Iémen: EUA provocam a maior crise humanitária do mundo

Dramaticamente já transcorreram 4 anos desde o início das agressões da “Coalizão Árabe” liderada pela ditadura da Arábia Saudita contra o povo do Iémen. São 24 horas ao dia de incessantes bombardeios com todos os tipos de bombas conhecidas: bombas inteligentes, fragmentação, fósforo branco, armas químicas, drones e entre outras. Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha abastecem o arsenal da Arábia Saudita, ignorando a legislação do comércio de armas que proíbe a venda para países em conflito.

CONTEXTO HISTÓRICO DO CONFLITO E AS CONSTANTES INVASÕES INGLESAS, NORTE-AMERICANA E SAUDITAS

Iêmen está localizado em uma ponto chave do mundo

Quando falamos de Iémen não nos referimos à qualquer país. Essa nação tem um peso geopolítico importantíssimo e uma longa história de resistência. Os iemenitas são herdeiros histórico do antigo Reino de Sabá, que por mais de 300 anos mantive o Império Otomano fora das suas costas. Em 1911, ocorreu a Rebelião Nacionalista que garantiu a independência do país, porém em 1914, o país foi invadido e dividido pelo Império Britânico e seus aliados da Arábia Saudita [Nessa época já governado pela monarquia Saudí].

O país tem uma longa história de conflitos e invasões inglesas e sauditas. Em 1933, o país foi invadido pela Arábia Saudita com apoio Britânico, e perdeu uma importante província em Hidjaz. A estabilidade seguiu até 1961, quando o ocorreu um golpe de Estado e novamente os sauditas e ingleses atacaram. O país ficou mergulhado em guerra civil até 1971. A vitória das forças nacionalistas eram iminentes e a Arábia Saudita e Reino Unido decidiram ocupar o norte do país e instalar uma ditadura fantoche, enquanto o sul se tornou uma República Socialista. Muitos territórios e ilhas do Iêmen foram invadidos e estão nas mãos dos sauditas até hoje.

Abdel Fattah Ismail, presidente da República Socialista do Iêmen ao lado de Fidel.

Em 1985, a Arábia Saudita encontrou grandes poços de petróleo e gás na fronteira com o Iémen, fato que estimulou a monarquia a iniciar uma conspiração para derrubar o governo iemenita. Mais uma vez, os britânicos e sauditas voltaram a estimular uma guerra civil no país que só teve fim em 1990 e com um saldo de 10 mil mortos. O país foi reunificado e quatro anos mais tarde, a monarquia saudita tenta dar um golpe de estado e dividir o país, mas a operação fracassa.

IMPORTÂNCIA GEOPOLÍTICA E ECONÔMICA DO IÉMEN

Com a história marcada pelas invasões do imperialismo britânico e de seu sócio saudita, o país sofre até hoje os prejuízos. Com uma população de 27 milhões, 54% das pessoas estão na pobreza, sendo o país mais “pobre” do Oriente Médio, apesar das ricas jazidas de petróleo e gás.

O país controla o estreito de Bab al-Mandab, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden, pelo qual passa grande parte dos navios petroleiros do mundo. Com o Estreito de Ormuz [golfo pésico] controlado pelo Irã é fundamental para o imperialismo ter o controle da costa do Iêmen. Outro receio do imperialismo é que o país se aliasse ao Irã, fato que atrapalharia a estratégia de guerra dos EUA na região.

INÍCIO DA GUERRA CIVIL E O USO DE TERRORISTAS PELOS EUA

O conflito começa em 2011, quando ameaçado pelas mobilizações populares e para garantir o controle dos poços de petróleo próximos à fronteira e do gasoduto no Golfo de Áden, a Arábia Saudita arma e envia para o Iêmen grupos terroristas, tais como o Estado Islâmico e a Al-Qaeda. Estima-se que aproximadamente 80% dos terroristas (cerca de 3 mil terroristas) passaram pela fronteira saudita. O objetivo da monarquia saudita era apoiar o seu aliado, o ditador Ali Abdulla Saleh. Por enquanto, a guerra no Iêmen está sendo vendida pelos meios de comunicação como uma “restauração democrática”. Cinicamente também falam de luta contra o terrorismo, mesmo tendo sido os sauditas os responsáveis por enviar a Al-Qaeda e Estado Islâmico para o Iêmen.

Capital Sanaã antes da guerra. A UNESCO considera a cidade como
patrimônio histórico-cultural da humanidade.

Entre 2011 até 2015, a Arábia Saudita manteve uma estratégia de dar apoio logístico, material e suporte aéreo aos terroristas da Al-Qaeda e Estado Islâmico que massacravam a população Hutíes. Os Hutiés [xiitas] representam cerca de 49% da população do Iémen. O presidente do país não fazia nada para evitar os massacres contra a população Hutíes. Evidentemente havia uma cumplicidade entre o presidente e os terroristas, pois os Hutíes e o povo pobre iemenita em geral exigia sua derrubada.

Em 2012, o ditador Saleh foi deposto e a situação escapou do controle. Em 2015, a “Coalizão Árabe” começa a bombardear o país. Em 2017, a Mossad (serviço de inteligência de Israel) e CIA identificam e entregam os principais líderes hutíes, que são assassinados. No mesmo ano, Saleh é morto pelos rebeldes.

INVASÃO ESTADUNIDENSE ATRAVÉS DA ARÁBIA SAUDITA

Deve ser claro que a Arábia Saudita não e um país independente e autônomo. O regime da Família Saudí, que governa o país desde 1744, responde aos interesses norte-americanos na sua estratégia de ocupação militar mundial. Apesar da riqueza da família real, o país possui uma grande parcela da sua população na pobreza, um regime de servidão e de escravidão, sem possuir constituição e garantindo o controle interno através de uma brutal ditadura militar.

Em 2017, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Rei da Arábia Saudita, Salman Saudí, se reuniram para tratar da guerra no Iêmen. Na mesa de negociações está o apoio norte-americano ao domínio saudita contra o Iêmen em troca do reconhecimento de Jerusalém como capital do Estado terrorista e sionista de “Israel”.

Para controlar o estreito de Áden e aquela zona que tem muito petróleo, os EUA experimentam suas novas armas destrutivas contra o povo do Iêmen. Testando tais armas para se preparar para os próximos conflitos mundiais que são vislumbrados para os próximos anos, em especial contra a República do Irã.

Nessa guerra, a Arábia Saudita também perde, sendo uma estratégia dos EUA para sequestrar a soberania e impedir o desenvolvimento da Arábia Saudita. O país tem se endividado para comprar as armas estadunidenses. Apenas em 2018, a Arábia Saudita comprou U$ 350 bilhões em armas. Seu exército tem uma parcela alta de tropas mercenárias, seus caças F-16, dos EUA, são pilotados por israelenses por falta de treinamento dos sauditas e existem tropas dos EUA na região dando apoio logístico e de espionagem aos criminosos da monarquia saudita.

Uma bomba norte-americana lançada pela Arábia Saudita assassinou 40 crianças em um ônibus escolar.

DADOS DO GENOCÍDIO DOS EUA CONTRA O IÊMEN

A tragédia humanitária no Iêmen é causada pela estratégia usada pela Arábia Saudita e EUA de bloquear os portos e aeroportos do país para evitar a entrada de alimentos e medicamentos. Utilizam a fome, a sede e as doenças como arma de guerra.

FOME COMO ARMA DE GUERRA: Mais de 60 mil pessoas foram mortas pela guerra no Iêmen desde janeiro de 2015, sendo 17.700 de civis. O estrito bloqueio marítimo e aéreo contra o Iêmen continua a causar escassez no país de suprimentos essenciais, como alimentos, medicamentos e combustível. Por conta do bloqueio saudita e norte-americano, de acordo com dados das Nações Unidas, cerca de 360.000 crianças sofrem de desnutrição severa e lutam por suas vidas diariamente. Além disso, estima-se que mais de 85.000 crianças [menores de 5 anos] morreram de fome e que, a cada dia, oito crianças morrem ou são feridas em zonas de conflito. 10 milhões de pessoas passam fome no Iêmen. 3,2 milhões precisando de tratamentos para má-nutrição aguda. Isto inclui 2 milhões de crianças com menos de 5 anos e mais de 1 milhão de mulheres grávidas e lactantes.

DOENÇAS COMO ARMA DE GUERRA: A destruição da infraestrutura pelos bombardeios saudita resulta num total aproximado de 17,8 milhões de pessoas sem acesso à água potável. 19,7 milhões também não têm acesso adequado à saúde, pois as agressões sauditas destruíram a maioria dos hospitais do país. Os quatro anos de guerra no país contribuíram para “a pior crise de cólera do século”, de acordo com a Cruz Vermelha. Somaram 1 milhão de casos de cólera e mataram 2 mil pessoas.

REFUGIADOS INTERNOS: A estimativa é de 3,3 milhões de pessoas refugiadas internas por conta do conflito. O país só fica atrás da Síria e da Colômbia [que tem 6 milhões de refugiados internos].

CINISMO DOS EUA E SILÊNCIO DA ONU

Elliott Abrams, criminoso envolvido com a guerra de “Los Contras” na Nicarágua, acusa a Venezuela na ONU, enquanto os EUA matam o povo do Iêmen de fome, doenças e bombas.

Desde fevereiro, os Estados Unidos fizeram 3 seções do Conselho de Segurança da ONU contra a Venezuela para acusá-la de “crimes contra humanidade”, mas na realidade é o governo dos Estados Unidos o agente principal nos crimes de guerra contra o Iêmen, e em diversas outras partes do mundo.

Enquanto os olhos do mundo enxergam um genocídio e limpeza étnica deliberadas pela Arábia Saudita, aliada e armada pelos EUA, a propaganda imperialista omite os crimes contra humanidade e persegue outros governos que não querem ter o mesmo destino do Iémen, como Venezuela, Cuba, Irã, Coreia popular, Nicarágua, etc. A ONU e outros organismos internacionais não fizeram absolutamente nada para evitar o genocídio provocado pelos mercenários sauditas financiados pelos EUA.

A ONU é resultado de um pacto dirigido pelos EUA no final da segunda guerra para assegurar seu poder no mundo. Em momentos críticos, ou a ONU cai em silêncio para obedecer as potências imperialistas, ou apoia as potências deliberadamente. Não é por acaso que o povo Iêmen esteja sofrendo da mesma tragédia do povo palestino, do Saara Ocidental, Birmânia e outros que são muçulmanos.

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