Saída do Brasil da UNASUL é retorno ao passado

Nesta útima segunda (15), o Brasil formalizou sua saída da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL), esvaziando a instituição e o projeto de integração regional mais soberano e autônomo das últimas décadas.

Criada em 2008 a partir das articulações políticas de Lula, Hugo Chávez e de Cristina Kirchner, o bloco tinha por objetivo a cooperação dos doze países da América do Sul em diferentes aspectos – destacando-se a melhoria da infraestrutura e a cooperação em defesa e segurança –, reforçando a autonomia da região através da limitação da interferência de potências imperialistas no subcontinente sul-americano.

A instituição, de caráter político, tem o intuito de limitar a presença dos Estados Unidos e seus braços políticos, como a OEA (Organização dos Estados Americanos), e resolver os assuntos referentes à América do Sul através do diálogo e da cooperação sul-americana. Portanto, o fim da UNASUL representa um enorme retrocesso geopolítico, limitando o diálogo político dos países da região a fim de seu desenvolvimento mais autônomo e soberano.

A diplomacia dos governos Lula – e do PT – foi marcada pela construção do diálogo com os países da América Latina e com o sul global, como por exemplo a mediação, através da UNASUL, de um possível conflito armado entre Venezuela e Colômbia após o exército colombiano invadir o território equatoriano, violando a soberania nacional deste país, supostamente para combater guerrilheiros das FARC-EP.

A crise atual e a saída de diversos países da UNASUL significa a volta da influência e dos desígnios dos EUA nos assuntos políticos da América do Sul, ameaçando a estabilidade de toda a região. Atualmente, a ameaça da guerra imperialista norte-americana para tomar os recursos naturais da Venezuela representa uma das mais graves ameaças para os cidadãos sul-americanos.

O Brasil, como principal responsável pelo projeto de integração regional, desde o golpe de 2016 retornou ao passado e voltou sua política externa novamente para asas de Washington, abandonando seu papel de destaque e mediação política na América do Sul. Assim, o Brasil nega seu papel para a construção de uma região politicamente unida e preparada para enfrentar os desafios de uma nova política internacional, com diversos polos de poder em um mundo multipolar.

Construída a partir do cenário de ascensão de diversos governos de esquerda e progressista na região, a UNASUL é vital para permitir a soberania nacional e garantir a independência política dos doze países sul-americanos. Com o golpe no Brasil, a volta de governos de direita na Argentina e a ofensiva contra a Venezuela, a tão sonhada integração sul-americana está ameaçada e o Império volta a ameaçar e dar as cartas na política da América do Sul.

A América do Sul, com a entrada pesada dos chineses na região e sua parceria com diversos países sul-americanos, será alvo de uma grande disputa geopolítica futuramente. Seremos construtores de nossa própria história ou ficaremos à mercê dos donos do mundo?

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