projeto através do corredor marítimo que vai de Pequim à Vladivostok e de Vladivostok à São Petersburgo.

Esse grande corredor começa a se conectar com o Continente Americano. Rússia em parceria com os Estados Unidos, desenvolve a construção de uma ferrovia que vai de Nova York ao Alasca, passa través de um túnel marítimo pelo Estreito de Bering e se conecta ao trem transiberiano, e por sua vez se conecta a linha férrea Chinesa. Essa linha faz todo um percorrido pela Ásia até chegar à Londres. A Rússia tem dado investimentos na construção de dois mega tuneis, o túnel de Bering e outro que liga São Petersburgo à Helsinque [Finlândia]. O túnel de 106 quilômetros em Bering está orçado em US$ 65 bilhões e levará 14 anos para ser finalizado.

O Presidente Vladimir Putin convidou o México, agora presidido pelo López Obrador, à participar do Foro Econômico de Vladivostok. Apartir de investimentos russos e mexicanos, estão se construindo portos na costa pacífica do México, que no futuro se integrarão ao corredor pacífico Pequim-Vladivostok.

Acordos no marco da UNASUL e BRICS está impulsionando uma ferrovia no Cone Sul. Ela se integra à via oceânica e por terra passa pelo Peru, Bolívia, Brasil e Uruguai. Os Presidentes Lula e Hugo Chávez ampliaram o traço da rota de Manaus, La Paz até Lima.


Corredor do Pacífico, ferrovia Peru-Bolívia- Brasil e Canal da Nicarágua.

A rota se estende por via marítima, percorrendo toda a costa brasileira, chegando em distintos pontos do Caribe e América Central, incluindo o Porto de Mariel em Cuba, e para posteriormente chegar ao Canal Transoceânico Seco da Nicarágua – um investimento chinês nesse país que converterá a Nicarágua no ponto chave da logística comercial mundial.

O Canal da Nicarágua será três vezes mais largo que o Canal do Panamá, que já está obsoleto. Por essa razão, os Estados Unidos estão obcecados para golpear o Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.

Canal da Nicarágua vai transformar a nação em centro logístico do mundo.

Em 2017, a empresa chinesa HKND Group iniciou a construção do Canal e terá sua primeira operação em 2030. A obra custará um investimento de 40 bilhões de dólares e irá gerar apenas na zona de livre comércio cerca de 150 mil postos de trabalho e U$ 270 milhões anuais.

Nicarágua não é a unica vítima da sabotagem. Outro projeto localizado no Uruguai está sendo boicotado. A direita e o Imperialismo estão tentando viabilizar a eleição fraudada de um militar aposentado no Uruguai, através de um golpe judicial e midiático. Uruguai é vitima de um golpe não só para sabotar a integração latino-americana, mas para destruir a indústria Uruguaia que provê a Rússia e a China de produtos.

O Uruguai é um dos 5 países do mundo que tem o controle sobre o desenvolvimento agroindustrial, cientifico e tecnológico em matéria de laticínios [todos produtos derivados do Leite]. Os outros 4 países que integram essa rede são: Austrália, Nova Zelandia, Bielorrússia e Argentina. O Uruguai foi trabalhando silenciosamente para desenvolver tecnologias próprias afim de ser livre das tecnologias e patentes dos Estados Unidos. Assim, garantiu não ser sancionado e poder desenvolver a cooperação com outros países.

Quando os Estados Unidos atacam a Rússia, no ano de 2014, essa recebe sanções econômicas e financeiras. Isso porque, a Rússia, através do governo de Putin, trilhou o retorno o patriotismo. Após a dissolução da União Soviética, o país entrou em uma etapa de obscurantismo e adesão do neoliberalismo. Boris Iéltsin, atacou a cultura e apagou os símbolos históricos, parou a industrialização e começou a comprar os produtos básicos de seus vizinhos [em especial da Europa]. Ao impulsionar a cultura russa, Putin viu seu país ser sancionado pelos Estados Unidos oito meses mais tarde.

Ai tem início de uma guerra econômica. Que assim como a Venezuela, sofreu bloqueio de comida e medicamentos. Vendo-se forçada, as relações entre Rússia e a América Latina se estreitam, e a Venezuela foi a porta de entrada para firmar essas parcerias. Graças à essas parcerias, a Rússia conseguiu com o Uruguai os produtos derivados de leite para um mercado de 250 milhões de habitantes. O plano anticrise russos tem uma grande demanda de petróleo, minerais, alimentos e outros da América Latina.

Com os corredores intercontinentais de desenvolvimento, defendendo a soberania nacional, a autodeterminação dos povos e o direito internacional é totalmente viável que deixamos de ser Republica Bananeiras, exportadoras de recursos para os EUA e Europa, para desenvolver nossa própria indústria e sermos soberanos.

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